quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Lar.

 Eu fiz de casa o que conseguia, por um tempo minha casa foi um ponto de um ônibus, um banco na praça, uma série salva no pendrive.
Por um tempo maior minha casa se escondia nas páginas amareladas de um livro, não vou negar ainda me sinto em casa toda vez que o leio, me sinto amada e livre pra amar.
Mas tudo mudou, aquelas páginas não me abrigavam por inteiro, estava pequeno demais, e descobri que conseguia me sentir em casa, que havia encontrado meu lar, duas vezes.
A primeira foi naqueles braços que por tanto tempo eu senti saudades, com ela não preciso de nada, se entro naquele abraço eu sei que cheguei em casa. Sei que ficarei bem, mesmo que por um instante, tudo passa.
Meu segundo lar, eu encontrei sem um endereço fixo, encontrei vagando de calcinha por um apartamento emprestado, meu segundo lar eu encontrei as seis da manhã, deitada ao meu lado com pequenas conversas, meu segundo lar, se fez em você.
Se fez na rosa que guardo provisoriamente em uma lata de coca-cola na frente do sofá onde durmo, meu lar é qualquer lugar que eu sinta teu perfume em minhas roupas, ou o meu sorriso no meio da rua ao lembrar de coisas que você disse, de coisas que você fez.
Descobri que meu lar não é um teto, meu lar é um horário, um número. Meu lar é uma frase, é a curva do teu sorriso.
Fiz do meu lar, o que eu pude, mas descobri que meu lar é você!

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Texto #24 (Das Infinitas explicações que não consigo dar)

Eu gostaria de explicar o que está acontecendo, gostaria de explicar como foi que tudo chegou onde chegou, e explicar onde é esse lugar em que vim parar, mas eu não posso.
Eu não sei o que está acontecendo, onde estou e como vim parar aqui, mas sinto que te devo isso, te devo uma explicação, explicar pq todos aqueles sonhos de uma vida juntas não ser algo que eu possa fazer, não mais.
Sinto que eu te devo uma explicação, do motivo pelo qual nossos beijos não saíram, eu gostaria muito de te explicar. Mas eu não entendo.
Não entendo o que está acontecendo, uma hora éramos apenas duas gurias curtindo o tempo juntas, assistindo a séries e passeando por uma cidade, e no outro, era três horas da manhã e saudade apertava, a vontade de ficar juntas crescia e já não era algo unilateral.
Não entendo como assim tão de repente, eu não consigo me ver com outra pessoa que não ela, e não entendo como ela, assim tão de repente passou a me dizer coisas que apertam meu peito.
Eu queria explicar como tudo isso mudou, queria muito. Mas não consigo. 

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

O favorito dela.


Quero pegar em sua mão e gritar para todos.  Não quero esconder que você me faz bem, não quero esconder meu sorriso, escolher as palavras, te mencionar como amiga.
Quero pegar em sua mão atravessar a multidão, levar nas festas e te apresentar pra família, quero ouvir meus amigos sussurrando com você que nunca me viram sorrir assim, quero te dar as sensações que você nem imaginava que queria sentir.
 Três da manhã e conversas na cama; quero discutir por estar com calor enquanto você está com frio, se a luz fica acesa ou apagada, discutir que eu quero dormir e você quer ver mais um episodio, ou discutir que você vai dormir e eu quero ver mais um episodio, correr para o banheiro as onze e meia e trancar a porta enquanto você me xinga do outro lado não querendo que nada saia do seu controle.
 Mas meu amor, tudo saiu do seu controle, não vê? Tudo saiu do meu controle também. Não era para ser assim, não era para eu estar escrevendo mais um texto sobre ti, não era para você estar me querendo com você, e cá estamos nós.
 Longe de nossos controles.
 Então pegue minha mão, veja como perder o controle vai te fazer bem, perca o controle comigo.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

25 de Junho de 2017.

 Fazia tanto tempo que eu não parava pra ver as estrelas, mas naquele dia eu vi.
Tinha estrelas, conversas interrompidas, tinha o cheiro das árvores ainda com o orvalho, ou será que havia garoado? Tinha um brinquedo, daqueles em que você gira, gira, gira e gira e sai de lá tão tonta que nem lembra o porquê quis ir nele. Tinha coincidências e frases ditas, frases que já havíamos escutado sendo ditas. Frases que pensávamos quão perfeita que era para nós, porém  havia muito orgulho para alguém dizer primeiro.
E tinha uma carta, escrita à mão, às pressas em um ônibus balançando, tinha essa carta no bolso de trás da calça preta brilhando como um farol.
Uma carta, onde havia todas as coisas que eu queria dizer em voz alta, mas tinha medo das lágrimas me interromperem.
Mas acima de tudo, tinha você. Tinha suas mãos às vezes entrelaçada às minhas, às vezes me fazendo carinho. Outras vezes gesticulando brava com minhas esquivas.
Tinha você, falando sobre sentimentos que até então eu ignorava que eu tentava não acreditar serem reais.
Mas lá estávamos nós, sob um céu estrelado, um brinquedo que conforme girava mais rápido mais alta eram as risadas, uma carta brilhando como um farol em seu bolso de trás, o perfume das árvores, a brisa fresca batendo. Lá estávamos nós e tinha tantas conversas paralelas, tantas conversas interrompidas, com tantas coisas para ver, mas tudo que eu meus olhos queriam era gravar seus detalhes, guardar tudo para as noites de solidão que viriam.
Lá estávamos nós sob um céu estrelado e eu percebi que não adiantava mais mentir para mim, que não adiantava me segurar. Lá estávamos nós e eu percebi que meus sentimentos eram todos pra você, percebi que somos perfeitas uma para a outra.
E que você iria perceber isso um dia.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

O inicio do fim.



