sábado, 14 de novembro de 2015

Outro texto perdido. 22.10.2014

A chuva manchava o vidro da janela e os galhos das árvores faziam barulhos como se alguém estivesse me chamando lá de fora na escuridão, será que não?
Fechei meus olhos e tentei dormir, as lágrimas ainda insistiam em cair, minha cabeça girava ou seria o quarto? Ou será que eu estava muito parada e conseguia perceber a terra girar? Não. Ridículo. Ninguém sente a terra girar.
Eu ouvia seus gritos, eram aterrorizantes. Coloquei o travesseiro na cabeça e sufoquei os gritos. Catherine gritava. Heathcliff praguejava. E eu? Eu chorava. 
Ninguém vai vir me salvar?
Ora, que os dois se matem, que os dois se odeiem, que vão para o inferno e me deixem dormir.
Deixe as lágrimas cair, que os galhos batam, que a dor sufoque. Mas façam os gritos se calarem, escutem o socorro dessa alma agoniada. Não a que se foi, Catherine que agonize. Mas escute o meu socorro, leve Heathcliff para junto de sua amada, me leve para junto de meu amado, me leve para algum lugar que não junto desses gritos e dores.
Pro raio que o parta. Pro inferno. Me deixe sangrar, me deixe morrer. Catherine e seu amor não me deixam ao menos morrer em paz. Sou como o pobre Linton no meio do tiroteio, e acabei saindo ferida. Estou morrendo Catherine, estou morrendo Heathcliff. Meu sangue esta escorrendo e minha alma se esvaindo. 
Adeus amantes. Adeus pobre Linton. 
A chuva parou, os galhos se calaram, estava tudo escuro e parado. Finalmente.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Texto perdido de 18.10.2014

- Ah menina corre,ele disse me olhando nos olhos. Corre que é cilada, ninguém merece se apaixonar por esse cara. Corre menina. Coloque os tênis de corrida e fuja.
 Ah, mas esses doces olhos.
 Eu disse para aquele novo amigo,
aquelas mãos, que hoje são meus abrigo.
 Meu coração, pulmão,
todos pararam quando olhei aqueles olhos.
 Hoje já não sei como serei.
 Sem meu doce capitão.

 A sereia me olhou do alto de sua mão.
 Corre menina, não se apaixone não.
 Mas já é tarde novo amigo.
 Esse homem agora é meu abrigo.
 Meu coração agora, 
pertence ao marujo de barba vermelha.

domingo, 8 de novembro de 2015

Texto #06


São duas da manhã, quase três e cá estou eu olhando esse quadro que me assusta.
 São duas da manhã e qual a novidade se eu disser que meus pensamentos estão em ti?
 Olho pro quadro pensando em como ele me dá medo.
 Todas essas pessoas me olhando, vendo e julgando tudo o que faço.
 Será que estou em minha melhor pose? Meu cabelo ta bagunçado? Deixo ele preso ou deixo-o cobrindo meus seios? Será que dá pra me ouvir?
 Ele me olha, tantos pares de olhos me olhando, julgando.
 Será que ouviu minha risada nervosa, aliás, será que ouviu minhas lágrimas caindo durante a madrugada?
Já são três horas da manhã, essa hora eu já não devia mais estar pensando em você.
 Quase não sinto mais teu perfume na minha cama, na televisão não tem nada que me faça lembrar de ti. Não há motivos pra meus pensamentos estarem aí.
 Mas esse maldito quadro!
 Essa maldita visão.
 Eles me olham, me julgam.
 Maldito quadro! Maldito, maldito quadro.
 Sei que se eu abrir minha gaveta, aquela fechada com chave, teu perfume simplesmente vai escapar. Talvez ele tenha ficado preso ali.
 Mas não entendo a relação do quadro com você.
 Não entendo essa fixação do quadro, e eles parecem rir de mim.
 Eles me dão medo, com todos esses risos e olhares, parecem que sabem de algum segredo.
 Talvez ele saibam. Maldito quadro.
 Fecho os olhos e te sinto, escuto tua risada, vejo teu sorriso.
 São três da manhã e cá estou eu pensando em ti.
 Deito a cabeça no meu travesseiro, seu perfume ainda não saiu completamente, e me sinto envolvida por você.
 Já são três e meia, ainda falta meia hora pro desenho começar.
 E agora me pergunto o que ele sabe; O maldito quadro.
 Será que ali, com o corpo suado, olhares sendo trocados e as risadas altas, será que ali ele podia ver?
 Me pergunto, será que meu cabelo ta bagunçado? Tantos pares de olhos me julgando.
 O quadro ainda me assusta, teu perfume me envolve, e eu ainda não sei o que meus pensamentos fazem em você.
 Mas enquanto eles riem de mim, eu rio deles. Tolinhos presos em quadro enquanto eu fico com toda ação

domingo, 1 de novembro de 2015

Aquele canto listrado.

 Nossos corpos suados e entrelaçados,
 Largados em um canto listrado.
 Agora tudo quieto, onde antes a bagunça predominava.
 Sua respiração irregular em meu ouvido.
 Minha mão na sua.
 Fecho os olhos e seu sorriso invade minha mente.
 Fecho os olhos e sinto seu peso em mim, sua voz em meu ouvido, sem palavras apenas sua voz.
 Abro os olhos e minhas pernas vacilam.
 Todo meu corpo treme.
 Respiro uma, duas vezes.
 Seus braços me puxando para perto, sua respiração tranquila em meu pescoço.
 Sorrio com a forma mais vulnerável de mim, de ti.
  Fecho os olhos e um emaranhado de nós surge em minha mente, dois corpos se tornando um.
 Dois corpos amontoados, tremendo em um canto listrado.
 Você me puxa para mais perto, como se fosse possível, sinto o sorriso em seus lábios.
 Seu riso é suave, baixo.
 Me faz sorrir e olho para ti.
 Olhos fechados.
 Um novo sorriso.
 Seus lábios encontram os meus.
 Minhas pernas tremem, enquanto nossos corpos suados e entrelaçados, permanecem largados em um canto listrado.