quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Aos poucos.

 Aos poucos seu perfume, outrora impregnado em minhas roupas, vira meu perfume. Aos poucos, seu nome torna-se apenas um eco em meus lábios, e seu gosto doce vira o amargo da solidão.
 Aos poucos, me acostumo em não te esperar, aos poucos, me acostumo a olhar as notificações não esperando uma mensagem sua. Aos poucos, aos poucos vou me desprendendo.
 Aos poucos, teu toque se torna como uma lembrança distante...
 Mas não posso me enganar, ainda
 escuto sua voz com perfeição, ainda me lembro da forma como anda, de como dorme, de seus gestos ao se vestir pela manhã.
 Teu sorriso ainda é claro em minha mente.
 Mas aos poucos, sei que vão sumir.
 Aos poucos..
 Aos poucos sei que vai ser mais fácil.
 Aos poucos sei que não vai doer tanto, aos poucos sei que vou me acostumar com sua ausência. Aos poucos, vou retomar minha vida.
 Aos poucos...

sábado, 5 de novembro de 2016

Sereiando aqui.

 Eu não nasci sereia, longe disso. Eu me tornei sereia com o tempo.
 E nunca entendi bem como minhas escamas cresceram, nem em que ponto da minha vida as consegui, mas acho que finalmente entendi o porque virei uma sereia.
 Por tanto tempo vivi no turbilhão de movimento que é o mar, boiando sobre as ondas conseguia ver o céu e as estrelas, mas então o mar agitava e eu ouvia as vozes e sentia as mãos de meus demônios me puxando para baixo, me afogando. E por tempos não conseguia ver o céu, não conseguia ver nada além de minhas próprias mãos pálidas, mesmo de baixo d'água. Mesmo no escuro. Tão pálida, tão morta.
 Achei que estava perdendo a vida enquanto estava no escuro, debaixo d'água, mas acontece que quanto mais me puxavam, mais me afogavam, mais eu ganhava a vida...
 Percebi, que com o tempo ficou mais fácil de respirar, meus olhos já haviam se acostumado com o escuro, e eu já podia me movimentar, conseguia explorar o mundo bizarro e escuro que eu tinha tanto medo.
 Percebi então, que já não fazia mais diferença onde eu estava, lá em cima, eu conseguia ver as estrelas e ficava emocionada com o ar batendo em meus cabelos, vez por outra até me deixava ser vista sentada na grande pedra absorvendo a luz do sol, mas se as vozes me chamavam...
 Ah, se as vozes me chamavam, eu pulava no mar, minhas escamas surgiam e meus pés viravam cauda.
 Então percebi, me tornei sereia pra sobreviver e enfrentar meus demônios.
 Me tornei sereia pra conseguir viver!

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Texto #14 (Do abismo infinito do qual deveria pular)

Quantas vezes já me despedi sem saber quando seria a última vez? Quantas vezes passei dias sentido um abismo se abrindo em meus pés, com aquelas vozes me incentivando a pular, quantas vezes me impulsionei para frente indo de encontro ao desconhecido, porém amigável abismo, só para poder sentir tuas mãos me agarrarem e puxando de volta.
 Quantas, milhares de vezes confundi o abismo de sua ausência com o abismo de teus olhos?
 Tola, achei que o abismo que me faria mal seria aquele escuro, e desconhecido. Mas o que me fere são os abismos de teus olhos, onde teu sorriso ecoa, onde tuas palavras são cheias de mentiras e teus atos, tão cheios, são um completo vazio.
 Dessa vez me despedi sabendo que seria a última vez, dessa vez, senti o vazio do abismo de seus olhos e percebi o quão perigoso e quão fundo eu já estava para poder ver a luz. Dessa vez me arrependi de ter segurado sua mão, de ter sorrido ao seu encontro, de ter ficado feliz por você vir ao meu encontro, me resgatado do abismo em que eu deveria ter pulado.
 Deixe-me aqui, onde eu possa caminhar até achar a luz, deixe-me aqui eu mesma posso me salvar. Claro que estou com medo, mas é claro que continuarei, o que mais posso fazer? Está tudo bem sentir medo, está tudo bem se algumas lágrimas vão ser derramadas no caminho até ver a luz. Mas deixe-me aqui, onde a sensação de cair é melhor do que eu pensei que seria.
 Quantas vezes mais pularei no abismo só pra cair em teus braços novamente? Quantas vezes mais ensaiaremos a dança que jamais iremos apresentar? Quantas vezes mais você irá aparecer pra então desaparecer novamente?
 Deixe-me aqui, na beira do abismo, onde eu posso pular e me ver livre. Me deixe pular pro abismo desconhecido. E não me deixe cair mais em teus braços.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Não espero nada de ti.


 Eu não espero que você me chame para comer, não espero que saiba minha cor preferida, ou meu livro, ou minha comida.
 Não espero que você saiba do que gosto e o que não gosto, nem de todas as minhas alergias. Não espero que acompanhe o drama com meus meus amigos, que saiba com quem to falando, quem não ta falando comigo. Nem os motivos infantis de cada briga.
 Realmente não espero.
 Sabe, eu não espero que você se lembre de coisas que te falei dez anos atrás, ou dois dias atrás.
 E não espero que você pegue minha mão para andarmos na rua, nem que me ajude a descer do carro, ou que ao menos abra a porta. Não, eu não espero demonstrações de carinho no meio do mercado, nem que me beije na escada rolante do shopping, ou que demonstre algo.
 Não espero, e talvez nunca esperei, que me diga que estou linda.
 Definitivamente, não espero que você me olhe nos olhos e sorria como se eu, por algum motivo te fizesse feliz.
 Cara, não espero nada de ti.
 E é por isso que cada dia, cada segundo você me surpreende.
 Me surpreende, ao sorrir quando me vê de longe, e quando acorda ao meu lado. Me surpreende me tomando em seus braços no meio do mercado e beijando meus lábios, meu pescoço.
 Você me surpreende, quando abre a porta do carro e pega minha mão para andarmos pela rua, suas mãos quentes nas minhas frias, ou quando passa o braço pela minha cintura como se mostrasse que sou sua.
 Ah, meu querido, você me surpreende todos os dias, lembrando coisa que nem eu lembrava, perguntando sobre minhas amigas, e dando broncas nelas.
 Você me surpreende todos os dias, demonstrando sem de fato demonstrar.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Um varal de memórias.

