quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

O amor que te destrói.



-Mais alguma coisa senhorita? Meus olhos permaneciam a cima da cabeça do velho, em uma pequena caixa amarelada - Senhorita?
-Uma caixa de Camel’s, por favor. Sorri enquanto via a mão enrugada pegar a caixa amarelada, copiar o código e os números 4,70 serem adicionados naquela tela do computador.
 Mas não era só isso que eu via, eu via meia noite depois de um longo sexo, eu via a fumaça voar por aquele quarto azul com mobílias horríveis e nada combinando, eu ouvia risadas e ouvia a voz daquele ser falando ‘Se continuar fumando desse jeito vai virar um trem. ’ E eu sempre respondia que só fazia aquilo depois de um bom sexo, e era sempre assim, essa era a frase que desencaminhava mais uma sessão puro prazer.
  Lembrei-me do dia que eu fiquei brava. Realmente brava quando soube que aqueles lábios puros haviam sido tocados pela droga que carrego em meu bolso traseiro.
 “Você vive com os cigarros na boca, eu apenas experimentei. Não entendo sua hipocrisia” lembro-me de ter ficado ainda mais nervosa e desistido da conversa, lembro-me de sair andando e o deixado lá.  Nunca contei o motivo.
 Paguei ao velhote e acendi o meu cigarro, estava chovendo como se do céu um oceano caísse, também fazia muito frio, mas Deus como eu adorava aquilo.
 Fiquei debaixo do toldo azul vendo a chuva cair em torrentes, e as pessoas passarem apressadas de baixo de seus guarda-chuvas, a fumaça embaçava minha visão o que deixava tudo mais surreal, que é como tem sido o mundo para mim desde que eu fugi.
 Meu deus eu fugi do mundo, da vida que eu tinha quando ele resolveu ir embora. Não esperei ele se explicar, não esperei que ele voltasse, arrumei minhas malas e sumi.
 Não dei adeus aos meus amigos, não dei adeus aos meus familiares. Meu deus como eu sinto saudade da minha família, será que meus amigos irão me perdoar se eu ligar para eles? Será que minha família acha que eu morri?
 De certa forma eu morri.
 De certa forma eu já estava morta.
 O cigarro acabou, o coloquei no saco das compras, eu nunca jogava na rua.
 Acendi outro. Meu deus porque eu ainda não morri?
  Comecei a rir ao lembrar que eu falava que nunca iria colocar um cigarro na boca, como era engraçado como as coisas mudavam tão drasticamente.
-Senhorita? Ouvi uma voz me chamar, um garoto vestido com um longo casaco vermelho, devia ter por volta dos quatorze anos. –Poderia me dar um? Ele apontou para o meu cigarro. Eu ri.
-Não. Olhei para ele com desdém, iria ser bonito quando virasse homem.
-Olha, eu não sou inexperiente, os meus acabaram ok?
-Ok. Falei secamente.
-Vai me dar um ou não?
-Não, isso pode te matar.
-Então porque você fuma? Aliás, já o segundo desde que te observo.
-Vou te contar um segredo menino. Dei uma longa tragada sentindo-o em mim e soltando levemente- Eu fumo porque eu não tenho nada a perder, pois já tentei de todas as formas, e essa é a forma que eu consegui me adaptar. É algo que acalma a alma ao mesmo tempo que me mata. Aos poucos, lentamente. Você ainda tem muito para ver, tem muito a aprender, tem muito a amar.
-Você fala como se fosse velha.
-Sou mais do que você.
-Mas você ainda tem muito para ver, muito a aprender e muito pra amar.
-Sei disso, menino, sei disso. Mas o mundo não será o mesmo daquele em que eu acreditei que viveria, com sorte, isso aqui me matará antes que eu possa amar novamente. Com sorte.
  O menino ficou me olhando, meu coração era negro, sabia disso. Terminei o ultimo cigarro e guardei as compras na bolsa, estava chovendo cada vez mais.
-Não se destrua. Não deixe que ninguém te destrua menino. O amor já faz isso por ti. Ele já te mata, aos poucos.
 Pisquei para ele e caminhei.
Eu estava repleta de amor, todo o meu ser amava, cada célula, cada parte de mim era amor, mas com sorte. Ah!  Com sorte eu morreria antes de poder me aventurar a amar outro alguém.

