domingo, 26 de março de 2017

Texto #20 (Das infinitas lembranças,ou dos infinitos sonhos.)

 Eu me lembro do teu beijo, como uma música tocando em repeat na minha mente.
 Eu me lembro das tuas mãos em mim, me lembro de tudo com tamanha perfeição que já não sei mais se o que eu me lembro foi real ou apenas um daqueles meus sonhos que fazem meu coração acelerar.
 Eu me lembro, me lembro das pernas bambas, me lembro do sangue congelar e me lembro de sentir o mundo girar. Ah, eu me lembro com tanta perfeição. Me lembro do meu corpo de encontro ao seu, e das faíscas que subiram.
 E me lembro de te ver de longe, e saber que ali é onde eu deveria estar.
 Mas, eu me lembro de gritos na escada, lembro de portas batendo e lembro do gosto amargo das lágrimas, prometemos que aquilo não iria nos afetar, mas lembro de dormir em outro lugar que não ao seu lado. Lembro da sensação do coração partido, e do gosto da vodka pela manhã. Ah, eu me lembro bem.
 Lembro do telefone que não tocava e da mensagem que eu não conseguia enviar, prometemos que jamais iríamos brigar. Você conseguiu dormir ou, assim como eu, deitou na cama e lembrou daquele nosso primeiro dia.
 Você conseguiu dormir, ou assim como eu, deitou na cama e lembrou das inúmeras vezes em que minhas mãos te fizeram carinho até dormir, ou daquela vez em que rimos até que as lágrimas caíssem de nossos olhos. Ou talvez da vez em que prometemos não nos ferir.
 Eu lembro.
 Eu lembro do teu beijo, das inúmeras músicas que cantamos, lembro da sua voz sussurrando que me ama no meio da madrugada. Eu lembro da sensação dos teus braços e de como eu soube desde a primeira vez que ali era o meu lugar.
 Subo correndo, não tem mais gritaria nas escadas, não tem mais porta batendo. Não tem mais lágrimas amargas nem gosto de vodka. Abro a porta e grito seu nome, ah eu me lembro do coração batendo tão rápido, do mundo girando e do sangue gelando. Corro para o quarto, meus olhos embaçam e lá está você.
 Lembro de te pegar em meus braços, lembro de te beijar, lembro da maciez de sua pele em contato com a minha, das lágrimas descendo e da sua voz dizendo que me ama.
 “Eu te amo, eu me lembro de te amar desde o primeiro dia”.
 Lembro de deitarmos na cama e prometermos que não acontecerá de novo.
 Mas, me lembro de tudo com tamanha perfeição que já não sei mais se o que eu me lembro foi real ou apenas um daqueles meus sonhos que fazem meu coração acelerar, e assim sem saber se foi real eu me lembro de tudo.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Merda como é difícil.

 Eu só queria que você entendesse que para mim é difícil.
 É difícil te olhar, te tocar, te ter em meus braços sem me apaixonar, sem aquela vozinha dizendo que você não vai me amar da forma como eu sempre quis. É difícil te ter as escuras, sem saber o que pode ser dito, o que pode ser feito, é difícil não te dizer o quanto eu te desejo, o quanto meu corpo te deseja, o quanto meu coração te ama.
 Merda,é muito difícil.
 Eu queria que você soubesse o quanto é difícil viver sob minha pele. Sempre com medo dos toques, mas ansiando por eles, ouvindo palavras de amor sem nunca conseguir acreditar, reprimir a felicidade com receio da caída. Como é difícil, viver a beira de um abismo, brincando com o equilíbrio a todo o momento.
 Eu queria que você entendesse como é viver sob minha pele, mas não quero que você veja como é escuro e solitário aqui dentro, como todos os pensamentos bons estão sempre apanhando e sendo trancados no fundo de um baú. Eu queria que você entendesse como é viver se privando de todo e qualquer sentimento, como é viver sem emoções. Você briga comigo, eu sei que quer meu bem, mas se você soubesse quanto dói do lado de dentro, não brigaria pela dor do lado de fora.
 Eu só queria que entendesse, que as vezes eu só queria sentir, me sentir viva, sentir uma dor que não a constante dor dentro de mim, que eu só preciso sentir alguma coisa, qualquer coisa.
 Merda,é difícil e espero que você nunca de fato entenda, mas como eu queria, queria mesmo que você entendesse. Me sinto sozinha nesse escuro, e não consigo ver nenhuma luz, já não sei mais por onde entrei, não vejo uma saída, apenas sento e choro. Apenas sento e espero.
 Eu só queria que você entendesse que para mim é difícil.