 Separei a roupa para lavar, como sempre senti o cheiro de uma blusa e fechei meus olhos, teu perfume estava por toda a blusa, grudando em meu corpo, corroendo minha pele, agarrando meu cabelo.
 A saudade apertou, e me transportei pra manhã do dia anterior, onde acordei e vi pela primeira vez teus olhos me encarando.
 Teus belos olhos, pousados em mim, sua face pensativa, como se tentasse entender algo. Suas mãos passeando em meu cabelo, me fazendo adormecer em teu abraço novamente.
 Senti, talvez pela primeira vez em nosso um ano, uma vontade incontrolável de te ver, uma vontade de estar novamente em teus braços, beijar teus lábios, sentir teu ser.
 Senti, talvez, pela primeira vez nesse nosso pequeno ano, vontade de me entregar pra ti, te esperar para dormir, sorrir ao te ver acordar, senti a vontade incontrolável de ser sua.
 Mas me controlei.
 Cá estou eu, controlada.
 Ainda sinto, por algum motivo teu perfume em meu quarto em meu travesseiro, em meu cabelo. Ainda de certa forma desejo dormir ao teu lado, te fazer cafuné como tanto gosta.
 Mas estou controlada.
 Evitando as mensagens que gostaria de mandar. Evitando as vontades que me dominam.
 Mas estou controlada.
 Amarrei em meu peito, meu coração nervoso. Guardei em minha memória as coisas que desejo te falar, para quem sabe, um futuro distante?
 Mas estou controlada...
 Enxaguo minha blusa, torço, e estendo no varal.
 O perfume ainda está ali, mesclado com o sabão em pó.
 Mas eu? Eu estou controlada

domingo, 4 de setembro de 2016

Chocolates e Margaridas.

Eu sei que você gosta de mim, tudo bem não precisa dizer nada, não quero uma confirmação, não precisa negar também.
 Eu sei que quando você entender, e sentir confortável você vai me dizer, mas eu já sei tá? Vou dar de ombros, rir (de nervoso) e falar "Eu sei, é difícil não gostar de mim" então iremos rir e voltar ao que estávamos fazendo.
 Sei que não é o que você pretendia, sei disso, acha que eu pretendia também? Mas eu sei. Sei que nesse momento enquanto você se arruma, escolhe o perfume pra vir me encontrar, você sorri, e escolhe aquele que eu gosto. Eu sei que quando você me vê de longe um sorriso se instala em seus lábios, e não sai nem quando está dormindo.
 Eu sei que você gosta de mim, sei disso porque seus olhos te traem, eles vacilam, suas mãos ficam geladas, e aquele sorriso não sai de seus lábios, e da minha mente.
 Eu sei que você não entende como ou o que está acontecendo, não era para gostarmos um do outro, mas e agora?
 Tudo bem, Grandão, você não precisa me dizer nada, eu precisava, eu sou assim. Eu poderia explodir, poderia falar em horas piores, poderia te afastar.
 Tudo bem, Grandão, eu sei. Quando você entender, não precisa nem falar, só me dá aquele sorriso que gosto, me dê chocolates e um vaso de Margaridas, então vou saber que você também sabe.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Texto #13 (Do infinito de coisas que eu deveria dizer)

 Podemos conversar amanhã, sabe, podemos terminar tudo amanhã de manhã quando acordarmos.
 Podemos sim, mas por hoje, eu preciso que você me abrace, me abrace e sorria, por hoje preciso que você beije minha mão, meu ombro, meu rosto, meus lábios.
 Por hoje, e só por hoje, preciso que você me aninhe em seu colo, faça carinho e não diga nada. Por hoje, eu peço que seja meu, só mais essa noite.
 Por hoje colaremos nossos corpos, bagunçaremos nossas camas, por hoje iremos dançar nossa música preferida até nossos corpos suarem.
 Amanhã, a gente vê o que acontece, onde ficamos. Amanhã a gente se entende. Mas por hoje, por hoje a gente se descomplica.
 Por hoje, a gente ri, sorri, se cansa e descansa, a noite é uma criança.
 Vem cá, se aninha em meus braços, deita no meu peito, pode dormir aqui essa noite.
 Amanhã a gente esquece, amanhã esquecemos dos beijos, das danças, do carinho. Amanhã a gente esquece tudo e segue pra casa.
 Ou a gente esquece de esquecer...

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Quero você.

Quero que você pegue minha mão, que você me abrace com vontade, com saudade. Quero que sinta vontade de dormir ao meu lado.
 Quero que me diga o que pensa, o que sente, que me conte suas histórias mais sem noção, quero que me conte suas idéias mais malucas como viajar o mundo de carro e me diga "Vamos?"
 Não quero ser a única coisa em sua mente o dia todo, mas a última coisa que pensa ao ir dormir. Quero que lembre de mim com um sorriso, que lembre de nossas noites acordados e dos inúmeros por do sol que vimos e que ainda vamos ver.
 Quero que sinta vontade de me beijar, e que me beije, mesmo que eu esteja no meio de uma frase, ou que eu esteja distraída. Quero que você veja um filme em cartaz que seja a minha cara e me chame pra ver. Que me mande uma música só porque achou que eu gostaria, ou que me inspiraria.
 Quero que zoe meus livros de vampiros, que zoe minhas séries, mas me apresente aos que você gosta. E que me espere até chegar no mesmo episódio que você.
 Quero você sentado ao meu lado, jogando com meus amigos, quero que fique bravo quando eu mentir no jogo pela vergonha de dizer a verdade, quero te desafiar, quero ser desafiada. Quero horas e horas de bebida e brincadeiras, com você.
 Quero que me ligue de madrugada pra eu fugir de casa, da balada, da Gabi, só por que você sentiu vontade de mim. Quero que você sinta vontade de mim.
 Não quero ser a única na sua vida, não quero que você seja o único na minha vida. Mas quero, bom, quero poder dizer teu nome aos meus pais e não mentir onde estou.
 Quero que você me procure quando estiver cansado do mundo lá fora, que você ache a paz, aqui ao meu lado.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Texto #12 (No infinito de coisas que disse em voz alta)


Sem que eu percebesse, as horas passavam, trancados dentro daquele quarto a meia luz, não sabia dizer se era tarde da noite ou cedo da manhã.
 Sem que eu percebesse, você estava deitado em meus braços, os olhos fechados e um sorriso nos lábios (talvez você não tenha percebido que sorria).
 E sem que eu percebesse, as palavras saíram da minha boca, um nó na minha garganta me dizia que finalmente eu havia me traído, com o coração apertado e o corpo gelado olhei em seus olhos, ainda fechados, e mais uma vez você sorria.
 Sem que percebêssemos, nossas vidas haviam mudado, meus sentimentos expostos em uma cama de motel, sem volta daqui em diante. E você. Você apenas sorria e não dizia nada.
  A noite virou dia, só percebi quando uma feixe de luz minúsculo entrou pela janela, sem que eu percebesse, você adormeceu em meus braços, sorrindo, como se eu fosse a única pessoa com quem gostaria de estar.
 E sem que eu percebesse, não havia outro lugar em que eu preferiria estar.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Aperta mais uma vez, a bendita saudade.