sábado, 14 de novembro de 2015

Outro texto perdido. 22.10.2014

A chuva manchava o vidro da janela e os galhos das árvores faziam barulhos como se alguém estivesse me chamando lá de fora na escuridão, será que não?
Fechei meus olhos e tentei dormir, as lágrimas ainda insistiam em cair, minha cabeça girava ou seria o quarto? Ou será que eu estava muito parada e conseguia perceber a terra girar? Não. Ridículo. Ninguém sente a terra girar.
Eu ouvia seus gritos, eram aterrorizantes. Coloquei o travesseiro na cabeça e sufoquei os gritos. Catherine gritava. Heathcliff praguejava. E eu? Eu chorava. 
Ninguém vai vir me salvar?
Ora, que os dois se matem, que os dois se odeiem, que vão para o inferno e me deixem dormir.
Deixe as lágrimas cair, que os galhos batam, que a dor sufoque. Mas façam os gritos se calarem, escutem o socorro dessa alma agoniada. Não a que se foi, Catherine que agonize. Mas escute o meu socorro, leve Heathcliff para junto de sua amada, me leve para junto de meu amado, me leve para algum lugar que não junto desses gritos e dores.
Pro raio que o parta. Pro inferno. Me deixe sangrar, me deixe morrer. Catherine e seu amor não me deixam ao menos morrer em paz. Sou como o pobre Linton no meio do tiroteio, e acabei saindo ferida. Estou morrendo Catherine, estou morrendo Heathcliff. Meu sangue esta escorrendo e minha alma se esvaindo. 
Adeus amantes. Adeus pobre Linton. 
A chuva parou, os galhos se calaram, estava tudo escuro e parado. Finalmente.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Texto perdido de 18.10.2014

- Ah menina corre,ele disse me olhando nos olhos. Corre que é cilada, ninguém merece se apaixonar por esse cara. Corre menina. Coloque os tênis de corrida e fuja.
 Ah, mas esses doces olhos.
 Eu disse para aquele novo amigo,
aquelas mãos, que hoje são meus abrigo.
 Meu coração, pulmão,
todos pararam quando olhei aqueles olhos.
 Hoje já não sei como serei.
 Sem meu doce capitão.

 A sereia me olhou do alto de sua mão.
 Corre menina, não se apaixone não.
 Mas já é tarde novo amigo.
 Esse homem agora é meu abrigo.
 Meu coração agora, 
pertence ao marujo de barba vermelha.

domingo, 8 de novembro de 2015

Texto #06


São duas da manhã, quase três e cá estou eu olhando esse quadro que me assusta.
 São duas da manhã e qual a novidade se eu disser que meus pensamentos estão em ti?
 Olho pro quadro pensando em como ele me dá medo.
 Todas essas pessoas me olhando, vendo e julgando tudo o que faço.
 Será que estou em minha melhor pose? Meu cabelo ta bagunçado? Deixo ele preso ou deixo-o cobrindo meus seios? Será que dá pra me ouvir?
 Ele me olha, tantos pares de olhos me olhando, julgando.
 Será que ouviu minha risada nervosa, aliás, será que ouviu minhas lágrimas caindo durante a madrugada?
Já são três horas da manhã, essa hora eu já não devia mais estar pensando em você.
 Quase não sinto mais teu perfume na minha cama, na televisão não tem nada que me faça lembrar de ti. Não há motivos pra meus pensamentos estarem aí.
 Mas esse maldito quadro!
 Essa maldita visão.
 Eles me olham, me julgam.
 Maldito quadro! Maldito, maldito quadro.
 Sei que se eu abrir minha gaveta, aquela fechada com chave, teu perfume simplesmente vai escapar. Talvez ele tenha ficado preso ali.
 Mas não entendo a relação do quadro com você.
 Não entendo essa fixação do quadro, e eles parecem rir de mim.
 Eles me dão medo, com todos esses risos e olhares, parecem que sabem de algum segredo.
 Talvez ele saibam. Maldito quadro.
 Fecho os olhos e te sinto, escuto tua risada, vejo teu sorriso.
 São três da manhã e cá estou eu pensando em ti.
 Deito a cabeça no meu travesseiro, seu perfume ainda não saiu completamente, e me sinto envolvida por você.
 Já são três e meia, ainda falta meia hora pro desenho começar.
 E agora me pergunto o que ele sabe; O maldito quadro.
 Será que ali, com o corpo suado, olhares sendo trocados e as risadas altas, será que ali ele podia ver?
 Me pergunto, será que meu cabelo ta bagunçado? Tantos pares de olhos me julgando.
 O quadro ainda me assusta, teu perfume me envolve, e eu ainda não sei o que meus pensamentos fazem em você.
 Mas enquanto eles riem de mim, eu rio deles. Tolinhos presos em quadro enquanto eu fico com toda ação

domingo, 1 de novembro de 2015

Aquele canto listrado.