Eu achei que esse fosse ser o início do fim, quando suas mãos tão habilmente exploraram meu corpo.
 Achei que passada a madrugada você iria embora, e eu não te veria mais. Então decorei suas sardas, decorei sua voz, decorei seus gemidos (que repasso nas minhas noites solitárias desejando você aqui), decorei cada pinta de seu braço, subindo para clavícula e contornando as costas.  Decorei cada faísca de energia que corria naquela cama, suas cores. Decorei coisas que nem mesmo conseguia ver. Decorei cada sentimento. Cada frase dita. Cada semelhança. Tuas risadas. Minhas risadas.
 Eu achei que seria o início do fim. Quando o dia clareou e eu te vi ir para casa, pensei estar dando adeus. Pensei  que não fosse nunca mais te ver.
 Mas outra madrugada chegou, em meio a teus amigos você me chamou. Outra madrugada em que você dizia que me queria, dava desculpas pra ouvir minha voz gemendo por ti.
Mas outra madrugada chegou; três da manhã e você parada na porta da minha casa se fazendo em casa. Você brincava dizia que éramos casadas e meu coração tremia com o medo dessa frase. Tremia com a vontade.
Eu achei que fosse o início do fim, quando a madrugada então virou dia, mas você ficou.
Esse é apenas mais um começo.

domingo, 30 de julho de 2017

Texto #23 (Das Infinitas vezes em que quis te chamar)

Quantas vezes quis te chamar, te ligar na madrugada, ouvir sua voz ao acordar.
Quantas vezes vi uma imagem que dizia em outras palavras aquilo que eu queria te dizer, quantas vezes engoli a vontade de te dizer com minhas palavras o quanto eu quero você.
Quantas, quantas inúmeras vezes quis colocar as roupas na mala ir para a estrada e pedir carona até chegar a você.
Quantas vezes saí sem rumo, pra descobrir que era em teu prédio que queria me encontrar.
Mas eu não posso.
Não devo.
Porém não nego.
Quantas vezes…
Quantas vezes fui interrompida por essa pequena voz, essa pequena voz me dizendo pra te deixar ir, não te fazer sofrer. Que coisa mais horrível, a voz diz que eu estou brincando com você. Mas não, eu não quero te fazer sofrer. Nunca mais.
Então eu cedo.
Então abaixo a cabeça, e me forço a esquecer dessa vontade, me esforço a esquecer das nossas risadas, dos nossos planos, do meu coração batendo e das lágrimas caindo. Da carta em meu livro, do chaveiro em minha bolsa.
Então eu respiro fundo e finjo que isso não está acontecendo.
Mas quantas vezes eu quis te ligar, ouvir sua voz ao acordar, e quantas vezes mais, vou engolir a vontade, fingir que ela não existe?
Quantas vezes mais irei ler aquela carta, esconder as lágrimas até dormir.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Hoje.

 Hoje eu me perguntei sobre você, como você está e o que estaria fazendo, mas principalmente se um dia eu voltaria a me sentir normal perto de ti, sem aquele ataque de nervoso que me dá, sem a vontade de desligar tudo e ir para debaixo das cobertas com o desespero no peito que me bate.
 Hoje eu me perguntei de você, abri sua conversa tantas vezes que perdi as contas, lembrei de conversas que tivemos, pensei nos nossos sonhos, aqueles que eu mesma trai, lembrei daquela primeira música e como ela diz tanto agora, pode ouvi-la mais uma vez? 
 Hoje me perguntei se eu poderia te chamar e mandar um oi, talvez te ligar, mas apenas deitei na cama e dormi como se não tivesse tantas coisas para fazer, hoje eu quis tanto voltar ao normal, hoje eu senti tanta saudade que esmagou meu peito e eu só pude dormir.
 Pensei nos nossos sonhos, em como queríamos nos ver, em como iríamos nos beijar ali no aeroporto, em todos os lugares que iríamos, nas nossas series... Tento não pensar mais, tento não pensar em você me odiando, tento não pensar em você dizendo as coisas ruins sobre mim para sua gata, mas você aparece em meus sonhos, questiona os motivos e eu não sei dizer ou explicar, apenas sento no chão pedindo desculpas enquanto as lágrimas caem de meus olhos me afogando um pouco mais.
 Hoje eu me perguntei o que vai ser daqui para frente, como ficam as nossas series, como ficam nossos planos, nossas vidas. Me pergunto se você ainda pensa em mim. E enquanto escrevo me pergunto se eu deveria lhe mandar.
 Hoje eu me perguntei de você, como você está e o que estaria fazendo, me perguntei como seria daqui para frente, o que faríamos com a nossa serie e sonhos pela metade, escutei aquela primeira música e deixei-me chorar antes de dormir, me perguntei se ainda pensa em mim...

terça-feira, 4 de julho de 2017

Texto #22 (Do medo infinito de te perder.)

 Abri tantas vezes essa folha em branco, escrevi mil começos e apaguei mil e um, ouvi e reli suas mensagens, aquela em que você confessava seu medo, sorri tanto que não sabia mais ser possível, senti meu coração pulsar em um ritmo que não conseguia lembrar e por tantas vezes fechei os olhos e te imaginei aqui para beijar teus lábios, teu rosto e teu ser.
 Escutei aquela música e chorei em silêncio, chorei com medo de te perder agora que consegui te achar, chorei com vontade de acordar ao seu lado. Chorei com medo.
 Estou em casa e sinto como se meu verão tivesse acabado, estou em casa e tudo voltou ao normal, voltamos a ser duas desconhecidas que compartilharam algumas tardes, você foi o meu raio de sol iluminando meu dias, meu romance de veraneio no meio do inverno e agora tenho medo de congelar sem meu pequeno raio de sol.
 Preciso dizer que tenho medo de aparecer outra para tomar meu lugar, que agora que estou em casa você irá me esquecer enquanto me lembro de ti tantas vezes ao dia, enquanto me lembro de ti em meus sonhos, ao acordar e no banho. Tenho medo de você me esquecer enquanto eu não paro de pensar em ti, enquanto releio suas mensagens, enquanto sorrio dos seus áudios salvos em meu celular, enquanto eu passo o dia querendo voltar para casa e te encontrar em minha cama.
  Preciso confessar que sinto mais saudades do que deveria, que meu coração derrete quando você me diz que pensou em mim e que sente saudades. Preciso confessar que tenho vontade de pegar o primeiro ônibus e descer na sua casa só para lhe dar mais um beijo, só para dizer que estava pensando em ti.
 Escrevi mil e um começos, mas não consigo escrever um fim.
 Não quero escrever um fim.
 Nossa história ainda não acabou...

