domingo, 30 de julho de 2017

Texto #23 (Das Infinitas vezes em que quis te chamar)

Quantas vezes quis te chamar, te ligar na madrugada, ouvir sua voz ao acordar.
Quantas vezes vi uma imagem que dizia em outras palavras aquilo que eu queria te dizer, quantas vezes engoli a vontade de te dizer com minhas palavras o quanto eu quero você.
Quantas, quantas inúmeras vezes quis colocar as roupas na mala ir para a estrada e pedir carona até chegar a você.
Quantas vezes saí sem rumo, pra descobrir que era em teu prédio que queria me encontrar.
Mas eu não posso.
Não devo.
Porém não nego.
Quantas vezes…
Quantas vezes fui interrompida por essa pequena voz, essa pequena voz me dizendo pra te deixar ir, não te fazer sofrer. Que coisa mais horrível, a voz diz que eu estou brincando com você. Mas não, eu não quero te fazer sofrer. Nunca mais.
Então eu cedo.
Então abaixo a cabeça, e me forço a esquecer dessa vontade, me esforço a esquecer das nossas risadas, dos nossos planos, do meu coração batendo e das lágrimas caindo. Da carta em meu livro, do chaveiro em minha bolsa.
Então eu respiro fundo e finjo que isso não está acontecendo.
Mas quantas vezes eu quis te ligar, ouvir sua voz ao acordar, e quantas vezes mais, vou engolir a vontade, fingir que ela não existe?
Quantas vezes mais irei ler aquela carta, esconder as lágrimas até dormir.

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