 Nossos corpos suados e entrelaçados,
 Largados em um canto listrado.
 Agora tudo quieto, onde antes a bagunça predominava.
 Sua respiração irregular em meu ouvido.
 Minha mão na sua.
 Fecho os olhos e seu sorriso invade minha mente.
 Fecho os olhos e sinto seu peso em mim, sua voz em meu ouvido, sem palavras apenas sua voz.
 Abro os olhos e minhas pernas vacilam.
 Todo meu corpo treme.
 Respiro uma, duas vezes.
 Seus braços me puxando para perto, sua respiração tranquila em meu pescoço.
 Sorrio com a forma mais vulnerável de mim, de ti.
  Fecho os olhos e um emaranhado de nós surge em minha mente, dois corpos se tornando um.
 Dois corpos amontoados, tremendo em um canto listrado.
 Você me puxa para mais perto, como se fosse possível, sinto o sorriso em seus lábios.
 Seu riso é suave, baixo.
 Me faz sorrir e olho para ti.
 Olhos fechados.
 Um novo sorriso.
 Seus lábios encontram os meus.
 Minhas pernas tremem, enquanto nossos corpos suados e entrelaçados, permanecem largados em um canto listrado.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Aquela garoa.

Meu corpo está leve, o vento em meus cabelos levando-os para trás e para frente como asas.
 Sinto que estou voando enquanto o balanço me leva para cima e para baixo, sinto algumas gotas e levanto a cabeça, as nuvens se juntam em um abraço, talvez estejam se despedindo, talvez se encontrando.
 Mas elas choram.
 Suas lágrimas caem em meu corpo, lavando minha alma, molhando meus cabelos que caem como um manto negro e pesado em minhas costas.
 Elas choram enquanto meu ser é renovado.
 O céu está claro, as pessoas passam correndo para tentar se esconder, mas eu contínuo em meu balanço.
 Para cima.
 Para baixo.
 O vento está mais gelado, cortando-me como facas, mas eu contínuo. Isso não me machuca, apenas me faz feliz.
 Olho para o céu, a chuva caindo enquanto as nuvens ainda se abraçam, da pra ver que se amam. Se está partindo, vai deixar saudade. Se está chegando, está matando a saudade.
 E elas choram.
 Enquanto eu sorrio.
 Me sinto leve. Finalmente livre, a chuva marca o fim e o começo de uma nova era.

domingo, 25 de outubro de 2015

Pra você.

 Desamarrei o roupão e deixei que o tecido macio escorregasse em meus ombros, acariciando minha pele nua por baixo.
 Respirei fundo olhando ao redor, duas horas da manhã e eu sinto sua falta, sinto como nunca senti. Sinto sua presença, parado atrás de mim, suas mãos descem em meus braços e brincam com meus dedos.
 Me recuso a abrir os olhos, me recuso olhar meu quarto e ver que você não está aqui, que você nunca esteve aqui.
 São duas da manhã e eu estou acordada, parada no meio do meu quarto, o roupão em semi-círculo no chão e uma ilusão sua atrás de mim. Estou nua, em todos os sentidos.
 Aos poucos deixei cair esses muros sabendo que você não se atreveria a pula-lo. Aos poucos abaixei a muralha, tijolo por tijolo sabendo que você estaria ocupado demais para notar a passagem.
 Estou parada nua. Essa sou eu. Isso é tudo.
 Cada cicatriz a mostra.
 Essa sou eu, despida de barreiras. Lhe mostrando tudo que sou.
 Cada sentimento e pensamento que posso ter as duas da manhã. E todos eles gritam a saudade de ti.
 Respiro fundo e deixo a ilusão de você conduzir a dança dessa música que toca persistente em minha mente desde que te conheci.
 Você pega minha cintura e nós rodamos pelo quarto como se estivéssemos em um grande salão, minha cabeça na curva de seu pescoço, e seu perfume em todo o ambiente.
 Apesar de não saber dançar você me conduz e eu simplesmente flutuo. Estamos sincronizados até seu imaginário coração bate no mesmo ritmo do meu iludido coração.
 Dançamos como ninguém, a música parece durar uma eternidade, e quando chega ao fim seus lábios encontram os meus. Eu sorrio enquanto vejo a ilusão de você sumir, nossas mãos no clássico clichê onde estão perto mas não se encontram.
 Deixo as lágrimas caírem enquanto a chuva aumenta.
 Ainda são duas da manhã quando abro os olhos e pego o roupão no chão, penduro-o no cabide, seco as lágrimas e ascendo um incenso para tirar seu perfume do meu quarto, do meu ser. Fecho os olhos e faço um pedido.
 "Que a chuva te leve embora."