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Maybe Someday.

 Sua silhueta ainda está marcada no escuro da parede desse meu quarto improvisado, o teu shampoo ainda está em meu travesseiro emprestado e o teu perfume em minha roupa.
 Minhas mãos ainda sentem a energia das tuas, pulsando entre meus dedos, e meu estômago ainda se revira e me impede de dormir a noite.
Minhas olheiras estão profundas das noites em que tento dormir e a tua voz ecoa em minha mente, dizendo tudo aquilo que tinha medo de ouvir, dizendo tudo aquilo que não queria que me dissesse, dizendo tudo aquilo que secretamente tenho desejado.
Teus olhos ainda me vigiam na madrugada, teus cílios ainda me enlaçam tão sedutores.
Se eu pudesse, eu ficava.
Talvez um dia amor.
Consegue.me.ouvir? Estou te chamando, estou me permitindo, não tem mais o que fazer, é o risco que tenho que correr.
 Consegue.me.ouvir? Tua silhueta na minha parede, teus cílios, tua voz, tudo me chama pra ti, e eu não consigo mais resistir.
 E cá estou eu, esperando pra te encontrar, me jogar em teus braços e dizer que não estou pronta, mas amor, sou sua. 
 Quero tua silhueta na minha cama, e a minha na tua. Quero teus olhos nos meus. Quero tuas palavras e tuas músicas dedicadas. 
Amor eu não estou pronta, mas talvez um dia, isso é suficiente para ti?

domingo, 28 de maio de 2017

Texto #21 (Aquela infinitas memórias que ainda vão vir)

 Meu coração está acelerado, meus olhos fechados, sinto a ponta dos teus dedos traçando o caminho na minha cintura, descendo minha coxa e subindo até o ombro.
Escuto tua voz, sussurrado em meu ouvido e escuto a minha fraca, quase um gemido. “Você não sabe o quanto esperei por esse dia” duas vozes, a mesma frase. Uma risada envergonhada.
Meu corpo arqueia, teu corpo arqueia. O coração acelerado, batendo em um ritmo até agora desconhecido. Meu corpo arqueia com o toque de sua pele, de seus lábios, com a sua respiração entrecortada na minha ofegante.
Consigo sentir meu coração batendo em todo meu corpo, me sinto fria todos meus sentidos concentrado em seu toque, todo meu calor vindo de ti, minha vista embaça, teus sussurros cada vez mais distante, minhas pernas fraquejam e sei que tive saudades desse momento mesmo antes de acontecer.
Abro os olhos e encontros os teus, com aquele brilho, aquela chama. Te puxo pra perto e me escondo na curva de teu seio, meu rosto queimando, escuto teu coração, rápido como o meu, desco as mãos na tua pele macia, tua cintura pequena, e suas coxas.
Seu corpo arqueia, meu corpo arqueia.
Minha respiração falha, tua voz um gemido, minha voz um sussurro. Está chovendo lá fora e não precisamos sair da cama, ao menos é o que a convenço. “Você não faz ideia do quanto esperei por isso” duas vozes, uma frases, você deita em meu peito, o peso do lenço em nossos corpos nus.
Fecho os olhos. Não precisamos sair.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Deixa eu te decorar.


Ah eu sei que você está aqui dentro em algum lugar, não é como se você tivesse ido para algum lugar, ainda escuto tua voz e tua risada, ainda vejo teu sorriso todos os dias, mas guria como posso escrever sobre ti se não lembro teus detalhes?
Como posso dizer dos teus beijos se faz tempo que não os sinto? Se não lembro do gosto e textura de teus lábios? Como posso escrever da tua pele se a tanto não a sinto na minha, ou sobre teu perfume quando apenas sinto o meu?
Como escrever de ti se tudo que sinto é a saudade sufocando meu peito, como se você fosse o ar e eu estivesse de baixo do mar?
Claro que eu me lembro da forma que me senti ao te ver ali parada esperando por mim, e da forma como minha pele se arrepiava ao teu toque escondido, levantando a barra do meu vestido, lembro da tua expressão naquele quarto ao ficarmos sozinhas, lembro de não querer que que o dia acabasse, de querer parar o tempo e ter você naquele quarto por mais tempo.
Mas guria, eu preciso de mais, preciso dos teus detalhes, preciso de mais de ti, guria preciso sentir tuas mãos em meu corpo, teus beijos em minha alma, teu perfume em minhas roupas, preciso decorar mais que teus cílios.
Deixa eu correr minhas mãos por ti, deixa eu matar a saudade que está matando, me deixa deitar do teu lado e te decorar de todas as formas, em todos os detalhes, deixa eu ouvir tua voz sussurrada ao pé do ouvido, deixa eu beijar teus lábios. Teu corpo. Mais uma vez só.  Vem cá e passa mais um dia comigo antes de virarmos pó. Deixa eu te decorar para as noites solitárias.

domingo, 23 de abril de 2017

Sábado, três da manhã.