 Merda como é difícil.

domingo, 19 de março de 2017

You're my person.


Queria apagar essa sua tristeza, te colocar entre meus braços e não soltar, talvez te colocar em um vidrinho para que ninguém esbarre em ti e te quebre. Garota me entregue seu coração eu cuidarei bem dele, cuidarei como ninguém o fez, te devolvo quando achar alguém digno dele, mas até lá, deixa ele comigo. Tá?
 Querida, nem a chuva vai me impedir de lhe fazer feliz, ou tentar. Nem mesmo a distância, largo tudo para poder te ver sorrir, te arrancar uma risada, ouvir tua voz sussurrada. Se eu pudesse fazia parar de doer, preenchia o teu vazio. Ah se eu pudesse, não deixaria que isso acontecesse de novo.
 Garota me entregue seu coração eu cuidarei bem dele, cuidarei como ninguém o fez, te devolvo quando achar alguém digno dele, mas até lá, deixa ele comigo. Tá? Prometo que vou te achar alguém digno, mas enquanto isso vou guardar seu coração protegido junto ao meu, ninguém vai esbarrar e quebrar, colocarei uma muralha ao redor dele, mas não de ti. Por favor, não construa muralhas.
 Quando a dor bater, venha, coloco um filme, mais um episodio, te faço uma daquelas danças sexys que só você conhece, preparo um chocolate quente e compro a essência de menta, a gente faz cookie, a gente se distrai. Mas não cultivamos a dor. Nem eu nem você garota. Se chover eu puxo o cobertor, se fizer sol a gente vai andar. 
 Quando a dor bater, me chama, a gente anda, a gente conversa, eu te faço companhia sentada no canto lendo meu livro enquanto você termina aquele trabalho da faculdade.
 Mas meu amor, pode ter certeza, não vou deixar que você caia, essa é minha promessa. Prometo que vou cuidar bem de ti se você prometer não construir uma muralha em ti. Ah minha garota, não construa essas muralhas!
 Me permita.
 Se permita.
 Não hesita. 

quinta-feira, 16 de março de 2017

Texto #19 (Do infinito que você não tocou, mas arruinou)

Meu corpo está gasto, marcado, arranhado. Não quero as marcas constantes das dores me lembrando que ainda dói. Não quero as cicatrizes me dando bom dia ao acordar. Simplesmente não quero mais esse corpo.
 Minhas células são novas, você não tocou nessas que criei, mas minha mente! Essa continua pegajosa, me sufocando com suas mãos nojentas e suadas. Esse meu corpo você não tocou, mas minha mente continua sentindo suas mãos, seu hálito, seu peso contra mim. E então a dor me abraça, e eu posso sentir minha pele se abrir, consigo ouvir, ainda que baixo, o som da minha pele cedendo a fria lamina em minhas mãos.
  Eu estou presa nesse corpo, um corpo que sem tocar, você destruiu um corpo que sem tocar, você amaldiçoou.  E eu sinto suas mãos, em minha garganta sufocando-me enquanto eu tento alcançar por ar, mas talvez seja melhor assim.
 Fecho os olhos e me rendo, você não está aqui, mas o peso de seu corpo contra o meu está, você não está aqui, mas suas mãos suadas me asfixiam, você não está aqui, mas você está me matando, e eu apenas me deixo levar...