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Uma chama acesa.


Sei que não irei mais te ver.
 Nossos caminhos não irão mais se encontrar.
 Talvez eu te veja, um vislumbre de seu ser  atravessando a rua. Talvez eu esbarre em ti ao ficar distraída com uma loja, ou um cachorro.
 Nossos corpos podem se encontrar, mas nossas almas estão fadadas a esse mesmo momento, paradas no passado. Estagnadas ao nosso primeiro e único momento.
 Sei que não irei mais te ver, assim como sei que você jamais irá me ver.
 Sou apenas um rosto no meio de todos que você viu, sou um fantasma que te da calafrios.
 Por mais que eu lute e tente te encontrar, por mais que eu mantenha minhas esperanças altas, sei que aquele foi nosso adeus.
 Ainda levo comigo a carta que te escrevi, presa nas páginas de uma nova história do livro que estou lendo, para não se perder na bagunça da minha bolsa.
 Carrego comigo a carta dizendo o que sinto, dizendo o que espero e não espero nada além de que você seja feliz. Carrego comigo pois ainda espero te entregar, pois ela mantém uma pequena chama acesa em meu peito.
 Mesmo sabendo que não iremos mais nos ver.
 Mesmo sabendo que não irão me ligar, deixo meu telefone pedindo por uma informação.
 Mesmo sabendo que sua vida está feita, sonho com um futuro nosso.
 Mesmo sabendo que você não lembra de mim, ainda peço aos céus que me coloque em seu sonho.
 Mesmo sabendo que não há esperança, ela continua em mim, um pequeno fio prata quase invisível, uma chama pequena insistindo em brilhar mesmo que não clareie o cômodo.
 E assim sigo.
 Nossos caminhos não irão se cruzar, aquele foi nosso adeus.
 Sei disso.
 Sei que não iremos mais nos ver.
 Mas mantenho a carta sempre pronta, me mantenho sempre alerta.
 Mesmo que seja apenas por um vislumbre imaginário de seu sorriso.

domingo, 18 de outubro de 2015

Texto #05 (Daqueles infinitos sentimentos)

  Eu me pergunto o que você faz, se nesse momento você está em sua cama dormindo ao lado de alguém, ou se você está em algum bar tomando aquele gole extra da coragem que precisa para chegar na garota de vestido colado olhando para você enquanto brinca com o cabelo.
 Me pergunto se hoje eu sou um fantasma que as vezes aparece em seu sonho ou aquele arrepio no meio da rua que você não sabe o que é, ou se eu sou mais um rosto que passou em sua vida.
 Será que você procura por mim assim como eu procuro por você? Você imagina as possibilidades se eu tivesse ficado ali mais um dia, uma semana, mais um ano? Você guarda suas lembranças de mim como eu guardo as suas?
 Lembra como eu ficava vermelha toda vez que você tocava minha mão, como eu costumava brincar com meu medalhão, abrindo-o e fechando toda vez que ficava ansiosa? Será que você lembra  do beijo que nunca aconteceu, mas que seria tão estranhamente reconfortante?
 Me pergunto se um dia nossos olhos irão se encontrar novamente, talvez no meio da rua enquanto eu estiver saindo da livraria e você entrando, então eu darei aquele sorriso tímido e meus olhos irão brilhar, eu ficarei gelada e meu coração acelerado, mas você iria saber quem eu sou e iria parar para conversar ou seguirá seu caminho?
 Será que iremos nos encontrar em uma escada rolante novamente?
 Me pergunto por onde você anda, e se você se pergunta sobre onde eu ando.
 Eu me pergunto o que você está fazendo agora, se você está virando de lado na cama enquanto mergulha em um sonho. Me pergunto se nesse momento você está olhando em meus olhos me puxando para perto de si, se estamos em uma praia ou se você me procurou em casa. Se você está me puxando para um beijo ou para sussurrar que sentiu minha falta.
 Eu sempre lembrarei de nosso beijo e como suas mãos me seguravam como se eu pudesse escapar pelos seus dedos, como se a qualquer momento pudéssemos acordar.
E eu me pergunto se em algum momento você desejou acordar.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Texto #04 (Do infinito que eu gostaria de dizer)