 Tantas vezes sonhei com sua voz dizendo às palavras que eu queria ouvir, mas nunca pensei que esse dia chegaria que dançaríamos no meio da rua às três da manhã com uma música tocando em carro do outro lado da rua.
 Nunca pensei que você me pegaria em seus braços, que me impediria de entrar só para ficar ali mais um pouco, só mais um pouco, ou que você diria que queria se deitar comigo, assim, sem mais.
 De todas as vezes que sonhei, nenhuma me pareceu tão natural quanto aquele sábado às três da manhã.
 Suas mãos em meu rosto, forçando-me a olhar em seus olhos confusos e um sorriso bobo em seus lábios, sua voz que em meus sonhos sempre foi tão fraca e falha, estava forte ao dizer aquelas cinco palavras, “eu gosto muito de você”, a noite ficou mais fria, tantas vezes sonhando com aquele momento para a frase soar confusa e desconexa em meus ouvidos, tão errada que me fez ter vontade de correr.
 Agora mal consigo olhar em teus olhos.
 Agora mal consigo pensar naquela madrugada.
 Tantas vezes sonhei com esse dia, com as borboletas em meu estomago e com o sorriso em meus lábios, mas hoje parece tudo tão destorcido que meu coração apenas dói. Dói com a realidade. Dói. Apenas dói.
  Aquele sábado às três da manhã onde meus sonhos tornaram-se essa realidade confusa e errada, onde dançamos ao som do carro estacionado do outro lado da rua, onde nossas risadas eram nossas e você pedia para eu ficar mais um segundo, só mais um segundo, quando em uma brincadeira falei “Pode dizer que me ama, eu já sei” você me respondeu “É, amo mesmo, fazer o que?”.
 Aquele sábado às três da manhã onde tudo mudou de uma forma completamente errada.


terça-feira, 11 de abril de 2017

Guria, vou me casar com você.


Guria, eu vou me casar com você.
 Não vou te prometer que vai ser fácil, vai ter momentos em que você vai se sentir frustrada e não vai saber o que fazer, vai ligar para suas amigas, para as minhas amigas e se perguntar por que ainda esta tentando, mas elas te lembraram de todos os momentos bons.  Não vai ser fácil e teremos que vencer desafios demais, mas guria eu vou me casar com você, você vai ver.
 Vamos ter nosso apartamento e de inicio vai ser pequeno, não teremos um quarto então faremos da sala nosso canto de amor, mas guria, as coisas vão melhorar. Vamos ter nossa casa, penduraremos nossas fotos, sei que ainda não temos nenhuma, mas guria teremos um álbum cheio. Teremos um quarto de hospede para os amigos passarem a noite quando ficar tarde para irem embora, ou bêbados demais.
 E quando as coisas ficarem difíceis demais para mim, você vai me abraçar e dizer que não vai a lugar algum, porque guria, quando as coisas ficarem difíceis para você, vai ser exatamente a mesma coisa que farei. E vou te aninhar em meus braços até você dormir, e te acordar com panquecas e aquele cheirinho de café que vai se espalhar pela casa.
 Não, não vai ser fácil e várias pessoas não vão entender, mas guria, eu vou me casar com você! E quando as coisas ficarem difíceis para nós iremos para ao ar livre, seja no nosso quintal ou simplesmente para a rua, mas eu irei te abraçar e iremos procurar a única constelação que eu conheço, irei te falar tudo que eu sei sobre ela, mesmo que você já tenha escutado (mesmo que tudo o que eu sei vem do filme MIB) e você vai sorrir e pedir pra contar mais uma vez, e não importa quantas vezes eu te conte você ainda vai sorrir como da primeira vez.
Ah guria, eu vou te pedir em casamento no momento que eu descer daquele avião, vamos correr uma para a outra e todo mundo vai olhar quando você pular em meus braços, não ligaremos para ninguém ao redor e eu me ajoelharei e irei te pedir em casamento, então todos irão aplaudir. Você vai ver.
 Escuta o que estou te falando guria, eu vou me casar com você, nossas famílias reunidas, nossos amigos com o discurso “E tudo por conta de uma série” e a gente vai rir, e ficaremos bêbadas no final da festa, mas você vai estar linda com seu vestido, e você vai dizer que eu estou linda no meu.
 Não, não vou te prometer que vai ser fácil porque não vai, viveremos de ponte aérea por tanto tempo que já não iremos mais saber se passamos mais tempo juntas ou em um avião, mas vai valer à pena.
 Ah minha guria, você vai ter meu nome e eu terei o seu, e então iremos ter nossa casa, nossos gatos, iremos brigar pelas coisas mais estúpidas e faremos as pazes no chuveiro, ou no chão da sala. Você sabe que eu não vai ser fácil, mas...
 Eu vou me casar com você, guria.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Naquela dança.

 Em seus braços eu percebi como minha vida mudaria, eu senti meu coração bater rapidamente, conseguia senti-lo nas pontas de meus dedos enquanto eles estavam entrelaçados nos seus.
 Suas mãos estavam tímidas em mim, enquanto as minhas desajeitadas suavam, eu sei que o lugar estava cheio com várias outras pessoas e a música abafava nossa voz, mas tudo o que eu ouvia era meu coração e o bater das asas daquela borboleta, causando um tufão em meu futuro.
 Foi só uma dança. Uma dança e todo meu futuro mudado.
 Não havia malicia nas risadas, não havia segundas intenções, a risada durou a noite toda e seu calor percorreu meu corpo pela madrugada.
 Foi só uma dança. Uma dança e todo meu futuro mudado.
 Me senti livre pela primeira vez, como se nada pudesse me afetar, senti que eu estava flutuando, senti como se eu tivesse acordado. E durante aquela noite não me preocupei nem com a sapatilha apertando meus pés, apenas deixei meu corpo guiar o teu, ambos desajeitados, pelo salão de dança.
 Foi só uma dança. Uma dança e todo meu futuro mudado.
 Só uma dança.
 Mas ainda consigo ouvir tua risada, ainda consigo ouvir sua voz contando os passos, comemorando o maior tempo sem que nenhuma pisava no pé da outra.
 Foi só uma dança. Uma dança e todo meu futuro mudado.
 Só uma dança e nada mais. Só uma dança, sem malicia ou segundas intenções.               
 Mas sempre me lembrarei de como meu corpo tremia, de como meu coração batia e de como eu me sentia nas nuvens.
 Foi só uma dança, mas que em seus braços eu percebi como minha vida mudaria. E mudaria para sempre.

domingo, 26 de março de 2017

Texto #20 (Das infinitas lembranças,ou dos infinitos sonhos.)

