domingo, 17 de abril de 2016

Boa noite, te vejo em breve.

 Eu tentei.
 Tentei com minhas forças não te olhar do jeito que eu olhava.
 Tentei não pensar em você, e então tentei não pensar ainda mais em ti.
 Eu tentei, tentei não tocar em ti, mas minha mão involuntariamente tocava a sua quando ninguém estava vendo.
 Mantive você para mim, mesmo que dividindo-o com tantas outras pessoas. Não falava sobre ti, com ninguém. Ou pelo menos tentei.
 Droga, eu tentei tanto não te amar.
 Mas você é a incógnita em meu ser. O ponto de interrogação na minha voz, a dúvida que me sufoca a garganta e aperta meu peito.
 Eu tentei não te amar, mas lá estava você em meu sonho, me chamando para uma volta, me chamando para deitar-me ao seu lado.
 Eu tentei dizer não, mas não resisto.
 Não resisto a curiosidade de ver seus olhos mais uma vez, ouvir sua voz chamar meu nome uma vez mais, a última vez. Não resisto, e não consigo me negar de ti.
 Eu tentei resistir, mudei meu rumo, mas você me acha em meu sono.
 Eu, inocente, caio nas tuas graças, mais uma vez, uma última vez. É o que eu sempre digo.
 E mais uma vez você me chama,
"Venha, vamos caminhar, conversar sobre o futuro, te pago um café antes de voltarmos para nossa cama"
 Nunca houve cafés, nunca houve nossa cama, e nunca haverá um futuro.
 E eu tentei, com todas minhas forças não escrever mais sobre ti, mas...

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Carta para o futuro.

Oi meu amor,

 O ano é 2016, 24 de março. E você ainda não nasceu, nem está a caminho, na verdade ainda vai demorar alguns anos, se você realmente vier.
 Eu ainda não me decidi sobre seu nome, estou em dúvida entre Alice e Halley, sempre foi os dois amores da minha vida esses nomes, eu sei que provavelmente já te contei isso tantas vezes, mas saiba que aqui, pra mim, eu ainda não te contei nenhuma.
 Alice são duas personagens de livros que eu amo, Alice no país das Maravilhas, e A Saga: Crepúsculo, e Halley também é uma personagen, de um livro "How to Deal" e de um filme com a Lindsay Lohan, "The Parent Trap". Mas também era o nome que eu e meu primeiro namorado tínhamos escolhidos juntos caso tivéssemos você.
 Mas se você tiver outro nome, aposto que tive outros motivos pelos quais te contei um outro milhão de vezes, que tal contar pra mim agora?
 Sabe meu amor, você provavelmente está fazendo 18 anos, é quando planejo lhe entregar essa carta, e você deve se perguntar o motivo de eu estar escrevendo tantos anos antes, e vou te dizer meu amor.
 Eu sempre soube da sua existência. Você sempre foi parte de mim, claro no momento eu penso " será que é verdade mesmo?" mas eu acredito que isso possa ser verdade, pois nunca amei tanto  alguém como amo você minha pequena, você ainda nem nasceu e eu já posso dizer que morreria por você.
 Provavelmente você sabe disso, e se não sabe me desculpe eu deveria dizer que te amo todos os dias. Eu deveria.
 Eu ainda não te vi dar o seu primeiro passo, ou dizer sua primeira palavra, nem mesmo te vi nascer ainda, mas já vi tantas coisas meu amor.
 Eu já vi quão linda você vai ser, quão perfeita, já senti seu abraço, ouvi sua risada, que risada linda. Seu sorriso.
 Meu amor, eu já vi tanta coisa, já vivi tantas coisas e você ainda nem nasceu. De certa forma, me sinto privilegiada, pois poderei passar por isso duas vezes, a da minha realidade, o meu agora, e a do seu agora. E isso é tudo que eu poderia desejar. Ter você duas vezes, pra mim!
 Eu sinto muito meu amor, não sei quem é seu pai, e pelos meus sonhos você também não sabe, a menos que eu tenha criado coragem e feito o 'correto', mas saiba meu amor, eu fiz o que achei correto, e não me arrependo de te-la só para mim,  caso sua realidade seja a dos meus sonhos.
 Você é tudo o que eu preciso, e eu te darei tudo o que você precisa. Eu te darei todo o amor do universo, eu roubaria a Tardis apenas pra poder voltar no tempo e te dar mais amor.
 Porque eu sou toda amor, minha princesa, minha Alice, minha Halley. Eu sou toda amor por você. Você é todo o meu amor.
 E você ainda nem nasceu.
 Eu sinto muito pelas coisas que fiz de errado ao longo do caminho, se em algum momento te privei de algo, ou se te dei a mamadeira fria, ou o banho quente. Eu sinto muito.
 Mas quero que saiba, que hoje é o seu dia, eu ainda não sei que dia é, mas que provavelmente te acordei com um bolo como meus pais faziam para mim, e depois só a minha mãe, antes do meu pai voltar.
 E quero que saiba, que te desejo toda a felicidade pra você, pois você conseguiu ser toda a felicidade pra mim.
 Mesmo que você ainda não tenha nascido.
 Eu te amo Halley.
 Eu te amo Alice.
 Eu te amo minha pequena menina. (Independente do nome que eu tenha escolhido)
 Eu te amo e isso, ninguém pode negar. Pois eu já te amava mesmo antes de te amar.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Texto #10 (metade do meu infinito é você)