As vezes gostaria de ser sincera, ter pelo menos um dia de coragem insana.
Eu iria te falar coisas que eu me proíbo até de pensar com medo que de alguma forma, a quilômetros de distância você consiga ouvir em minha mente, ler em minha expressão.
Te diria que me apaixonei pelo teu ser desde o primeiro Oi, aquele tímido mesmo. Que seu toque fez eu me arrepiar de uma forma que eu jamais imaginaria. 
Eu olharia em seus olhos e diria que seu sorriso é lindo e sua risada ecoa em meu quarto, assim como seu perfume está presente até mesmo nas minhas roupas que você nunca tocou. 
Diria que toda vez que nego estar apaixonada, imagino se alguém percebe a mentira, se meu nariz cresce, se algo me denúncia.
Se eu tivesse esse dia de coragem insana correria até você e diria que em todo boa noite que escrevo meu cérebro fala eu te amo.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Texto #03 (Do infinito de telvez)

Ainda  não me acostumei a ter você andando pela casa, tão confortável e a vontade, tão desnudo do medo como se não tivesse acabado de chegar.
 Não me acostumei com seus pedidos insistentes de madrugada quando eu o deixo dormir no sofá, assim como não me acostumei a ter você em minha cama.
Confesso que nunca esperei um ser tão carente de mim como você, durante as tardes nubladas deita ao meu lado e permanece por horas pedindo carinho, pedindo por amor.
E eu ainda não me acostumei a te chamar de meu.
Talvez eu nunca me acostume, talvez eu sempre me pergunte se é um sonho, você aqui comigo.
Talvez eu nunca me acostume com nossas brigas pelo maior espaço na cama, ou para ver quem chega primeiro a cozinha.
Talvez eu nunca me acostume com você.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Texto #02 (De mais um infinito de sentimentos)

No momento em que abri a porta e coloquei o pé dentro daquele carro eu soube que ele era a pessoa errada para mim.
 Senti todo meu corpo se arrepiar e meus órgãos se contraírem, minha mente em alerta, sussurrando como o vento dizendo que ele não era a pessoa certa. Eu simplesmente soube.
 A conversa fluía. O riso era sincero, como não acontecia a muito tempo, anos talvez. Mas nós conversávamos como se fôssemos as pessoas certas.
 Meu corpo ia para frente enquanto minha mente dizia para recuar, e ele cada vez mais para frente no espaço limitado dos bancos da frente do carro. Era questão de tempo. Era questão de milímetros.
As mãos dele em meu joelho, e toda a minha perna formigando com a sensação e os círculos que ele desenhava hora ou outra.
 Nossos lábios se encontraram e minha mente gritava cuidado, mas ao mesmo tempo gritava para não parar, para não precisar ir pra casa, gritava para continuar, criando uma batalha muda em meu ser. Aquela mão macia subindo indo contra os protestos que não chegavam a se formular, deixando um rastro de formigamento, uma energia pulsando pela minha perna, os dedos habilidosos brincando com o elástico da minha calcinha deixando todo meu corpo em completo êxtase.
 O mundo ficou mudo, as partes em desacordo em minha mente calaram-se, aproveitando o momento, pedindo que não amanhecesse, pedindo que o tempo parasse e nós dois continuássemos ali naquele momento.
 Mas eu sabia o tempo todo que ele é a pessoa errada para mim. Talvez ele seja a pessoa errada para mim, porém na hora certa.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Like a flower, I need rain.