 Eu me lembro do teu beijo, como uma música tocando em repeat na minha mente.
 Eu me lembro das tuas mãos em mim, me lembro de tudo com tamanha perfeição que já não sei mais se o que eu me lembro foi real ou apenas um daqueles meus sonhos que fazem meu coração acelerar.
 Eu me lembro, me lembro das pernas bambas, me lembro do sangue congelar e me lembro de sentir o mundo girar. Ah, eu me lembro com tanta perfeição. Me lembro do meu corpo de encontro ao seu, e das faíscas que subiram.
 E me lembro de te ver de longe, e saber que ali é onde eu deveria estar.
 Mas, eu me lembro de gritos na escada, lembro de portas batendo e lembro do gosto amargo das lágrimas, prometemos que aquilo não iria nos afetar, mas lembro de dormir em outro lugar que não ao seu lado. Lembro da sensação do coração partido, e do gosto da vodka pela manhã. Ah, eu me lembro bem.
 Lembro do telefone que não tocava e da mensagem que eu não conseguia enviar, prometemos que jamais iríamos brigar. Você conseguiu dormir ou, assim como eu, deitou na cama e lembrou daquele nosso primeiro dia.
 Você conseguiu dormir, ou assim como eu, deitou na cama e lembrou das inúmeras vezes em que minhas mãos te fizeram carinho até dormir, ou daquela vez em que rimos até que as lágrimas caíssem de nossos olhos. Ou talvez da vez em que prometemos não nos ferir.
 Eu lembro.
 Eu lembro do teu beijo, das inúmeras músicas que cantamos, lembro da sua voz sussurrando que me ama no meio da madrugada. Eu lembro da sensação dos teus braços e de como eu soube desde a primeira vez que ali era o meu lugar.
 Subo correndo, não tem mais gritaria nas escadas, não tem mais porta batendo. Não tem mais lágrimas amargas nem gosto de vodka. Abro a porta e grito seu nome, ah eu me lembro do coração batendo tão rápido, do mundo girando e do sangue gelando. Corro para o quarto, meus olhos embaçam e lá está você.
 Lembro de te pegar em meus braços, lembro de te beijar, lembro da maciez de sua pele em contato com a minha, das lágrimas descendo e da sua voz dizendo que me ama.
 “Eu te amo, eu me lembro de te amar desde o primeiro dia”.
 Lembro de deitarmos na cama e prometermos que não acontecerá de novo.
 Mas, me lembro de tudo com tamanha perfeição que já não sei mais se o que eu me lembro foi real ou apenas um daqueles meus sonhos que fazem meu coração acelerar, e assim sem saber se foi real eu me lembro de tudo.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Merda como é difícil.

 Eu só queria que você entendesse que para mim é difícil.
 É difícil te olhar, te tocar, te ter em meus braços sem me apaixonar, sem aquela vozinha dizendo que você não vai me amar da forma como eu sempre quis. É difícil te ter as escuras, sem saber o que pode ser dito, o que pode ser feito, é difícil não te dizer o quanto eu te desejo, o quanto meu corpo te deseja, o quanto meu coração te ama.
 Merda,é muito difícil.
 Eu queria que você soubesse o quanto é difícil viver sob minha pele. Sempre com medo dos toques, mas ansiando por eles, ouvindo palavras de amor sem nunca conseguir acreditar, reprimir a felicidade com receio da caída. Como é difícil, viver a beira de um abismo, brincando com o equilíbrio a todo o momento.
 Eu queria que você entendesse como é viver sob minha pele, mas não quero que você veja como é escuro e solitário aqui dentro, como todos os pensamentos bons estão sempre apanhando e sendo trancados no fundo de um baú. Eu queria que você entendesse como é viver se privando de todo e qualquer sentimento, como é viver sem emoções. Você briga comigo, eu sei que quer meu bem, mas se você soubesse quanto dói do lado de dentro, não brigaria pela dor do lado de fora.
 Eu só queria que entendesse, que as vezes eu só queria sentir, me sentir viva, sentir uma dor que não a constante dor dentro de mim, que eu só preciso sentir alguma coisa, qualquer coisa.
 Merda,é difícil e espero que você nunca de fato entenda, mas como eu queria, queria mesmo que você entendesse. Me sinto sozinha nesse escuro, e não consigo ver nenhuma luz, já não sei mais por onde entrei, não vejo uma saída, apenas sento e choro. Apenas sento e espero.
 Eu só queria que você entendesse que para mim é difícil.

 Merda como é difícil.

domingo, 19 de março de 2017

You're my person.


Queria apagar essa sua tristeza, te colocar entre meus braços e não soltar, talvez te colocar em um vidrinho para que ninguém esbarre em ti e te quebre. Garota me entregue seu coração eu cuidarei bem dele, cuidarei como ninguém o fez, te devolvo quando achar alguém digno dele, mas até lá, deixa ele comigo. Tá?
 Querida, nem a chuva vai me impedir de lhe fazer feliz, ou tentar. Nem mesmo a distância, largo tudo para poder te ver sorrir, te arrancar uma risada, ouvir tua voz sussurrada. Se eu pudesse fazia parar de doer, preenchia o teu vazio. Ah se eu pudesse, não deixaria que isso acontecesse de novo.
 Garota me entregue seu coração eu cuidarei bem dele, cuidarei como ninguém o fez, te devolvo quando achar alguém digno dele, mas até lá, deixa ele comigo. Tá? Prometo que vou te achar alguém digno, mas enquanto isso vou guardar seu coração protegido junto ao meu, ninguém vai esbarrar e quebrar, colocarei uma muralha ao redor dele, mas não de ti. Por favor, não construa muralhas.
 Quando a dor bater, venha, coloco um filme, mais um episodio, te faço uma daquelas danças sexys que só você conhece, preparo um chocolate quente e compro a essência de menta, a gente faz cookie, a gente se distrai. Mas não cultivamos a dor. Nem eu nem você garota. Se chover eu puxo o cobertor, se fizer sol a gente vai andar. 
 Quando a dor bater, me chama, a gente anda, a gente conversa, eu te faço companhia sentada no canto lendo meu livro enquanto você termina aquele trabalho da faculdade.
 Mas meu amor, pode ter certeza, não vou deixar que você caia, essa é minha promessa. Prometo que vou cuidar bem de ti se você prometer não construir uma muralha em ti. Ah minha garota, não construa essas muralhas!
 Me permita.
 Se permita.
 Não hesita. 