 Eu não te conheço mais, talvez nunca cheguei a conhecer. Sei seu primeiro nome é é isso.
 Sei onde fez faculdade, e que foi no show que eu queria ir, porém eu tinha acabado de nascer nesse ano então eu não entendia muito bem que eu queria ir nele.
 Sei que eu achava que você era um deus caído, a reencarnação de Hércules, e que eu seria sua Mégara.
 Eu sei que você gosta de tatuagens, mas não consigo me lembrar se você tinha ou queria fazer, mas sei que era na perna e que era Maori.
 As coisas estão meio escondidas, meio embaçadas, mas sei que estão aqui. Sei que apenas preciso me concentrar pra me lembrar mais. Preciso me concentrar.
 Não me lembro de todos os detalhes do seu rosto, mas lembro que tinha sardas, e que tinha um cacho de seu cabelo que insistia em cair na testa, até você cortar o cabelo tão curto que seria impossível que ele caísse. Mas não tão curto. Você gostava dele brilhando em tons de laranja no sol.
 E gostava da forma como eu encarava as cores brincando.
 Não lembro a cor de seus olhos, mas lembro de seu sorriso perfeito me tirando o fôlego. Me fazendo sorrir. Me tirando a concentração e o sono mais tarde.
 Também não consigo me lembrar de sua voz, se era grave, se era rouca, se tinha sotaque. Mas me lembro com perfeição que eu amava a forma que dizia meu nome, e do som da sua risada.  Me lembro bem do seu sussurro ao pé do meu ouvido, do seu tom preocupado. Mas eu estava apenas com sono. Era só sono.
 Ah, consigo lembrar do seu toque, quando me ajudava a levantar, ou encostava na minha mão fingindo que foi sem querer, esperando que ninguém notasse. Suas mãos eram suaves, macias, como nunca tinha sentido antes.
 Me lembro da nossa despedida, do dia anterior e do dia em si, mas não lembro se nosso abraço foi real, se foi apenas algo que imaginei.
 Mas lembro das lágrimas, e dá dor que senti ao me obrigar a me afastar de ti. Me lembro de todo dia me convencer de que isso era o melhor pra mim, pra ti, e para o nosso futuro. Pois ele jamais existiria. Nós, jamais existiríamos.
 E me lembro com cada célula de meu corpo, que meu amor foi real, e por te amar, nos deixei partir.
 Mas ainda espero te encontrar novamente, para então, finalmente nos conhecermos, eu direi meu nome, e você dirá o seu. Devidamente apresentados.
 E então eu saberei se você prefere chá ou café, doce ou salgado, eu, ou nós...

sábado, 9 de abril de 2016

Texto #09 (De uma infinidade escondido no meu ser)


