terça-feira, 11 de agosto de 2015

Texto #02 (De mais um infinito de sentimentos)

No momento em que abri a porta e coloquei o pé dentro daquele carro eu soube que ele era a pessoa errada para mim.
 Senti todo meu corpo se arrepiar e meus órgãos se contraírem, minha mente em alerta, sussurrando como o vento dizendo que ele não era a pessoa certa. Eu simplesmente soube.
 A conversa fluía. O riso era sincero, como não acontecia a muito tempo, anos talvez. Mas nós conversávamos como se fôssemos as pessoas certas.
 Meu corpo ia para frente enquanto minha mente dizia para recuar, e ele cada vez mais para frente no espaço limitado dos bancos da frente do carro. Era questão de tempo. Era questão de milímetros.
As mãos dele em meu joelho, e toda a minha perna formigando com a sensação e os círculos que ele desenhava hora ou outra.
 Nossos lábios se encontraram e minha mente gritava cuidado, mas ao mesmo tempo gritava para não parar, para não precisar ir pra casa, gritava para continuar, criando uma batalha muda em meu ser. Aquela mão macia subindo indo contra os protestos que não chegavam a se formular, deixando um rastro de formigamento, uma energia pulsando pela minha perna, os dedos habilidosos brincando com o elástico da minha calcinha deixando todo meu corpo em completo êxtase.
 O mundo ficou mudo, as partes em desacordo em minha mente calaram-se, aproveitando o momento, pedindo que não amanhecesse, pedindo que o tempo parasse e nós dois continuássemos ali naquele momento.
 Mas eu sabia o tempo todo que ele é a pessoa errada para mim. Talvez ele seja a pessoa errada para mim, porém na hora certa.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Like a flower, I need rain.

 Tentei manter-me sã em meio a tempestade, mas eu estava em um mar de lágrimas quando ele apareceu.
 Desnorteada em uma noite infinita de tormenta, eu, que sempre amei as chuvas me vi assustada com tantos sons e lampejos. Eu que sempre amei. Me vi a deriva.
 Ele não era o sol, de forma alguma, mas trouxe luz e calor, as lágrimas cessaram e a tormenta se fora.
 A chuva leve caia em meu corpo, limpava as impurezas, fazia a grande tormenta parecer tão distante. Mas aquela chuva parecia um sonho, pareciam outros tempos.
 Em meio minha tempestade, ele foi a chuva leve que me lavou. E por mais que eu saiba que essa chuva é rara e passageira, desejo de todo coração que ela possa ficar.
 Quero me banhar na chuva fina.
 E não voltar mais para a deriva, não voltar para o meio da noite de tormenta infinita.

sábado, 1 de agosto de 2015

 Ah coração, coração. Dê me um descanso, me deixe respirar um ar limpo, um ar puro.
 O que aconteceu para você acelerar? Minhas bochechas estão vermelhas, pra que tanto sangue circulando nelas?
 Ah, coração coração.
Para que tanta pulsação? Vai devagar.  Já falei que agora não é uma boa hora, descanse, você apanhou muito já.
 Não crie expectativas, não fique afobado, escute o que eu lhe digo, ta na hora de aproveitar.
 Ah,  pobre coração.
 Não entendo porque não me escuta. Eu sou sua dona, mas parece que você quem manda por aqui, o cérebro também não ajuda, te passando os filmes água com açúcar que você quer ver, lembrando momentos que eu prefiro não reviver, não assim. Só ao vivo.
 Ah, droga! É um complô agora.
 Vocês acham que vão me vencer? Não dizem que o corpo é mais forte que a mente? Ou é o contrário? Não pode ser, eu que mando aqui!
 Cérebro pare com essas memórias!
 Coração, se acalme!
 Estou no controle agora, não irei me perder em um sorriso.
 Se acalme. Respire. Mantenha-se controlado.
 Respira.
 Eu que mando aqui!