quinta-feira, 16 de março de 2017

Texto #19 (Do infinito que você não tocou, mas arruinou)

Meu corpo está gasto, marcado, arranhado. Não quero as marcas constantes das dores me lembrando que ainda dói. Não quero as cicatrizes me dando bom dia ao acordar. Simplesmente não quero mais esse corpo.
 Minhas células são novas, você não tocou nessas que criei, mas minha mente! Essa continua pegajosa, me sufocando com suas mãos nojentas e suadas. Esse meu corpo você não tocou, mas minha mente continua sentindo suas mãos, seu hálito, seu peso contra mim. E então a dor me abraça, e eu posso sentir minha pele se abrir, consigo ouvir, ainda que baixo, o som da minha pele cedendo a fria lamina em minhas mãos.
  Eu estou presa nesse corpo, um corpo que sem tocar, você destruiu um corpo que sem tocar, você amaldiçoou.  E eu sinto suas mãos, em minha garganta sufocando-me enquanto eu tento alcançar por ar, mas talvez seja melhor assim.
 Fecho os olhos e me rendo, você não está aqui, mas o peso de seu corpo contra o meu está, você não está aqui, mas suas mãos suadas me asfixiam, você não está aqui, mas você está me matando, e eu apenas me deixo levar...

 Apenas me deixo levar, sinto o sangue escorrer. Apenas sorrio. Agora tudo vai ficar bem. Apenas me deixo levar. 

quarta-feira, 15 de março de 2017

Texto #18 (Daquele infinito de vezes em que enlouqueci)

 Eu enlouqueci algumas vezes, vivo a beira dá realidade e dá irrealidade e por várias vezes me perguntei em qual das duas você morava.
 Fazem sete anos que me pergunto se você é real, se o que tivemos foi real, ou foi meu consciente me dando algo para me prender. Me diz você é real ou apenas uma ilusão do meu coração?
 Me lembro perfeitamente de ti, dá sua essência, mas não me lembro tão bem de seu rosto, dá sua voz, isso significa que você não era real? Pergunto para as pessoas sobre você, em busca de uma ponta qualquer de que você existe! 
 Você existe! Você existe! Droga você é tão real quanto eu, mas porque não consigo me lembrar de ti?
 Você existe! Tenho provas que existe, não tem motivo para as pessoas mentirem sobre você. Você existe!
 Enlouqueci tantas vezes desde que te deixei, mas ainda me lembro do teu rosto amargurado, sofrido, doído ao ver minhas costas enquanto eu ia embora. Enlouqueci tantas vezes desde aquele dia, que já me confundo, eu corri para te abraçar? Eu voltei e disse que te queria, ou apenas desci as escadas e fui chorar sentada na areia dá praia?
 Enlouqueci tantas vezes desde aquele dia que te deixei, mas ainda me lembro do teu rosto amargurado, não, eu não me lembro dos detalhes, se você tinha sardas ou a cor de seus olhos, mas me lembro do sentimento que você tentava não demonstrar, ah meu querido, não adianta tentar esconder, eu sei que você me queria tanto quanto eu queria você. Ou será que essa já é a parte dá irrealidade? Ah droga. Acho que enlouqueci de novo.
 Ainda espero te encontrar, ando olhando para os lado, desejando esbarrar em ti, não sei como você está. Me disseram que mudou, será que vou te reconhecer? Será que vai me reconhecer, eu também mudei. Será que nossos corações vão se reconhecer?
 Ainda espero te encontrar, sento no shopping e observo esperando você me encontrar. Me encontra, por favor, me encontra.
 Me diz que eu não enlouqueci, me diz que você é real, que o que tivemos foi real, me diz que essa parte dá minha vida aconteceu, mas por favor não diz que eu enlouqueci. Você é a única parte sã dá minha loucura.
 Fecho os olhos e espero te encontrar ao abrir, mas apenas termino meu café, o capítulo do livro que estou lendo, (aquele em que marco com uma carta pra ti) e volto para casa, ainda sem saber se você de fato existe, ou se enlouqueci mais uma vez!

terça-feira, 14 de março de 2017

Cama vazia.


 Olho para o lado e te desejo aqui, sei que você nunca esteve em minha cama, mas não posso deixar de notar em como ela é vazia sem você aqui. Ligo a TV e coloco aquele filme que sempre me faz chorar e prometemos ver juntas, não agüento com a vontade de estar ao seu lado.  Minha guria, como eu queria você aqui, te deitar em meu peito, aninhar para ver o filme e então ver o teu sorriso enquanto eu choro, “Eu falei que eu sempre choro não falei?” e então você vai estender as mãos secar as lágrimas e sorrir “E eu falei que não tinha problema, não falei?” seus lábios vão encontrar os meus.
  Olho para a cama, tão grande sem você aqui, fecho os olhos e te imagino aqui, queria te ligar, ouvir sua voz, pedir para dormir comigo, você me atenderia, entenderia? A cama é tão grande que eu me sinto pequena, me sinto solitária, a minha guria, vem pra cá.
 Penso em ti e sinto meu coração doer, que saudade é essa. Nunca senti teu abraço, mas estou sentindo uma falta dele. Nunca senti teus beijos, mas não consigo imaginar ficar sem eles. O que ta acontecendo guria? Que canção poderosa foi essa que me faz ter saudade de coisas que nunca tive? Que canção poderosa foi essa que me faz pensar em ti todo o tempo do meu dia?
 Abro sua conversa sei que você está dormindo, amanhã você acorda cedo, eu também, mas me vejo ligando para você, minha guria você vai me atender? Desligo o celular, está tarde, mas imagino você atendendo, minha voz tremula e a sua sonolenta, “Só queria dizer que estou com saudades, dorme comigo essa noite?” o silencio não seria constrangedor, seria reconfortante.
 Ah, minha guria, como eu queria esticar o braço e te puxar para perto, podemos fingir que a cama é pequena, se aninha aqui comigo, finge que o resto da cama não existe, melhor ainda, finge que o resto do mundo não existe e fica comigo. Se aninha em meu peito. 
 Olho para o lado, a cama é grande e o filme já acabou, fecho os olhos sentindo as lágrimas, eu sei que você nunca esteve aqui, mas não posso deixar de notar como estou sozinha. 
 Então te imagino aqui, te aninho em meu peito e deixo o sono tomar conta de mim.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Texto #17 (Daquele infinito oceano que me afogo)