 Eita que saudade, eita que saudade que não aguenta no peito.
 Agora vou poder esquecer das horas e ver o sol nascer.
 Agora, tua risada vai poder parecer desconexa e alta, apagando o mundo inteiro lá fora.
 Agora. Ah, agora eu poderei te ter em minhas mãos.
 Poderei te abraçar.
 Agora, poderei sentir teus beijos, sentir tuas mãos correndo pelo meu corpo.
 Sentirei teu corpo colado ao meu, tua respiração, falha, junto ao meu pescoço.
 Agora, poderei compreender.
 Ah querido, agora poderei olhar nos teus olhos e dizer-lhe o que me neguei a aceitar.
 Só lhe peço, meu querido, que não fuja.
 Fique.
 Não peço nada demais, não é complicado.
 Não estou pedindo que invente sentimentos onde não os têm.
 Não querido, estou pedindo que fique, não me importo com reciprocidade.
 Fique.
 Não fuja, não agora querido. Esperei tanto tempo pra tirar isso do peito.
 Não fuja, esperei tanto tempo para tocar-lhe novamente.
 Fique. Eu sei cuidar de mim.
 Fique. Não fuja.
 A saudade aperta mais uma vez, e não vejo a hora de poder estar em seus braços, mais uma vez.

sábado, 9 de julho de 2016

Apenas me deixe flutuar por aí.

Sinto como se estivesse flutuando, boiando, meu corpo se movimenta enquanto estou parada, mas está tudo escuro.
 Não consigo ver nada, não sei onde estou, nem para onde estou sendo levada. Não, não tem ninguém comigo, estou completamente só, mas sei que algo me puxa, posso sentir isso na ponta de meus dedos.
 Estou calma, pelo menos por fora, pois sinto que pra onde vou é onde eu deveria estar,  mas o caminho me deixa em pânico. E se eu me desviar, e se eu me perder? O que eu vou ver se abrir meus olhos agora?
 Sinto que estou flutuando, mas não sei se estou indo para cima, baixo ou apenas parada no mesmo lugar. Não sei pra onde vou, nem onde estou, está escuro, mas sinto que alguém me espera no final.
 Sei que assim que chegar, não estarei mais sozinha, não estarei mais no escuro. Mas o percurso me assusta.  Não quero abrir meus olhos, não quero ver o mundo onde você não está, seja lá quem você for.
 Minha luz ainda não está aqui, e sinto que estou sendo observada, no escuro, mesmo estando sozinha e sei que se eu abrir os olhos agora, irei te perder. Não posso arriscar me perder de você, da luz no fundo desse caminho escuro

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Texto #11 (Do infinito de coisas que não falo em voz alta),


Apenas sente aqui, ao meu lado.
 Não me importo, pode fumar seu cigarro aqui, gosto como a fumaça flutua, corre para o teto e some se você não prestar atenção. Mas eu estou, estou prestando atenção em cada movimento, em cada pinta, em cada cicatriz nas suas costas. No tom da sua pele, na textura de seu cabelo.
 Presto atenção em cada forma que a fumaça faz, em cada movimento da dança perfeita que ela executa até desaparecer. Cronômetro suas tragadas, quero te conhecer a fundo. Seus vícios, seus prazeres, seus amores.
  Estou te decorando, memorizando. Para quando você sumir novamente e eu sei que você vai. Estou te memorizando, para quando eu sentir sua falta recorrer a minha falha memória.
 Tomo o cigarro de sua mão, e seguro entre meus lábios, sei que não devia, mas dou uma tragada, sinto minha garganta e pulmão queimarem, quase a mesma sensação que tenho estando diante de ti sem contar meu segredo.
 Deixa eu te dizer, eu preciso te dizer. Você não precisa corresponder.
 Vem cá, deita comigo, deixa eu te explicar o quão apaixonada estou, e você precisa saber. Vem cá, não vai não. Volta, volta pra cama, deixa eu te amar.
 Coitado, sorri assim pra mim, me olha de rabo de olho, me diz coisas bonitas sem perceber, não faz isso, não me chama de amor se eu não for. Pode me usar, eu entendo. Mas não faça isso, não me abrace desse jeito se não pretende ficar. Não me diga que sentiu saudade se não foi de verdade.
 Não, não me puxe para mais perto, não durma comigo se você não for passar a noite.
 Mas você já está fechando os olhos, caindo no sono. Você já não está mais de fato aqui. Acaricio seu cabelo, beijo seu rosto, me aninho em teus braços, ciente de sua inconsciência, susurro enquanto pego no sono ao teu lado.
 "Vem cá, deixa eu te amar, mas não  quero que seja em segredo, você não precisa corresponder, só saber."

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Me imagine contigo.


Então me imagine contigo. Sentada na ponta da sua cama, esperando você entrar, vestindo nada mais que a calça do pijama, enquanto eu estarei com a camisa.
Você deitará na cama, largado, acostumado, eu contornarei a cama para deitar ao seu lado, puxarei o edredom pra cima ao mesmo tempo que você me puxa pra perto.
 Então imagine o contorno de meu corpo junto ao seu, minha pele gelada, uma mistura de nervosismo e frio, em contato com a sua, o perfume do meu creme grudando em seu lençol, edredom e mente.
 Sinta a textura macia da minha pele, sinta o pequeno choque de meus dedos fazendo carinho em todo meu alcance, da ponta da orelha á cintura.
 Feche os olhos aí que eu fecho aqui, e assim a saudade diminui, você me sente aí deitada contigo, enquanto eu te sinto aqui, deitado comigo.
 Me imagine aí contigo.
 E então  será natural, será normal, quando de fato estarei deitada m sua cama, prontos pra ver um filme, nús em seu quarto frio.
 Nús de mentiras, de vergonhas, cobertos com a saudade. Cobertos com turbilhão de sentimentos.
 Me imagine aí contigo, que eu te imagino aqui comigo, rindo, sorrindo. Conversando até o sono nos tomar, nos levar para mais perto.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Dear John.

