quarta-feira, 25 de maio de 2016

Dear John.

Eu sabia, sabia desde o início que estávamos fadados ao fim, começamos com uma data de validade e para mim estava bem. Eu não queria nada além de uma mudança de cenários, uma apreciação temporal.
 Temporal. A palavra chave para nós.
 Todos os dias escutava aquela música, pensando que eu ao contrário dela, sabia quem você é, e sabia o que estava acontecendo.
 Mas você veio com suas falsas promessas e meias frases, eu inocente e você um especialista no jogo.
 Eu sabia que você era bom, e meus muros não eram fortes, nem alto suficientes. Me deixei levar, traçou o caminho que queria para nós, você dita as regras, diz quando começa e quando termina, sem se importar se a noite sinto sua falta e penso em cada frase, me torturando pra saber qual é a verdade.
 Minhas amigas dizem que eu estou paranoica, que eu não sou só um jogo pra você.
  E agora eu escuto a mesma música, me perguntando onde errei, com todos os sinais e lutando com toda a minha força contra isso, como pude te deixar entrar tão fundo.
 Como pude?
 Em um piscar de olhos, você me teve, em um abraço mais longo, em um segundo de vulnerabilidade, suas meias palavras e falsas promessas me pegaram.  E agora, escuto a mesma música, pensando como a entendo, mais do que queria.


quarta-feira, 18 de maio de 2016

A Chuva, a Sereia, o Marinheiro e o "E Se..."

Escuto o barulho da chuva batendo no meu telhado, sei que minha televisão está ligada, e que já voltei esse episódio do início ao menos três vezes, mas não consigo me concentrar.
 Me imagino, com uma cauda esverdeada nadando ao seu encontro, estou nua e perdi minha humanidade. Deixei tudo para trás ao decidir encontar meu marinheiro.
 Perdi tudo quando percebi o que tinha de fazer. E eu tenho que nadar os sete mares até achar.
 Não perdi o fôlego, o mar me abraça como se eu fizesse parte dele, como se sempre tivesse feito. Acho que acostumou e se apaixonou de tantas vezes que ouviu minha voz ao pedir para traze-lo de volta.
 O mar me abraça, como se me ajudasse, como se me dissesse, "estou aqui caso dê errado" e eu sei que ele estará. Sempre esteve quando precisei sussurrar minhas palavras de medo e amor.
 Estou de volta na minha cama, a chuva ainda cai, já me perdi no episódio alguém morreu, quem? Volto ao início mais uma vez.
 E mais uma vez vagueio para onde quer que ele esteja. Vagueio entre as palavras ditas, com as intenções que creio não estar ali, mas não consigo deixar de ter esperança.
 Vejo-o voltando, seus braços me apertam, estamos na mesa onde prometeu que estaríamos, as risadas são altas, as histórias são contadas, ele ri dizendo coisas para me envergonhar e meus amigos dão risada contando outras.
 Não há mais o que fazer, a semente da esperança foi plantada, deixei crescer a flor achando ser nossa, enquanto eu a rego, você a mata.
 Mas fecho os olhos e imagino as risadas, imagino nós dois no meio dos meus amigos. Beijos de boa noite, e flores novas.
 E enquanto você está longe, eu estou regando nossa flor, enquanto aos poucos você a mata.
 E em um piscar de olhos me entrego ao mar, sei que ele vai me levar até ti. Cedo ou tarde.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Que a escuridão lhe beije a face.

Deitada na cama, com outro ser, vi o céu preto clarear, pensando em como minha vida tinha se transformado e chego ali.
 Vendo as cores mudarem pela janela, fazendo carinho dentro de outros braços que não o seu, pensando que enquanto eu acordo, você esta indo dormir.
 Me despeço da lua, das estrelas e da escuridão, peço que lhe deem um beijo como quero fazer. Peço que lhe digam que sinto sua falta.
 Penso nos marinheiros, deixando suas famílias, partindo para o meio do mar, e posso sentir o salgado das lágrimas escorrer.
 Sinto saudades, e enquanto os raios de sol entram pelas grossas cortinas na janela, sem dormir durante a noite, me aninho nos braços daquele estranho e fecho os olhos, desejando ser você.
 Desejo com todo meu coração que ao chegar, a escuridão lhe beije a face que ao você olhar pela pequena janela ao lado da sua cama você veja a lua do alto mar e escute o que eu pedi pra ela lhe dizer. Que o brilho das estrelas te façam lembrar o brilho dos meus olhos naquele primeiro momento, e que teu coração aperte assim como o meu.
 Me envolvo mais naqueles braços estranhos, de baixo de um edredom com outro perfume.
 Vejo a luz, agora invadindo completamente aquele quarto, com as primeiras horas da manhã e desejando ter dormido enquanto podia, em breve estarei levantando, indo de volta para minha casa, enquanto você cai no sono.