 No momento eu não sei, não sei o que sentir, não sei o que fazer, pensamentos obscuros passam pela minha cabeça, cicatrizes aparecem em meu corpo, em minha alma, em meu ser.
 Não sei se estou voando para a liberdade ou me jogando do penhasco.
 Não sei se estou navegando por mares desconhecidos ou me afogando nas tão temidas águas conhecidas.
 Tudo parece igual, até a dor no peito que me consome, agarra minha garganta e me sufoca, as marcas continuam iguais, finas, vermelhas, cada dia mais fundas. Tudo parece igual e não sei se estou pronta pra lidar novamente.
 Não sei se estou voando para a liberdade ou me jogando do penhasco.
 Não sei se estou navegando por mares desconhecidos ou me afogando nas tão temida águas conhecidas.
 Tudo parece igual, mas eu sei que algo está diferente, pensei que estivesse mais fria, que saberia lidar quando a hora chegasse, mas me apeguei. A hora chegou e eu preciso dizer adeus. Todos sabemos que é a minha hora. Você não percebe isso?
 Não, eu não estou voando, a quem quero enganar?
 Não, eu não estou navegando em novos mares. Quem eu penso que sou?
 Me joguei do penhasco, estou indo em direção ao mesmo oceano, as mesmas águas escuras onde tantas vezes já me afoguei, me joguei de cabeça no escuro e frio mar onde por tanto tempo fiquei presa.
 A queda quebra meus ossos a água salgada arranha minha garganta. Não tenho como fugir, já não sei mais onde está a luz, não sei para qual lado é a liberdade, não tem ar. Não respiro. Não tem ninguém que possa me salvar.
 E de fundo, escuto sua risada. Debochando de mim.
 E de fundo, escuto sua voz. E tento segui-la.
 Eu sei que eu vou continuar voltando pra você.
 Eu não aprendo. Você não é a liberdade, você é o meu penhasco. Minha queda, meu oceano. Mas eu continuo seguindo sua voz, me afundando cada vez mais.
 No momento eu não sei mais o que sentir, pensar, fazer. Os pensamentos obscuros voltaram, tenho novas cicatrizes gritando bravas com você. Meu corpo e minha alma estão machucadas e enquanto eu penso que voô, estou caindo do penhasco para aquelas águas frias onde tantas vezes já me afoguei.

 Mas eu continuo procurando sua voz, eu continuo voltando pra você, como eu sempre faço.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Texto #16 (Do sinal pro infinito.)

 Parece irreal,ainda soa irreal, mas guria, minhas malas estão prontas. Estou esperando o teu sinal, guria, estou apenas esperando o teu sinal.
 Minhas malas estão prontas, já me despedi de meus amigos,já disse que os amo e que volto pra visita-los, meus pais ainda não entendem porque tenho que ir, mas sabem que preciso.
 E guria, estou esperando teu sinal.
 Me despedi do mar, e dá cidade que por anos foi meu lar, mas já coloquei as roupas na mala, e já deixei-a na porta, guria, já dei adeus aos antigos amores, já guardei o cheiro de maresia na memória e estou partindo. Guria você é meu novo lar.
 E estou apenas esperando teu sinal.
 Hey guria, seria mais fácil se eu dissesse que já sonhei com nossa família? Que já contei pra todos que tenho sonhado com você?
 Estou esperando teu sinal.
 Hey, guria, ninguém entende, mas eu estou pronta, saiba que eu estou aqui, pronta para te segurar.  Meus amigos não entendem, mas estou pronta guria, estou pronta pra ti.
 Já me despedi até do padeiro, já disse que estou pronta, que estou aguardando o teu sinal guria, ele riu sem entender.
 Estou apenas esperando teu sinal.
 Meus pais não entendem, “como pode sair de casa pra uma aventura desconhecida?” Mas guria, você é minha aventura.
 Parece irreal, mas já consigo te ver esperando por mim no aeroporto, sentir teus braços em mim, já posso ouvir tua risada, já consigo sentir teu beijo, teu calor.
 E guria, minhas malas estão prontas, já me despedi de casa, as malas estão na porta, estou esperando teu sinal.
 Falta apenas teu sinal, e guria, pego o primeiro voô pra ti.
 Me dê teu sinal.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Minha sereia.


Por dias, quero escrever pra você, te eternizar nas minhas palavras, mas essas permanecem confusas, e se recusam a sair, pulam de um lado para o outro, riem dá minha cara, e escapam pelos meus dedos quando a força, tento pega-las, são como água do mar. Rebeldes. Profundas.
 Não é como se eu não tivesse nada pra lhe dizer, ah querida ao contrário disso, tenho tanto, tanto pra lhe dizer que elas se confundem, se chocam, me chocam. Não quero o clichê, não quero o raso. Quero mergulhar de cabeça, me jogar no fundo do mar agitado e encontrar as palavras certas pra ti.
 Quero mergulhar de cabeça, e quando voltar, deitar-me ao seu lado, te deixar em meus braços, sentir teu shampoo, beijar tua cabeça, fazer carinho em teus longos cabelos vermelhos, te chamar de minha sereia. Quero ser sereia com você. Quero ser maruja, e me apaixonar por você enquanto penteia teus longos cabelos.
 Quero mergulhar de cabeça, esquecer a distância, lutar contra as diferenças, te conhecer e deixar você me conhecer.
 Ah, minha querida, gostaria de poder me livrar dessa dor, me dói tanto não poder estar com você, não poder te pegar no colo, ver um filme ao teu lado, andar de mãos dadas com você.
 Ah, minha querida, como gostaria de explicar o que sinto, mas nem eu mesma sei o que está acontecendo. Quero que entenda, minha querida, que o problema está em mim. Quero que entenda que estou te protegendo de mim, mesmo querendo mergulhar em ti e te deixar mergulhar em mim. Não sou uma boa pessoa, não estou em meu melhor momento. Tenho medo do meu navio naufragar, das ondas me levarem pra escuridão, tenho medo de não poder te ver á luz dá lua, penteando os cabelos e cantando seu canto de sereia.
 Estou com medo de me afogar, estou com medo do frio. E estou com medo de você me encontrar assim.
 Ah minha querida, queria tanto, andar de mãos dadas, te deitar na cama, beijar-lhe teu cabelo, teu rosto, teus lábios. Beijar-lhe cada centímetro de seu ser.
 Ah minha querida, minha sereia, quero tanto, dormir em teus braços, te fazer carinho antes de dormimos, te abraçar sem motivos. Ah minha querida, quero tanto te encontrar.
 Quero tanto te ter.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Texto #15 (Do novo infinito de memórias)