Eu sabia, sabia desde o início que estávamos fadados ao fim, começamos com uma data de validade e para mim estava bem. Eu não queria nada além de uma mudança de cenários, uma apreciação temporal.
 Temporal. A palavra chave para nós.
 Todos os dias escutava aquela música, pensando que eu ao contrário dela, sabia quem você é, e sabia o que estava acontecendo.
 Mas você veio com suas falsas promessas e meias frases, eu inocente e você um especialista no jogo.
 Eu sabia que você era bom, e meus muros não eram fortes, nem alto suficientes. Me deixei levar, traçou o caminho que queria para nós, você dita as regras, diz quando começa e quando termina, sem se importar se a noite sinto sua falta e penso em cada frase, me torturando pra saber qual é a verdade.
 Minhas amigas dizem que eu estou paranoica, que eu não sou só um jogo pra você.
  E agora eu escuto a mesma música, me perguntando onde errei, com todos os sinais e lutando com toda a minha força contra isso, como pude te deixar entrar tão fundo.
 Como pude?
 Em um piscar de olhos, você me teve, em um abraço mais longo, em um segundo de vulnerabilidade, suas meias palavras e falsas promessas me pegaram.  E agora, escuto a mesma música, pensando como a entendo, mais do que queria.


quarta-feira, 18 de maio de 2016

A Chuva, a Sereia, o Marinheiro e o "E Se..."

Escuto o barulho da chuva batendo no meu telhado, sei que minha televisão está ligada, e que já voltei esse episódio do início ao menos três vezes, mas não consigo me concentrar.
 Me imagino, com uma cauda esverdeada nadando ao seu encontro, estou nua e perdi minha humanidade. Deixei tudo para trás ao decidir encontar meu marinheiro.
 Perdi tudo quando percebi o que tinha de fazer. E eu tenho que nadar os sete mares até achar.
 Não perdi o fôlego, o mar me abraça como se eu fizesse parte dele, como se sempre tivesse feito. Acho que acostumou e se apaixonou de tantas vezes que ouviu minha voz ao pedir para traze-lo de volta.
 O mar me abraça, como se me ajudasse, como se me dissesse, "estou aqui caso dê errado" e eu sei que ele estará. Sempre esteve quando precisei sussurrar minhas palavras de medo e amor.
 Estou de volta na minha cama, a chuva ainda cai, já me perdi no episódio alguém morreu, quem? Volto ao início mais uma vez.
 E mais uma vez vagueio para onde quer que ele esteja. Vagueio entre as palavras ditas, com as intenções que creio não estar ali, mas não consigo deixar de ter esperança.
 Vejo-o voltando, seus braços me apertam, estamos na mesa onde prometeu que estaríamos, as risadas são altas, as histórias são contadas, ele ri dizendo coisas para me envergonhar e meus amigos dão risada contando outras.
 Não há mais o que fazer, a semente da esperança foi plantada, deixei crescer a flor achando ser nossa, enquanto eu a rego, você a mata.
 Mas fecho os olhos e imagino as risadas, imagino nós dois no meio dos meus amigos. Beijos de boa noite, e flores novas.
 E enquanto você está longe, eu estou regando nossa flor, enquanto aos poucos você a mata.
 E em um piscar de olhos me entrego ao mar, sei que ele vai me levar até ti. Cedo ou tarde.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Que a escuridão lhe beije a face.

Deitada na cama, com outro ser, vi o céu preto clarear, pensando em como minha vida tinha se transformado e chego ali.
 Vendo as cores mudarem pela janela, fazendo carinho dentro de outros braços que não o seu, pensando que enquanto eu acordo, você esta indo dormir.
 Me despeço da lua, das estrelas e da escuridão, peço que lhe deem um beijo como quero fazer. Peço que lhe digam que sinto sua falta.
 Penso nos marinheiros, deixando suas famílias, partindo para o meio do mar, e posso sentir o salgado das lágrimas escorrer.
 Sinto saudades, e enquanto os raios de sol entram pelas grossas cortinas na janela, sem dormir durante a noite, me aninho nos braços daquele estranho e fecho os olhos, desejando ser você.
 Desejo com todo meu coração que ao chegar, a escuridão lhe beije a face que ao você olhar pela pequena janela ao lado da sua cama você veja a lua do alto mar e escute o que eu pedi pra ela lhe dizer. Que o brilho das estrelas te façam lembrar o brilho dos meus olhos naquele primeiro momento, e que teu coração aperte assim como o meu.
 Me envolvo mais naqueles braços estranhos, de baixo de um edredom com outro perfume.
 Vejo a luz, agora invadindo completamente aquele quarto, com as primeiras horas da manhã e desejando ter dormido enquanto podia, em breve estarei levantando, indo de volta para minha casa, enquanto você cai no sono.

domingo, 17 de abril de 2016

Boa noite, te vejo em breve.

 Eu tentei.
 Tentei com minhas forças não te olhar do jeito que eu olhava.
 Tentei não pensar em você, e então tentei não pensar ainda mais em ti.
 Eu tentei, tentei não tocar em ti, mas minha mão involuntariamente tocava a sua quando ninguém estava vendo.
 Mantive você para mim, mesmo que dividindo-o com tantas outras pessoas. Não falava sobre ti, com ninguém. Ou pelo menos tentei.
 Droga, eu tentei tanto não te amar.
 Mas você é a incógnita em meu ser. O ponto de interrogação na minha voz, a dúvida que me sufoca a garganta e aperta meu peito.
 Eu tentei não te amar, mas lá estava você em meu sonho, me chamando para uma volta, me chamando para deitar-me ao seu lado.
 Eu tentei dizer não, mas não resisto.
 Não resisto a curiosidade de ver seus olhos mais uma vez, ouvir sua voz chamar meu nome uma vez mais, a última vez. Não resisto, e não consigo me negar de ti.
 Eu tentei resistir, mudei meu rumo, mas você me acha em meu sono.
 Eu, inocente, caio nas tuas graças, mais uma vez, uma última vez. É o que eu sempre digo.
 E mais uma vez você me chama,
"Venha, vamos caminhar, conversar sobre o futuro, te pago um café antes de voltarmos para nossa cama"
 Nunca houve cafés, nunca houve nossa cama, e nunca haverá um futuro.
 E eu tentei, com todas minhas forças não escrever mais sobre ti, mas...

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Carta para o futuro.