 Tentei manter-me sã em meio a tempestade, mas eu estava em um mar de lágrimas quando ele apareceu.
 Desnorteada em uma noite infinita de tormenta, eu, que sempre amei as chuvas me vi assustada com tantos sons e lampejos. Eu que sempre amei. Me vi a deriva.
 Ele não era o sol, de forma alguma, mas trouxe luz e calor, as lágrimas cessaram e a tormenta se fora.
 A chuva leve caia em meu corpo, limpava as impurezas, fazia a grande tormenta parecer tão distante. Mas aquela chuva parecia um sonho, pareciam outros tempos.
 Em meio minha tempestade, ele foi a chuva leve que me lavou. E por mais que eu saiba que essa chuva é rara e passageira, desejo de todo coração que ela possa ficar.
 Quero me banhar na chuva fina.
 E não voltar mais para a deriva, não voltar para o meio da noite de tormenta infinita.

sábado, 1 de agosto de 2015

 Ah coração, coração. Dê me um descanso, me deixe respirar um ar limpo, um ar puro.
 O que aconteceu para você acelerar? Minhas bochechas estão vermelhas, pra que tanto sangue circulando nelas?
 Ah, coração coração.
Para que tanta pulsação? Vai devagar.  Já falei que agora não é uma boa hora, descanse, você apanhou muito já.
 Não crie expectativas, não fique afobado, escute o que eu lhe digo, ta na hora de aproveitar.
 Ah,  pobre coração.
 Não entendo porque não me escuta. Eu sou sua dona, mas parece que você quem manda por aqui, o cérebro também não ajuda, te passando os filmes água com açúcar que você quer ver, lembrando momentos que eu prefiro não reviver, não assim. Só ao vivo.
 Ah, droga! É um complô agora.
 Vocês acham que vão me vencer? Não dizem que o corpo é mais forte que a mente? Ou é o contrário? Não pode ser, eu que mando aqui!
 Cérebro pare com essas memórias!
 Coração, se acalme!
 Estou no controle agora, não irei me perder em um sorriso.
 Se acalme. Respire. Mantenha-se controlado.
 Respira.
 Eu que mando aqui!

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Aqueles ruídos.

Não aguento mais os ruídos, não sei se são da obra ao lado ou se são da minha mente perturbada.
 Se for da obra, chamo a polícia.
 Se for da minha mente, chamo uma amiga.
 "Eu tava bem, eu tava feliz. Gostava daquela sensação." digo a ela tentando acabar os ruídos. "Mas então como um enorme tapa na cara o universo disse 'olha aqui tudo que você esqueceu' e eu cai segurando o choro"
Ela me conforta, me faz rir do assunto, me faz ver o lado positivo da situação e o ruído passa, menos o da obra ao lado, será que por serem velhos não percebem quanto barulho fazem? Mas os meus haviam parado.
 Eu estava bem de novo, eu ria alto e me sentia leve. Achei que seria uma boa deitar na cama e terminar o livro que havia começado.
A chuva batia no teto, meu gato respirava pesado e a cachorra roncava do outro lado. Era o melhor som e a melhor companhia para a leitura.
 Mas uma virada de página e uma brisa entrando pela janela do quarto fez aquele perfume subir, tomando conta de meu ser e no segundo que me fez sorrir os ruídos voltaram, os vizinhos acordaram da soneca da tarde e estava tudo tumultuado novamente.
 Página por página li o livro. Tive que reler alguns trechos pois os ruídos eram altos de mais.
 Mas ao final do dia, baixei o livro e desejei ser forte como a Anna.
 Senti aquele perfume que fazia os ruídos voltarem e esperei o sorriso vir.
Os vizinhos continuavam, mas os ruídos por hora haviam se calado.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