Enquanto caminho na rua penso em teus beijos, um frio na barriga me faz tremer e eu sorrio. Olho para os lados, parece que ninguém percebeu, parece que ninguém vê o que se passa em minha mente.
 Estou perto de casa agora, falta tão pouco. Seguro os pensamentos, não é seguro com tanta gente ao redor, nunca é. O frio ganha proporções tão grandes, que começo a me arrepiar. Falta pouco, já consigo ver o portão de casa.
 Pego as chaves, abro o portão, a porta, dou oi para minha mãe, as gatas e a cachorra, jogo a bolsa no chão do quarto. O sapato vai cada um para um canto, e me jogo na cama.
 Estou livre. Meus pensamentos então podem circular. Estremeço, pois sei onde eles estão indo. Meu corpo esquenta, fecho meus olhos e me deixo levar.
 Estou em uma cama, não é a minha e não estou mais sozinha, você está ao meu lado, suas mãos percorrem meu corpo, sobem ao meu pescoço me puxando pra perto, seus olhos, com cílios tão grandes escuros e emaranhados, me olham com um leve brilho, um leve tremor, antes de se fecharem.
 Sinto teus lábios, queria que você estivesse aqui comigo, sinto tuas mãos, queria que você estivesse aqui comigo, sinto teu corpo pressionado ao meu.
 Estou suando, pingando um suor frio, mas meu corpo queima como se estivesse em chamas. Eu estou em chamas. Consigo sentir teu calor, você também está em chamas. O quarto esquenta. Não consigo recordar o que a televisão está passando, sei apenas que ela está ligada.
 Tanto na lembrança, quanto em meu quarto, minhas roupas se vão, suas mãos passeiam pelo meu corpo enquanto levanta minha blusa, teus lábios percorrem minha pele deixando-a arrepiada e eletrizante, e então suas mãos descem, meu shorts agora se encontra em algum lugar pelo quarto, você sorri, e eu te puxo, beijando teus lábios, teu pescoço, tirando tua blusa.
 Sua pele consegue ser mais clara que a minha quase translúcida, linda, tão linda. Meus lábios percorrem a curvatura de seu pescoço, e vejo-o ficar vermelho ao meu toque, estamos em chamas.
 Meu corpo esquenta ao teu toque, aos teus lábios, me curvo pra ti, nunca me senti assim, sinto como se tivesse uma banda em meu estômago, sinto calafrios, mas estou em chamas.
 Nós estamos em chamas.
 E tua pele branca me convida a explorar caminhos onde nunca estive. Sinto como nunca me senti. A sensação que toma meu corpo, é diferente de tudo, tão intenso, tão real, como se você estivesse aqui novamente. Sinto como se pudesse explodir em milhões de pedaços no ar, sinto teu sorriso em minha pele, me agarro aos lençóis e fecho os olhos.
 Estamos em chamas.
 Estremeço, sinto o suor escorrendo gelado pelo meu corpo quente. Tremo mais uma vez em suas mãos. Sinto meu corpo em chamas. Sinto teu corpo em chamas.
 Tua pele, mais clara que a minha, vermelha ao meu toque, você deita ao meu lado enquanto dou risada das marcas, imaginando quanto tempo demoram a sumir.
 Estremeço mais uma vez ao teu toque, você ri.
 Afasto teu cabelo, branco como sua pele, do rosto, você sorri e coloca de volta no rosto, guardo teu sorriso na memória e olho em teus olhos, negros e com cílios tão grandes escuros e emaranhados uma última vez, antes de fechar os meus e acordar em meu quarto.
 Só.
 Esperando você.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Ah guria.


Como posso não pensar? Se quando fecho os olhos, vejo os teus, me olhando por de baixo do emaranhado de cílios pretos.
 Se quando fecho os olhos, sinto tuas mãos em volta de mim, me puxando pra si. Ou teus dedos traçando círculos em minha coxa no meio do carro lotado, onde ninguém poderia perceber.
 Como posso não pensar, se toda vez que fecho os olhos escuto tua risada, sinto teus lábios nos meus, se te sinto tão perto como se eu pudesse te tocar mais uma vez.
 Ah guria, como eu queria.
 Como eu queria esticar meus braços e te sentir do meu lado, como eu queria me deitar do teu lado e adormecer depois de uma noite de loucura. Acordar ao teu lado e começar tudo de novo.
 Ah guria, como eu queria.
 Como não pensar, se fecho os olhos e posso sentir teu toque, por todo meu corpo, meu corpo esse tremeluzindo a meia luz, não escuto, nem vejo o que passa na TV. Apenas escuto sua voz, me guiando, me levando ao céu, me livrando do peso da terra.
 Ah guria, como eu queria.
 Como eu queria.
 Só uma noite guria, me dê o seu prazer só uma noite.
 Ah guria. Como eu queria.
 Mas eu me deito e penso em você. Em seus olhos me olhando de baixo do emaranhado de cílios pretos. Seus olhos esses que fazem meu coração parar, e minha mente funcionar.
 Como eu queria, ah guria, como eu queria não pensar.