quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Sober - Selena Gómez.

O telefone tocou eram três horas da manhã e eu não precisava ver no identificador de chamadas para saber quem era, seu toque não era diferente dos outros mas só podia ser ele.
 "Só poderia ser você. Quem mais seria as três da manhã?"
 Atendi, mesmo sabendo que não deveria, eu me dizia para desligar e voltar a dormir, mas meu corpo ansiava para apertar aquele botão, mesmo sabendo que me decepcionaria.
 Sua voz estava enrolada, alta demais para o silêncio escuro de meu quarto, mas longe o bastante pra que meu coração doesse de saudade. Ele não dizia nada que fizesse sentido, mas eu sabia encontrar a ligação entre as palavras, conseguia montar a frase que ele dizia, ou seria a que eu queria ouvir?
 -Estou na sua porta. Foi o que ele murmurou entre tropeços. -Estou precisando de você, a chave não está no lugar. Cadê você?
 Sabia o que tinha que fazer, ele precisava ir para casa, deitar na cama, na sua não na minha.
 Eu conseguia sentir o cheiro da cerveja pelo celular, eu conseguia sentir o cheiro das outras mulheres com quem ele esteve na noite, mas por algum motivo eu me levantei, por algum motivo eu sorri antes de abrir a porta.
 Por algum motivo eu destranquei a porta, e seu sorriso me fez esquecer todos os motivos pelo qual eu não deveria deixa-lo entrar.
 -Meu deus como você está linda. Sua voz era suave, não estava mais ao tropeços.
-E você está bêbado, de novo.
-Isso não muda o fato de você ser linda quando acorda no meio da madrugada.
 Aquele sorriso novamente, aquele brilho no olhar, droga, aquelas palavras sempre funcionavam. Deixei que ele entrasse, deixei seus lábios descansarem nos meus, deixei suas mãos, sua língua e seu corpo explorar o meu.
 Aos tropeços caímos em minha cama em um caminho cego pela casa.
 A madrugada ficou quente, o silêncio foi cortado, meu corpo tremia ao seu toque, minha mente se encolhia com seus beijos, sua voz era a música que fazia nossos corpos dançarem no mar de lençóis.
 Eu sabia que essa não era a coisa certa. Não era certo em nenhuma forma, mas meu corpo precisava desse toque, do toque dele, poderia não ser certo, mas parecia ser.
 Eu sabia que ele iria dormir até meu despertador acordá-lo, sabia que iríamos repetir, era uma dança sem fim.
 Mas não seria o mesmo quando ele acordasse e não tivesse o álcool em seu organismo. Não seria o mesmo, seu toque seria mais frio, mais distante. Sabia que teria terminado assim que ele dormisse.
 Eu não deveria deixa-lo entrar, deveria deixa-lo ir embora, mas eu amava nossos pequenos momentos onde nos entregávamos, seu poder sobre mim não é algo fácil de entender, estamos em tempos diferentes.
 Eu me dei por inteiro, meu sonho e desejo desperdiçado.
 Caímos exaustos lado a lado, seus braços me puxaram para perto, seus lábios percorreram meu pescoço até chegar em minha orelha, meu corpo tremeu mesmo exausta eu queria ele. Mais, sempre.
-Você não entende o poder que tem sobre mim, não é? Céus como eu te amo.
 Aquele momento, a mesma frase antes de ele cair no sono, o mesmo jogo todas as vezes, partindo meu coração com suas palavras.
-Se você ao menos soubesse como me amar quando você está sóbrio.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Five Years -David Bowie

 Cinco anos se passarão, e eu continuarei lembrando de você.
 Talvez não do som da sua risada, mas lembrarei de como ela era alta no silêncio e de como ela me fazia sorrir inquieta.
 Talvez não conseguirei lembrar exatamente do seu perfume, mas lembrarei de como me sentia nas nuvens quando tirava minha roupa e ainda conseguia senti-lo, e de como ele me seguia para onde quer que eu fosse. E de como seu perfume me surpreendia no meio da rua, ou no meio de um sonho.
 Talvez eu não consiga de fato lembrar de todos nossos beijos, mas sempre me lembrarei da sensação de teus lábios, de como suas mãos macias passeavam pelo meu corpo.
 Talvez, por algum motivo eu me vá ou você se vá. Talvez por algum motivo não voltemos a nos ver, mas eu continuarei olhando para os lado e vendo você, sorrindo da forma que sorri para mim, talvez você acene, sorria de longe.
 Outros cinco anos se passarão mas continuarei lembrando de você. Não importa quantas coisas terei passado, você continuara em meus pensamentos.
 Consciente e/ou inconscientemente.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Margaridas, Mar e você.

 Queria que você voltasse com um vaso de margaridas que você comprou no caminho, que você dissesse "eu vi no semáforo e sabia o quanto você ama margaridas, então parei o carro e comprei o vaso mais bonito que vi!" Ah como queria.
 Você iria chegar assim de surpresa, tocaria a campainha meio com medo de minha mãe atender, meio com medo de eu não estar, eu iria aparecer descabelada e de pijama, e você iria sorrir. "Cheguei pequena" sua voz iria ecoar e eu iria brigar com o portão, mas iria te abraçar com tanta força e saudade. Ah sim, eu iria!
 Mas iria me recompor, te convidar para entrar, oferecer água, ou quem sabe um café? Sentaríamos na cama, assim meio afastado, meio envergonhados. Eu abraçaria o travesseiro, você apertaria minha coxa.
 Ah que vontade de me juntar, te agarrar.
 Então iríamos falar sobre sua viagem, sobre as coisas que viu, e as coisas que sentiu falta, e em meio a sua família e amigos você diria que sentiu falta de mim.
"Senti falta da minha Pequena. Senti sim. Foi estranho já que não achei que sentiria tanto, mas até aí, não sabia o quanto eu gostava de você, não sabia que eu podia te amar e nem perceber" 
 E assim, meio sem jeito, meio escondido, eu iria sorrir, perdida tentando entender o que ouvi. Então eu falaria, meio perdida, que eu não via a hora de falar o mesmo. Que eu senti a falta e que eu não conseguia mais esconder meus sentimentos.
 Ah, mas esse dia ainda não chegou.
 Contínuo escondendo, tentando não deixar ele passar pelas rupturas, não pode passar.
 Esse dia ainda não chegou, e enquanto isso, eu compro minhas próprias margaridas, e digo ao mar o que não posso te dizer, mas esperando que ele entregue minha mensagem.