domingo, 23 de abril de 2017

Sábado, três da manhã.

 Tantas vezes sonhei com sua voz dizendo às palavras que eu queria ouvir, mas nunca pensei que esse dia chegaria que dançaríamos no meio da rua às três da manhã com uma música tocando em carro do outro lado da rua.
 Nunca pensei que você me pegaria em seus braços, que me impediria de entrar só para ficar ali mais um pouco, só mais um pouco, ou que você diria que queria se deitar comigo, assim, sem mais.
 De todas as vezes que sonhei, nenhuma me pareceu tão natural quanto aquele sábado às três da manhã.
 Suas mãos em meu rosto, forçando-me a olhar em seus olhos confusos e um sorriso bobo em seus lábios, sua voz que em meus sonhos sempre foi tão fraca e falha, estava forte ao dizer aquelas cinco palavras, “eu gosto muito de você”, a noite ficou mais fria, tantas vezes sonhando com aquele momento para a frase soar confusa e desconexa em meus ouvidos, tão errada que me fez ter vontade de correr.
 Agora mal consigo olhar em teus olhos.
 Agora mal consigo pensar naquela madrugada.
 Tantas vezes sonhei com esse dia, com as borboletas em meu estomago e com o sorriso em meus lábios, mas hoje parece tudo tão destorcido que meu coração apenas dói. Dói com a realidade. Dói. Apenas dói.
  Aquele sábado às três da manhã onde meus sonhos tornaram-se essa realidade confusa e errada, onde dançamos ao som do carro estacionado do outro lado da rua, onde nossas risadas eram nossas e você pedia para eu ficar mais um segundo, só mais um segundo, quando em uma brincadeira falei “Pode dizer que me ama, eu já sei” você me respondeu “É, amo mesmo, fazer o que?”.
 Aquele sábado às três da manhã onde tudo mudou de uma forma completamente errada.


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