 Dei falta de ti, olhei para os lados e não te encontrei.
 Senti o vazio, ele crescia dentro de mim, fechei os olhos e vi meu interior, andei por grandes lugares, memórias que eu nem lembrava que existiam, gritando pedindo para que eu as visse, brinquei comigo pequena, revi antigos amigos.
 Mas o vazio ficava maior, ele me tomava, me comia, me enganava.
 Era escorregadio onde estava, o ar era frio, mas eu suava e ao fundo algo soava. Prestei atenção, não via nada, mas soube com toda a certeza que era sua respiração pesada, como se estivesse dormindo. Senti meu peito rápido, acelerei meu passo tropeçando em cada um deles, caindo algumas vezes.
 Então eu vi, uma luz prateada, sentada com a cabeça nos joelhos.
-O que está fazendo aqui? Sua voz era estranha, arranhada, como se não falasse a tanto tempo.
-Senti saudade. Sussurrei ainda de pé, olhando seu rosto, memorizando cada fio de barba fora do lugar, vendo-a brilhar como fogo na escuridão.
-Parece que me esqueceu. Sua voz não carregava emoção, eu sabia que ali na minha frente era apenas sua imagem distorcida do que eu queria que você dissesse.
-Não! Me ajoelhei com as mãos em seu rosto. -Não, não diga isso.
-Mas eu fiquei aqui em quanto você não falava comigo me deixou de canto.
-Não! Eu jamais faria isso. Colei nossas testas, senti sua falsa respiração em mim. -Viu, eu estou aqui, com você.
 Então eu te beijei, beijei seus olhos, suas têmporas, seus lábios, cada um de seus dedos, voltando e repetindo todos os beijos.
-Eu estou aqui. Estou aqui com você.
 Minha voz estava gasta. Eu precisava que você soubesse, queria que você soubesse.
-Estou aqui, está vendo?
 Deitei ao seu lado, seu corpo se aninhou ao meu enquanto ficamos em silêncio, aproveitei o falso você, a distorcida e corrompida memória de você.
 O falso de ti sorria como o verdadeiro, ria como o verdadeiro, até seu perfume era o mesmo, mas seu toque tinha sentimentos que o verdadeiro não carrega, seu toque era um mero espelho do meu desejo, da forma como eu toco em ti.
-Eu estou aqui. Estou aqui com você.
 Eu queria que você entendesse. Soubesse que eu jamais poderia dizer isso a ti, ao seu verdadeiro.
 Queria que você entendesse, que quando você some, eu me volto para o vazio que você se encontra, no fundo, escondido.
 A imagem perfeita de ti. Da forma como eu te desejo, com todo seu amor pra mim.
-Eu estou aqui, como sempre estive, como sempre estarei.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Neste dia em 2013

Hoje, eu fui acordada as 9 horas da manhã com a campainha, recusei-me levantar por alguns segundos, mas fiquei feliz por ter levantado,  quando abri a jenelinha da minha porta um morador de rua olhava pra mim com o sorriso mais bonito que eu já vi, mesmo tendo os dentes amarelados e tortos, fiquei feliz no mesmo instante, sua felicidade contagiava o ambiente. "Me desculpa te acordar mocinha," ele falou em uma voz enrolada, mas não por bebida, apenas por felicidade mesmo, nas mãos tinha uma sacola de plástico que ele agarrava como se fosse um tesouro e pra ele realmente era. "Queria te pedir um favor, será que você teria alguma coisa para me dar? Não to pedindo dinheiro nem comida, é só um temperinho mesmo, só um pouquinho de sal se não for fazer falta. É que eu acabei de ganhar essa sacola cheia de caranguejos e vou preparar ele na brasa, e não tenho tempero algum, já ganhei alho e cebola, quero deixar ele bem gostoso." Seus olhos brilhavam enquanto ele falava e eu logo fui atrás de um pote para colocar o sal pra ele, afinal hoje ele iria ter um banquete.
 Quando voltei com o sal, seus olhos estavam marejados e não parava de sorrir, entreguei-lhe o sal e ele descobriu um jeito de sorrir ainda mais, juro que achei que não fosse possível, parecia que o sorriso iria engolir ele e ele iria se transformar em um enorme sorriso. "Muito muito obrigada, e desculpe te acordar, espero que o seu dia seja tão bom quanto o meu está sendo." E sorrindo, com sua sacolinha e os temperos, ele se foi. E dentro de mim, ele deixou um rastro de felicidade.
 Boa tarde pra vocês, e espero que assim como eu, vocês vejam um sorriso tão grande que te contagie.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Seus Olhos.

Seus olhos me fitaram por um momento.
E por um momento senti calor.
Por um momento senti que estava flutuando no céu estrelado.
Por um momento, senti. Senti que podia voar, senti que podia amar, senti que podia sentir novamente.
Seus olhos me fitaram por um breve momento, um rápido e curto momento, talvez não chegaram a se focar em mim. 
Mas naquele momento eu vi um brilho que jamais tinha visto, que jamais irei ver novamente.
E por um momento, vi milhões de outros momentos.
Vi dedos entrelaçado em um entardecer, vi pés emaranhados em uma cama qualquer ao amanhecer.
Por um momento, vi milhões de beijos, bilhões de abraços, trilhões de juras.
Por um momento, aquele breve e curto em que seus olhos fitaram os meus, talvez desfocado, talvez não fosse para mim, mas...
Naquele momento, pude sentir teu peito no meu. Senti meu coração parar.
Mas o mais surreal é que naquele breve momento, eu senti. Apenas senti. 
E sentir foi a melhor coisa que me aconteceu, desde que seus olhos fitaram os meus.