segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Não espero nada de ti.


 Eu não espero que você me chame para comer, não espero que saiba minha cor preferida, ou meu livro, ou minha comida.
 Não espero que você saiba do que gosto e o que não gosto, nem de todas as minhas alergias. Não espero que acompanhe o drama com meus meus amigos, que saiba com quem to falando, quem não ta falando comigo. Nem os motivos infantis de cada briga.
 Realmente não espero.
 Sabe, eu não espero que você se lembre de coisas que te falei dez anos atrás, ou dois dias atrás.
 E não espero que você pegue minha mão para andarmos na rua, nem que me ajude a descer do carro, ou que ao menos abra a porta. Não, eu não espero demonstrações de carinho no meio do mercado, nem que me beije na escada rolante do shopping, ou que demonstre algo.
 Não espero, e talvez nunca esperei, que me diga que estou linda.
 Definitivamente, não espero que você me olhe nos olhos e sorria como se eu, por algum motivo te fizesse feliz.
 Cara, não espero nada de ti.
 E é por isso que cada dia, cada segundo você me surpreende.
 Me surpreende, ao sorrir quando me vê de longe, e quando acorda ao meu lado. Me surpreende me tomando em seus braços no meio do mercado e beijando meus lábios, meu pescoço.
 Você me surpreende, quando abre a porta do carro e pega minha mão para andarmos pela rua, suas mãos quentes nas minhas frias, ou quando passa o braço pela minha cintura como se mostrasse que sou sua.
 Ah, meu querido, você me surpreende todos os dias, lembrando coisa que nem eu lembrava, perguntando sobre minhas amigas, e dando broncas nelas.
 Você me surpreende todos os dias, demonstrando sem de fato demonstrar.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Um varal de memórias.

 Separei a roupa para lavar, como sempre senti o cheiro de uma blusa e fechei meus olhos, teu perfume estava por toda a blusa, grudando em meu corpo, corroendo minha pele, agarrando meu cabelo.
 A saudade apertou, e me transportei pra manhã do dia anterior, onde acordei e vi pela primeira vez teus olhos me encarando.
 Teus belos olhos, pousados em mim, sua face pensativa, como se tentasse entender algo. Suas mãos passeando em meu cabelo, me fazendo adormecer em teu abraço novamente.
 Senti, talvez pela primeira vez em nosso um ano, uma vontade incontrolável de te ver, uma vontade de estar novamente em teus braços, beijar teus lábios, sentir teu ser.
 Senti, talvez, pela primeira vez nesse nosso pequeno ano, vontade de me entregar pra ti, te esperar para dormir, sorrir ao te ver acordar, senti a vontade incontrolável de ser sua.
 Mas me controlei.
 Cá estou eu, controlada.
 Ainda sinto, por algum motivo teu perfume em meu quarto em meu travesseiro, em meu cabelo. Ainda de certa forma desejo dormir ao teu lado, te fazer cafuné como tanto gosta.
 Mas estou controlada.
 Evitando as mensagens que gostaria de mandar. Evitando as vontades que me dominam.
 Mas estou controlada.
 Amarrei em meu peito, meu coração nervoso. Guardei em minha memória as coisas que desejo te falar, para quem sabe, um futuro distante?
 Mas estou controlada...
 Enxaguo minha blusa, torço, e estendo no varal.
 O perfume ainda está ali, mesclado com o sabão em pó.
 Mas eu? Eu estou controlada

domingo, 4 de setembro de 2016

Chocolates e Margaridas.

Eu sei que você gosta de mim, tudo bem não precisa dizer nada, não quero uma confirmação, não precisa negar também.
 Eu sei que quando você entender, e sentir confortável você vai me dizer, mas eu já sei tá? Vou dar de ombros, rir (de nervoso) e falar "Eu sei, é difícil não gostar de mim" então iremos rir e voltar ao que estávamos fazendo.
 Sei que não é o que você pretendia, sei disso, acha que eu pretendia também? Mas eu sei. Sei que nesse momento enquanto você se arruma, escolhe o perfume pra vir me encontrar, você sorri, e escolhe aquele que eu gosto. Eu sei que quando você me vê de longe um sorriso se instala em seus lábios, e não sai nem quando está dormindo.
 Eu sei que você gosta de mim, sei disso porque seus olhos te traem, eles vacilam, suas mãos ficam geladas, e aquele sorriso não sai de seus lábios, e da minha mente.
 Eu sei que você não entende como ou o que está acontecendo, não era para gostarmos um do outro, mas e agora?
 Tudo bem, Grandão, você não precisa me dizer nada, eu precisava, eu sou assim. Eu poderia explodir, poderia falar em horas piores, poderia te afastar.
 Tudo bem, Grandão, eu sei. Quando você entender, não precisa nem falar, só me dá aquele sorriso que gosto, me dê chocolates e um vaso de Margaridas, então vou saber que você também sabe.