Oi meu amor,

 O ano é 2016, 24 de março. E você ainda não nasceu, nem está a caminho, na verdade ainda vai demorar alguns anos, se você realmente vier.
 Eu ainda não me decidi sobre seu nome, estou em dúvida entre Alice e Halley, sempre foi os dois amores da minha vida esses nomes, eu sei que provavelmente já te contei isso tantas vezes, mas saiba que aqui, pra mim, eu ainda não te contei nenhuma.
 Alice são duas personagens de livros que eu amo, Alice no país das Maravilhas, e A Saga: Crepúsculo, e Halley também é uma personagen, de um livro "How to Deal" e de um filme com a Lindsay Lohan, "The Parent Trap". Mas também era o nome que eu e meu primeiro namorado tínhamos escolhidos juntos caso tivéssemos você.
 Mas se você tiver outro nome, aposto que tive outros motivos pelos quais te contei um outro milhão de vezes, que tal contar pra mim agora?
 Sabe meu amor, você provavelmente está fazendo 18 anos, é quando planejo lhe entregar essa carta, e você deve se perguntar o motivo de eu estar escrevendo tantos anos antes, e vou te dizer meu amor.
 Eu sempre soube da sua existência. Você sempre foi parte de mim, claro no momento eu penso " será que é verdade mesmo?" mas eu acredito que isso possa ser verdade, pois nunca amei tanto  alguém como amo você minha pequena, você ainda nem nasceu e eu já posso dizer que morreria por você.
 Provavelmente você sabe disso, e se não sabe me desculpe eu deveria dizer que te amo todos os dias. Eu deveria.
 Eu ainda não te vi dar o seu primeiro passo, ou dizer sua primeira palavra, nem mesmo te vi nascer ainda, mas já vi tantas coisas meu amor.
 Eu já vi quão linda você vai ser, quão perfeita, já senti seu abraço, ouvi sua risada, que risada linda. Seu sorriso.
 Meu amor, eu já vi tanta coisa, já vivi tantas coisas e você ainda nem nasceu. De certa forma, me sinto privilegiada, pois poderei passar por isso duas vezes, a da minha realidade, o meu agora, e a do seu agora. E isso é tudo que eu poderia desejar. Ter você duas vezes, pra mim!
 Eu sinto muito meu amor, não sei quem é seu pai, e pelos meus sonhos você também não sabe, a menos que eu tenha criado coragem e feito o 'correto', mas saiba meu amor, eu fiz o que achei correto, e não me arrependo de te-la só para mim,  caso sua realidade seja a dos meus sonhos.
 Você é tudo o que eu preciso, e eu te darei tudo o que você precisa. Eu te darei todo o amor do universo, eu roubaria a Tardis apenas pra poder voltar no tempo e te dar mais amor.
 Porque eu sou toda amor, minha princesa, minha Alice, minha Halley. Eu sou toda amor por você. Você é todo o meu amor.
 E você ainda nem nasceu.
 Eu sinto muito pelas coisas que fiz de errado ao longo do caminho, se em algum momento te privei de algo, ou se te dei a mamadeira fria, ou o banho quente. Eu sinto muito.
 Mas quero que saiba, que hoje é o seu dia, eu ainda não sei que dia é, mas que provavelmente te acordei com um bolo como meus pais faziam para mim, e depois só a minha mãe, antes do meu pai voltar.
 E quero que saiba, que te desejo toda a felicidade pra você, pois você conseguiu ser toda a felicidade pra mim.
 Mesmo que você ainda não tenha nascido.
 Eu te amo Halley.
 Eu te amo Alice.
 Eu te amo minha pequena menina. (Independente do nome que eu tenha escolhido)
 Eu te amo e isso, ninguém pode negar. Pois eu já te amava mesmo antes de te amar.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Texto #10 (metade do meu infinito é você)

 Eu não te conheço mais, talvez nunca cheguei a conhecer. Sei seu primeiro nome é é isso.
 Sei onde fez faculdade, e que foi no show que eu queria ir, porém eu tinha acabado de nascer nesse ano então eu não entendia muito bem que eu queria ir nele.
 Sei que eu achava que você era um deus caído, a reencarnação de Hércules, e que eu seria sua Mégara.
 Eu sei que você gosta de tatuagens, mas não consigo me lembrar se você tinha ou queria fazer, mas sei que era na perna e que era Maori.
 As coisas estão meio escondidas, meio embaçadas, mas sei que estão aqui. Sei que apenas preciso me concentrar pra me lembrar mais. Preciso me concentrar.
 Não me lembro de todos os detalhes do seu rosto, mas lembro que tinha sardas, e que tinha um cacho de seu cabelo que insistia em cair na testa, até você cortar o cabelo tão curto que seria impossível que ele caísse. Mas não tão curto. Você gostava dele brilhando em tons de laranja no sol.
 E gostava da forma como eu encarava as cores brincando.
 Não lembro a cor de seus olhos, mas lembro de seu sorriso perfeito me tirando o fôlego. Me fazendo sorrir. Me tirando a concentração e o sono mais tarde.
 Também não consigo me lembrar de sua voz, se era grave, se era rouca, se tinha sotaque. Mas me lembro com perfeição que eu amava a forma que dizia meu nome, e do som da sua risada.  Me lembro bem do seu sussurro ao pé do meu ouvido, do seu tom preocupado. Mas eu estava apenas com sono. Era só sono.
 Ah, consigo lembrar do seu toque, quando me ajudava a levantar, ou encostava na minha mão fingindo que foi sem querer, esperando que ninguém notasse. Suas mãos eram suaves, macias, como nunca tinha sentido antes.
 Me lembro da nossa despedida, do dia anterior e do dia em si, mas não lembro se nosso abraço foi real, se foi apenas algo que imaginei.
 Mas lembro das lágrimas, e dá dor que senti ao me obrigar a me afastar de ti. Me lembro de todo dia me convencer de que isso era o melhor pra mim, pra ti, e para o nosso futuro. Pois ele jamais existiria. Nós, jamais existiríamos.
 E me lembro com cada célula de meu corpo, que meu amor foi real, e por te amar, nos deixei partir.
 Mas ainda espero te encontrar novamente, para então, finalmente nos conhecermos, eu direi meu nome, e você dirá o seu. Devidamente apresentados.
 E então eu saberei se você prefere chá ou café, doce ou salgado, eu, ou nós...

sábado, 9 de abril de 2016

Texto #09 (De uma infinidade escondido no meu ser)


