segunda-feira, 27 de junho de 2016

Texto #11 (Do infinito de coisas que não falo em voz alta),


Apenas sente aqui, ao meu lado.
 Não me importo, pode fumar seu cigarro aqui, gosto como a fumaça flutua, corre para o teto e some se você não prestar atenção. Mas eu estou, estou prestando atenção em cada movimento, em cada pinta, em cada cicatriz nas suas costas. No tom da sua pele, na textura de seu cabelo.
 Presto atenção em cada forma que a fumaça faz, em cada movimento da dança perfeita que ela executa até desaparecer. Cronômetro suas tragadas, quero te conhecer a fundo. Seus vícios, seus prazeres, seus amores.
  Estou te decorando, memorizando. Para quando você sumir novamente e eu sei que você vai. Estou te memorizando, para quando eu sentir sua falta recorrer a minha falha memória.
 Tomo o cigarro de sua mão, e seguro entre meus lábios, sei que não devia, mas dou uma tragada, sinto minha garganta e pulmão queimarem, quase a mesma sensação que tenho estando diante de ti sem contar meu segredo.
 Deixa eu te dizer, eu preciso te dizer. Você não precisa corresponder.
 Vem cá, deita comigo, deixa eu te explicar o quão apaixonada estou, e você precisa saber. Vem cá, não vai não. Volta, volta pra cama, deixa eu te amar.
 Coitado, sorri assim pra mim, me olha de rabo de olho, me diz coisas bonitas sem perceber, não faz isso, não me chama de amor se eu não for. Pode me usar, eu entendo. Mas não faça isso, não me abrace desse jeito se não pretende ficar. Não me diga que sentiu saudade se não foi de verdade.
 Não, não me puxe para mais perto, não durma comigo se você não for passar a noite.
 Mas você já está fechando os olhos, caindo no sono. Você já não está mais de fato aqui. Acaricio seu cabelo, beijo seu rosto, me aninho em teus braços, ciente de sua inconsciência, susurro enquanto pego no sono ao teu lado.
 "Vem cá, deixa eu te amar, mas não  quero que seja em segredo, você não precisa corresponder, só saber."

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Me imagine contigo.


Então me imagine contigo. Sentada na ponta da sua cama, esperando você entrar, vestindo nada mais que a calça do pijama, enquanto eu estarei com a camisa.
Você deitará na cama, largado, acostumado, eu contornarei a cama para deitar ao seu lado, puxarei o edredom pra cima ao mesmo tempo que você me puxa pra perto.
 Então imagine o contorno de meu corpo junto ao seu, minha pele gelada, uma mistura de nervosismo e frio, em contato com a sua, o perfume do meu creme grudando em seu lençol, edredom e mente.
 Sinta a textura macia da minha pele, sinta o pequeno choque de meus dedos fazendo carinho em todo meu alcance, da ponta da orelha á cintura.
 Feche os olhos aí que eu fecho aqui, e assim a saudade diminui, você me sente aí deitada contigo, enquanto eu te sinto aqui, deitado comigo.
 Me imagine aí contigo.
 E então  será natural, será normal, quando de fato estarei deitada m sua cama, prontos pra ver um filme, nús em seu quarto frio.
 Nús de mentiras, de vergonhas, cobertos com a saudade. Cobertos com turbilhão de sentimentos.
 Me imagine aí contigo, que eu te imagino aqui comigo, rindo, sorrindo. Conversando até o sono nos tomar, nos levar para mais perto.