 Apenas me deixo levar, sinto o sangue escorrer. Apenas sorrio. Agora tudo vai ficar bem. Apenas me deixo levar. 

quarta-feira, 15 de março de 2017

Texto #18 (Daquele infinito de vezes em que enlouqueci)

 Eu enlouqueci algumas vezes, vivo a beira dá realidade e dá irrealidade e por várias vezes me perguntei em qual das duas você morava.
 Fazem sete anos que me pergunto se você é real, se o que tivemos foi real, ou foi meu consciente me dando algo para me prender. Me diz você é real ou apenas uma ilusão do meu coração?
 Me lembro perfeitamente de ti, dá sua essência, mas não me lembro tão bem de seu rosto, dá sua voz, isso significa que você não era real? Pergunto para as pessoas sobre você, em busca de uma ponta qualquer de que você existe! 
 Você existe! Você existe! Droga você é tão real quanto eu, mas porque não consigo me lembrar de ti?
 Você existe! Tenho provas que existe, não tem motivo para as pessoas mentirem sobre você. Você existe!
 Enlouqueci tantas vezes desde que te deixei, mas ainda me lembro do teu rosto amargurado, sofrido, doído ao ver minhas costas enquanto eu ia embora. Enlouqueci tantas vezes desde aquele dia, que já me confundo, eu corri para te abraçar? Eu voltei e disse que te queria, ou apenas desci as escadas e fui chorar sentada na areia dá praia?
 Enlouqueci tantas vezes desde aquele dia que te deixei, mas ainda me lembro do teu rosto amargurado, não, eu não me lembro dos detalhes, se você tinha sardas ou a cor de seus olhos, mas me lembro do sentimento que você tentava não demonstrar, ah meu querido, não adianta tentar esconder, eu sei que você me queria tanto quanto eu queria você. Ou será que essa já é a parte dá irrealidade? Ah droga. Acho que enlouqueci de novo.
 Ainda espero te encontrar, ando olhando para os lado, desejando esbarrar em ti, não sei como você está. Me disseram que mudou, será que vou te reconhecer? Será que vai me reconhecer, eu também mudei. Será que nossos corações vão se reconhecer?
 Ainda espero te encontrar, sento no shopping e observo esperando você me encontrar. Me encontra, por favor, me encontra.
 Me diz que eu não enlouqueci, me diz que você é real, que o que tivemos foi real, me diz que essa parte dá minha vida aconteceu, mas por favor não diz que eu enlouqueci. Você é a única parte sã dá minha loucura.
 Fecho os olhos e espero te encontrar ao abrir, mas apenas termino meu café, o capítulo do livro que estou lendo, (aquele em que marco com uma carta pra ti) e volto para casa, ainda sem saber se você de fato existe, ou se enlouqueci mais uma vez!

terça-feira, 14 de março de 2017

Cama vazia.