 Dei falta de ti, olhei para os lados e não te encontrei.
 Senti o vazio, ele crescia dentro de mim, fechei os olhos e vi meu interior, andei por grandes lugares, memórias que eu nem lembrava que existiam, gritando pedindo para que eu as visse, brinquei comigo pequena, revi antigos amigos.
 Mas o vazio ficava maior, ele me tomava, me comia, me enganava.
 Era escorregadio onde estava, o ar era frio, mas eu suava e ao fundo algo soava. Prestei atenção, não via nada, mas soube com toda a certeza que era sua respiração pesada, como se estivesse dormindo. Senti meu peito rápido, acelerei meu passo tropeçando em cada um deles, caindo algumas vezes.
 Então eu vi, uma luz prateada, sentada com a cabeça nos joelhos.
-O que está fazendo aqui? Sua voz era estranha, arranhada, como se não falasse a tanto tempo.
-Senti saudade. Sussurrei ainda de pé, olhando seu rosto, memorizando cada fio de barba fora do lugar, vendo-a brilhar como fogo na escuridão.
-Parece que me esqueceu. Sua voz não carregava emoção, eu sabia que ali na minha frente era apenas sua imagem distorcida do que eu queria que você dissesse.
-Não! Me ajoelhei com as mãos em seu rosto. -Não, não diga isso.
-Mas eu fiquei aqui em quanto você não falava comigo me deixou de canto.
-Não! Eu jamais faria isso. Colei nossas testas, senti sua falsa respiração em mim. -Viu, eu estou aqui, com você.
 Então eu te beijei, beijei seus olhos, suas têmporas, seus lábios, cada um de seus dedos, voltando e repetindo todos os beijos.
-Eu estou aqui. Estou aqui com você.
 Minha voz estava gasta. Eu precisava que você soubesse, queria que você soubesse.
-Estou aqui, está vendo?
 Deitei ao seu lado, seu corpo se aninhou ao meu enquanto ficamos em silêncio, aproveitei o falso você, a distorcida e corrompida memória de você.
 O falso de ti sorria como o verdadeiro, ria como o verdadeiro, até seu perfume era o mesmo, mas seu toque tinha sentimentos que o verdadeiro não carrega, seu toque era um mero espelho do meu desejo, da forma como eu toco em ti.
-Eu estou aqui. Estou aqui com você.
 Eu queria que você entendesse. Soubesse que eu jamais poderia dizer isso a ti, ao seu verdadeiro.
 Queria que você entendesse, que quando você some, eu me volto para o vazio que você se encontra, no fundo, escondido.
 A imagem perfeita de ti. Da forma como eu te desejo, com todo seu amor pra mim.
-Eu estou aqui, como sempre estive, como sempre estarei.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Neste dia em 2013

Hoje, eu fui acordada as 9 horas da manhã com a campainha, recusei-me levantar por alguns segundos, mas fiquei feliz por ter levantado,  quando abri a jenelinha da minha porta um morador de rua olhava pra mim com o sorriso mais bonito que eu já vi, mesmo tendo os dentes amarelados e tortos, fiquei feliz no mesmo instante, sua felicidade contagiava o ambiente. "Me desculpa te acordar mocinha," ele falou em uma voz enrolada, mas não por bebida, apenas por felicidade mesmo, nas mãos tinha uma sacola de plástico que ele agarrava como se fosse um tesouro e pra ele realmente era. "Queria te pedir um favor, será que você teria alguma coisa para me dar? Não to pedindo dinheiro nem comida, é só um temperinho mesmo, só um pouquinho de sal se não for fazer falta. É que eu acabei de ganhar essa sacola cheia de caranguejos e vou preparar ele na brasa, e não tenho tempero algum, já ganhei alho e cebola, quero deixar ele bem gostoso." Seus olhos brilhavam enquanto ele falava e eu logo fui atrás de um pote para colocar o sal pra ele, afinal hoje ele iria ter um banquete.
 Quando voltei com o sal, seus olhos estavam marejados e não parava de sorrir, entreguei-lhe o sal e ele descobriu um jeito de sorrir ainda mais, juro que achei que não fosse possível, parecia que o sorriso iria engolir ele e ele iria se transformar em um enorme sorriso. "Muito muito obrigada, e desculpe te acordar, espero que o seu dia seja tão bom quanto o meu está sendo." E sorrindo, com sua sacolinha e os temperos, ele se foi. E dentro de mim, ele deixou um rastro de felicidade.
 Boa tarde pra vocês, e espero que assim como eu, vocês vejam um sorriso tão grande que te contagie.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Seus Olhos.

Seus olhos me fitaram por um momento.
E por um momento senti calor.
Por um momento senti que estava flutuando no céu estrelado.
Por um momento, senti. Senti que podia voar, senti que podia amar, senti que podia sentir novamente.
Seus olhos me fitaram por um breve momento, um rápido e curto momento, talvez não chegaram a se focar em mim. 
Mas naquele momento eu vi um brilho que jamais tinha visto, que jamais irei ver novamente.
E por um momento, vi milhões de outros momentos.
Vi dedos entrelaçado em um entardecer, vi pés emaranhados em uma cama qualquer ao amanhecer.
Por um momento, vi milhões de beijos, bilhões de abraços, trilhões de juras.
Por um momento, aquele breve e curto em que seus olhos fitaram os meus, talvez desfocado, talvez não fosse para mim, mas...
Naquele momento, pude sentir teu peito no meu. Senti meu coração parar.
Mas o mais surreal é que naquele breve momento, eu senti. Apenas senti. 
E sentir foi a melhor coisa que me aconteceu, desde que seus olhos fitaram os meus.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Texto perdido de 2015

O dia amanheceu e eu voltei para casa, teu perfume, exalando de minha pele, penetrando em meu pijama e edredom, deito a cabeça no travesseiro e apenas sorrio. Sim, sem mais, apenas sorrio. 
Meu corpo treme, exausto em um espasmo de lembrança percorrendo minha mente.
Penso em como não queria ir embora, mas ao mesmo tempo penso no espaço perfeito pra mim na cama e pensando em como é bom finalmente te conhecer.
Não foi como pensei que seria, nada é. 
Parecem outros tempos, parece uma outra pessoa que não eu. Parece que aquele era meu sonho, e a realidade é essa, agora sentada na sala do meu pai cercada por minhas irmãs, parece que foi em um universo paralelo, mas foi apenas algumas horas. 
Troco o pijama, troco o edredom, tomo um banho estou exausta de corpo e mente. Mas teu perfume permanece em minha pele, em meu quarto, e ao deitar a cabeça no travesseiro, seu perfume me abraça te colocando em meus sonhos.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Texto #08

 Esperei tanto tempo por esse momento que parece irreal.
 Um sonho. Surreal. 
 Sei que a televisão está ligada, sei que o tempo continua passando.
 Mas eu apenas escuto sua respiração, seus olhos estão fechados quase dormindo, mas suas mãos continuam subindo e descendo em minha cintura.
 Esperei tanto tempo que sinto meu coração acelerado, será que você também sente? 
 O seu está calmo, acostumado a situação.
 Mas não eu. 
 Não me acostumei com a situação.
 Não me acostumei com você na minha frente, na minha cama, em mim...
 Não, eu não me acostumei.
 Sinto o peso da sua perna na minha e você me puxa.
 Meu sorriso um reflexo do seu.
 Você abre os olhos e sinto o mundo parar.
 'Que foi?'
 E eu apenas sorrio, não sei o que dizer.
 Não tenho o que dizer.
 Respiro fundo e fecho os olhos esperando que você o faça também.
 Solto a respiração, já consigo sentir. 
 Será que mais alguém consegue?
 Sinto o peso, sinto a música, as risadas.
 Respiro fundo e penso: Agora não.
 Então você me puxa de novo, de olhos fechados seus lábios tocam meu rosto.
 E então eu consigo ver, de olhos fechados. 
 Eu consigo ouvir, sentir as palavras se formarem. 
 Consigo sentir na minha frente e tudo que penso é para irem embora. 
 Estou apavorada, consigo sentir em cada centímetro do meu corpo. 
 Mais uma vez olho para ti, ainda sem acreditar.
 Parece um sonho, mas não é. 
 Sinto o peso em meu estômago. 
 Consegue ver também? 
 A verdade rindo enquanto tento negar, que a cada dia me apaixono mais e mais.
 Você abre os olhos e me pergunta 'o que foi?'
 Respiro fundo, sinto o peso em meus ombros.
 E eu tento apenas sorrir, não sei o que dizer.
 Não tenho o que dizer.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Tempo.

 Eu já sinto o tempo se esgotando.
 Consigo ouvir do relógio, os ponteiros se movendo.
 Tenho tanto a falar.
 Preciso tanto te falar.
 Mas ainda não é hora e não temos mais tempo.
 Hoje eu irei embora, calçarei meus sapatos e deixarei nossa cama.
 A cama que você nem chegou a conhecer.
 Levantarei a cabeça e me olharei no espelho, colocarei meu melhor sorriso e partirei.
 Minhas roupas e as lagrimas que deixo cair assim como o vento em meu cabelo trás o teu perfume a superfície.
 Parece me seguir a cada passo que dou.
 E a cada passo que dou me afasto de ti.
 Mas a tanto que eu preciso te falar.
 Consegue me ouvir?
 Preste atenção no vento, minhas palavras estão sussurradas nele.
 A chuva que cai sobre ti é uma lembrança minha.
 Está pensando em mim?
 A chuva está te fazendo sorrir? Pense nela como se fossem meus beijos cobrindo seu corpo.
 Consegue me ouvir, sentir?
 Aquele pássaro que cantou perto de ti, o vento soprou delicado beijando-lhe o rosto.
 Minhas palavras chegam em poesia.
 Feche os olhos e sinta.
 Calcei os sapatos, ergui a cabeça e dei adeus a nossa cama.
 Aquela que você nem chegou a conhecer.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Cadê você?

 Cadê você?
 Estou em minha cama esperando por ti,
mas cadê você?
 Te procuro em cada esquina, cada canto, todos recantos.
 Uso todos meus recursos para achar você, mas cadê?
 Meu corpo está frio, ao lado na minha cama tem um vazio.
 E tudo que quero é saber de ti.
 Te imagino, aqui ao meu lado.
 Corpo quente colado ao meu, sua voz sussurrando, rindo,
sorrindo.
 Mas cadê você?
 Deitado em outra cama, abraçado com outra pequena.
 Morena?!
 Agora você está em outra cama, em um sono distante.
 Mas te sinto, imagino comigo.
 Você irá acordar e olhar outros olhos, beijar outros lábios.
 Você irá sorrir para outra pequena, abraça-la.
 Enquanto ainda te desejo, te espero, te procuro.
 Em cada sono, sonho, esquina.
 Em todos os cantos, cada recanto.
 Te procuro.
 Mas cadê você?

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Texto #07 (De uma infinidade como as flores que crescem no Jardim)



 Guardei as flores que você me deu,
guardei-as no livro que conta nossa história.
 Guardei seus beijos em uma caixa, com datas e estrelas,
guardei-os para sentir nas noites solitárias.
 Assim como guardei teus carinhos e tua voz, que me embala no sono.
 Guardarei meu amor, para o dia que resolver me dar o teu.
 E então guardarei o teu, dentro do meu corpo, meu coração, minha alma.
 Não deixarei que nada o tire de mim, mas se quiser ir,
te guardarei na memória, e me lembrarei todas as noites antes de dormir,
para assim, te ver em meus sonhos.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Quero você.

 Quero seus dedos entrelaçados aos meus, quero seus beijos roubados de baixo das cobertas, quero que me beije no meio das frases apenas por não conseguir ficar longe de meus lábios.
 Quero telefonemas e mensagens no meio da madrugada, você dizendo que sentiu saudade, ou rindo da minha voz de sono e por não falar frases com sentido.
  Quero fugir no meio da noite para te encontrar, quero passeios de carro na madrugada apenas por não ter nada de bom passando na televisão.
Quero seu corpo junto ao meu. Quero deitar minha cabeça em seu peito e sentir o seu calor, ouvir seu coração. Quero poder adormecer em seu colo, enquanto te faço carinho.
 Quero poder te fazer cafuné nas minhas noites de insônia enquanto você dorme.
 Quero te manter em segredo, mas também quero "te" gritar para o mundo. 
 Quero novos caminhos, novos cantos, novos lugares, mas quero todos com você. Também quero te mostrar minha antiga escola, ou onde eu estava quando nos conhecemos. 
  Quero conhecer seus amigos e te apresentar os meus. Quero rir enquanto você brinca com meus amigos, e quero ouvir suas histórias com os seus.
  Quero você. Seu cabelo, seus lábios, suas mãos. Quero você de corpo, coração e alma. 
 Quero você por inteiro. 
 Assim como quero me dar inteira pra ti.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Sober - Selena Gómez.