 Olho para o lado e te desejo aqui, sei que você nunca esteve em minha cama, mas não posso deixar de notar em como ela é vazia sem você aqui. Ligo a TV e coloco aquele filme que sempre me faz chorar e prometemos ver juntas, não agüento com a vontade de estar ao seu lado.  Minha guria, como eu queria você aqui, te deitar em meu peito, aninhar para ver o filme e então ver o teu sorriso enquanto eu choro, “Eu falei que eu sempre choro não falei?” e então você vai estender as mãos secar as lágrimas e sorrir “E eu falei que não tinha problema, não falei?” seus lábios vão encontrar os meus.
  Olho para a cama, tão grande sem você aqui, fecho os olhos e te imagino aqui, queria te ligar, ouvir sua voz, pedir para dormir comigo, você me atenderia, entenderia? A cama é tão grande que eu me sinto pequena, me sinto solitária, a minha guria, vem pra cá.
 Penso em ti e sinto meu coração doer, que saudade é essa. Nunca senti teu abraço, mas estou sentindo uma falta dele. Nunca senti teus beijos, mas não consigo imaginar ficar sem eles. O que ta acontecendo guria? Que canção poderosa foi essa que me faz ter saudade de coisas que nunca tive? Que canção poderosa foi essa que me faz pensar em ti todo o tempo do meu dia?
 Abro sua conversa sei que você está dormindo, amanhã você acorda cedo, eu também, mas me vejo ligando para você, minha guria você vai me atender? Desligo o celular, está tarde, mas imagino você atendendo, minha voz tremula e a sua sonolenta, “Só queria dizer que estou com saudades, dorme comigo essa noite?” o silencio não seria constrangedor, seria reconfortante.
 Ah, minha guria, como eu queria esticar o braço e te puxar para perto, podemos fingir que a cama é pequena, se aninha aqui comigo, finge que o resto da cama não existe, melhor ainda, finge que o resto do mundo não existe e fica comigo. Se aninha em meu peito. 
 Olho para o lado, a cama é grande e o filme já acabou, fecho os olhos sentindo as lágrimas, eu sei que você nunca esteve aqui, mas não posso deixar de notar como estou sozinha. 
 Então te imagino aqui, te aninho em meu peito e deixo o sono tomar conta de mim.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Texto #17 (Daquele infinito oceano que me afogo)

 No momento eu não sei, não sei o que sentir, não sei o que fazer, pensamentos obscuros passam pela minha cabeça, cicatrizes aparecem em meu corpo, em minha alma, em meu ser.
 Não sei se estou voando para a liberdade ou me jogando do penhasco.
 Não sei se estou navegando por mares desconhecidos ou me afogando nas tão temidas águas conhecidas.
 Tudo parece igual, até a dor no peito que me consome, agarra minha garganta e me sufoca, as marcas continuam iguais, finas, vermelhas, cada dia mais fundas. Tudo parece igual e não sei se estou pronta pra lidar novamente.
 Não sei se estou voando para a liberdade ou me jogando do penhasco.
 Não sei se estou navegando por mares desconhecidos ou me afogando nas tão temida águas conhecidas.
 Tudo parece igual, mas eu sei que algo está diferente, pensei que estivesse mais fria, que saberia lidar quando a hora chegasse, mas me apeguei. A hora chegou e eu preciso dizer adeus. Todos sabemos que é a minha hora. Você não percebe isso?
 Não, eu não estou voando, a quem quero enganar?
 Não, eu não estou navegando em novos mares. Quem eu penso que sou?
 Me joguei do penhasco, estou indo em direção ao mesmo oceano, as mesmas águas escuras onde tantas vezes já me afoguei, me joguei de cabeça no escuro e frio mar onde por tanto tempo fiquei presa.
 A queda quebra meus ossos a água salgada arranha minha garganta. Não tenho como fugir, já não sei mais onde está a luz, não sei para qual lado é a liberdade, não tem ar. Não respiro. Não tem ninguém que possa me salvar.
 E de fundo, escuto sua risada. Debochando de mim.
 E de fundo, escuto sua voz. E tento segui-la.
 Eu sei que eu vou continuar voltando pra você.
 Eu não aprendo. Você não é a liberdade, você é o meu penhasco. Minha queda, meu oceano. Mas eu continuo seguindo sua voz, me afundando cada vez mais.
 No momento eu não sei mais o que sentir, pensar, fazer. Os pensamentos obscuros voltaram, tenho novas cicatrizes gritando bravas com você. Meu corpo e minha alma estão machucadas e enquanto eu penso que voô, estou caindo do penhasco para aquelas águas frias onde tantas vezes já me afoguei.

 Mas eu continuo procurando sua voz, eu continuo voltando pra você, como eu sempre faço.