O telefone tocou eram três horas da manhã e eu não precisava ver no identificador de chamadas para saber quem era, seu toque não era diferente dos outros mas só podia ser ele.
 "Só poderia ser você. Quem mais seria as três da manhã?"
 Atendi, mesmo sabendo que não deveria, eu me dizia para desligar e voltar a dormir, mas meu corpo ansiava para apertar aquele botão, mesmo sabendo que me decepcionaria.
 Sua voz estava enrolada, alta demais para o silêncio escuro de meu quarto, mas longe o bastante pra que meu coração doesse de saudade. Ele não dizia nada que fizesse sentido, mas eu sabia encontrar a ligação entre as palavras, conseguia montar a frase que ele dizia, ou seria a que eu queria ouvir?
 -Estou na sua porta. Foi o que ele murmurou entre tropeços. -Estou precisando de você, a chave não está no lugar. Cadê você?
 Sabia o que tinha que fazer, ele precisava ir para casa, deitar na cama, na sua não na minha.
 Eu conseguia sentir o cheiro da cerveja pelo celular, eu conseguia sentir o cheiro das outras mulheres com quem ele esteve na noite, mas por algum motivo eu me levantei, por algum motivo eu sorri antes de abrir a porta.
 Por algum motivo eu destranquei a porta, e seu sorriso me fez esquecer todos os motivos pelo qual eu não deveria deixa-lo entrar.
 -Meu deus como você está linda. Sua voz era suave, não estava mais ao tropeços.
-E você está bêbado, de novo.
-Isso não muda o fato de você ser linda quando acorda no meio da madrugada.
 Aquele sorriso novamente, aquele brilho no olhar, droga, aquelas palavras sempre funcionavam. Deixei que ele entrasse, deixei seus lábios descansarem nos meus, deixei suas mãos, sua língua e seu corpo explorar o meu.
 Aos tropeços caímos em minha cama em um caminho cego pela casa.
 A madrugada ficou quente, o silêncio foi cortado, meu corpo tremia ao seu toque, minha mente se encolhia com seus beijos, sua voz era a música que fazia nossos corpos dançarem no mar de lençóis.
 Eu sabia que essa não era a coisa certa. Não era certo em nenhuma forma, mas meu corpo precisava desse toque, do toque dele, poderia não ser certo, mas parecia ser.
 Eu sabia que ele iria dormir até meu despertador acordá-lo, sabia que iríamos repetir, era uma dança sem fim.
 Mas não seria o mesmo quando ele acordasse e não tivesse o álcool em seu organismo. Não seria o mesmo, seu toque seria mais frio, mais distante. Sabia que teria terminado assim que ele dormisse.
 Eu não deveria deixa-lo entrar, deveria deixa-lo ir embora, mas eu amava nossos pequenos momentos onde nos entregávamos, seu poder sobre mim não é algo fácil de entender, estamos em tempos diferentes.
 Eu me dei por inteiro, meu sonho e desejo desperdiçado.
 Caímos exaustos lado a lado, seus braços me puxaram para perto, seus lábios percorreram meu pescoço até chegar em minha orelha, meu corpo tremeu mesmo exausta eu queria ele. Mais, sempre.
-Você não entende o poder que tem sobre mim, não é? Céus como eu te amo.
 Aquele momento, a mesma frase antes de ele cair no sono, o mesmo jogo todas as vezes, partindo meu coração com suas palavras.
-Se você ao menos soubesse como me amar quando você está sóbrio.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Five Years -David Bowie

 Cinco anos se passarão, e eu continuarei lembrando de você.
 Talvez não do som da sua risada, mas lembrarei de como ela era alta no silêncio e de como ela me fazia sorrir inquieta.
 Talvez não conseguirei lembrar exatamente do seu perfume, mas lembrarei de como me sentia nas nuvens quando tirava minha roupa e ainda conseguia senti-lo, e de como ele me seguia para onde quer que eu fosse. E de como seu perfume me surpreendia no meio da rua, ou no meio de um sonho.
 Talvez eu não consiga de fato lembrar de todos nossos beijos, mas sempre me lembrarei da sensação de teus lábios, de como suas mãos macias passeavam pelo meu corpo.
 Talvez, por algum motivo eu me vá ou você se vá. Talvez por algum motivo não voltemos a nos ver, mas eu continuarei olhando para os lado e vendo você, sorrindo da forma que sorri para mim, talvez você acene, sorria de longe.
 Outros cinco anos se passarão mas continuarei lembrando de você. Não importa quantas coisas terei passado, você continuara em meus pensamentos.
 Consciente e/ou inconscientemente.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Margaridas, Mar e você.

 Queria que você voltasse com um vaso de margaridas que você comprou no caminho, que você dissesse "eu vi no semáforo e sabia o quanto você ama margaridas, então parei o carro e comprei o vaso mais bonito que vi!" Ah como queria.
 Você iria chegar assim de surpresa, tocaria a campainha meio com medo de minha mãe atender, meio com medo de eu não estar, eu iria aparecer descabelada e de pijama, e você iria sorrir. "Cheguei pequena" sua voz iria ecoar e eu iria brigar com o portão, mas iria te abraçar com tanta força e saudade. Ah sim, eu iria!
 Mas iria me recompor, te convidar para entrar, oferecer água, ou quem sabe um café? Sentaríamos na cama, assim meio afastado, meio envergonhados. Eu abraçaria o travesseiro, você apertaria minha coxa.
 Ah que vontade de me juntar, te agarrar.
 Então iríamos falar sobre sua viagem, sobre as coisas que viu, e as coisas que sentiu falta, e em meio a sua família e amigos você diria que sentiu falta de mim.
"Senti falta da minha Pequena. Senti sim. Foi estranho já que não achei que sentiria tanto, mas até aí, não sabia o quanto eu gostava de você, não sabia que eu podia te amar e nem perceber" 
 E assim, meio sem jeito, meio escondido, eu iria sorrir, perdida tentando entender o que ouvi. Então eu falaria, meio perdida, que eu não via a hora de falar o mesmo. Que eu senti a falta e que eu não conseguia mais esconder meus sentimentos.
 Ah, mas esse dia ainda não chegou.
 Contínuo escondendo, tentando não deixar ele passar pelas rupturas, não pode passar.
 Esse dia ainda não chegou, e enquanto isso, eu compro minhas próprias margaridas, e digo ao mar o que não posso te dizer, mas esperando que ele entregue minha mensagem.