"Hoje eu estava saindo do mercado com a minha mãe, e vi essa garota, ela era bonita não do tipo que você lembre o resto do dia de cada detalhe dela, na verdade, eu não consigo lembrar nem da cor do cabelo dela. Eu sei que ela era muito branca, mais do que eu, me arrisco a dizer, e que estava com um vestido leve e preto. Tinha uma bolsa transpassada e uma sacola na outra mão, afinal, estávamos no mercado.
O que eu mais me lembro era da beleza que irradiava dela, mesmo sem que ela soubesse, era uma mistura de luz branca, com tons de terra e azul. Era simplesmente pacífico, lindo.
Mas outras pessoas vão lembrar dela como a garota gorda vestida de preto.
Embora, eu também vou lembrar dela por conta de seu sorriso forçado, e deu seu braço, aquele segurando a sacola. No momento em que eu o vi, me senti como se algo tivesse me empurrado, como se eu fosse andar e de alguma forma eu sentisse a gravidade me puxando, ou como se eu tivesse batido em uma parede de vidro.
 As cicatrizes eram vermelhas, recentes, e cobriam um palmo de seu antebraço, assim como o meu.
 Mas as minhas agora estão se tornando leves cicatrizes que não passam de uma lembrança de como essa primeira semana do ano tem sido simplesmente leve, lembranças de que já tiveram momentos piores.
Não sei os motivos dela, talvez uma briga em casa, problema de aceitação ou as crianças implicam com o tamanho dela, afinal, ela também era muito alta. Mas eu não posso dizer nada, qualquer um é muito alto pra mim.
Ou pode ser como eu ouvi na minha cabeça, como se ela tivesse percebido que eu vi. Como se falasse para mim como fala para todas as pessoas que encaram e perguntam: Foi o gato.
 Ah, eu já usei essa desculpa, mas eu não tenho gatos.
Quando eu ouvi aquela voz em minha cabeça, botando a culpa no pobre bichano, eu senti vontade de abraça-lá, dizer está tudo bem, veja só, eu também tenho, na perna também, e no peito. Está tudo bem.
 Eu tive vontade de falar que nós precisamos aceitar que isso é parte de nós, mas que não podemos ficar tristes com isso a vida toda. Temos que aprender.
Mas eu não o fiz, não o fiz pois ainda não cheguei a tal nivel.
Não o fiz, pois ainda tenho vergonha de mostrar ao mundo o que eu fiz comigo mesma, como a minha dor emocional pode virar algo tão físico, como minhas dores de cabeça não é só algo que eu já tinha, mas algo que eu me dei também. Não aceitei levar a culpa por completo, essa cicatriz fui eu, mas outras foi eu sendo estabanada e batendo na chave, na porta, oops, me cortei lavando a louça.
Não o fiz, com medo do que eu possa parecer, eu sei a minha dor, mas ela pode não ser real para outra pessoa, assim como a dela não podia ser real para mim, e ao chegarmos em casa, cansadas da besteira alheia, isso transformaria em outra fina cicatriz vermelha parte das que já temos, prontas a contar sua história.
Não o fiz. Por covardia, medo de que se eu contar, essa minha dor se torne menos real até pra mim, e eu simplesmente me sinta vazia!"

O texto foi escrito no dia 8 de Janeiro de 2015, e nunca me senti tão pronta para publica-lo como agora, nunca me senti tão bem comigo mesma para expor o que quem convive comigo, já sabe tem muito tempo.  Minhas cicatrizes hoje em dia não passam de meio tom mais escuro que a minha pele, (digamos que um tom a cima do meu pálido) mas que se você reparar, elas estão ali, contando suas histórias, e hoje mais do que nunca, batendo palmas e dizendo  o quanto eu venci.
 Pois me sinto vitoriosa.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Texto #01. (De um infinito de sentimentos)

O edredom está quente, o café em cima da mesinha de cabeceira esfriando, o gato miando pedindo carinho e eu me aninho em seu peito, subindo e descendo levemente.
 No notebook o Netflix passa mais um episódio de uma série, e eu rio baixo para não acorda-lo, o gato pula em meu colo e ronrona enquanto passa a cabeça em minha mão, fazendo carinho em si mesmo.
 Dou uma risada um pouco mais alta e ele se meche, querendo acordar, mas ainda dormindo passa o braço em minha cintura e beija meu cabelo, sussurro para que volte a dormir, e aos poucos caio no sono junto com ele.
 Aos poucos, o peito vai parando de subir e descer, minha cabeça se estabiliza em meu travesseiro, e como um passe de mágica, ele não está mais lá, voltou ao turbulento do meu subconsciente e ao vazio e frio de meu coração.
Ele nunca esteve ali.
Ele nunca chegou a conhecer meu gato, meu quarto.
Mas eu ainda sinto seu abraço. Aquele dado tantos anos atrás.
Eu ainda escuto sua voz me dando boa tarde, boa noite e e eu desejando que fosse bom dia.
Eu ainda sinto sua presença, mesmo sabendo que te perdi no momento em que me apaixonei

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Você é a brisa.

Observo as ondas se quebrarem, sentada em meus chinelos eu espero um sinal, espero que o acaso te coloque em meu caminho novamente, será que você vem a praia quando precisa de paz, ou como no meu caso de inspiração?
Você é uma brisa, aquela brisa delicada que beija meu rosto no exato momento em que eu penso em ti, aquela brisa que faz você fechar os olhos e apenas sorrir, é a brisa que toca meus lábios e meu peito enquanto eu suspiro.
  Meu café ainda está quente e enquanto deixo ele me aquecer me pergunto se você prefere café ou chá, eu poderia te fazer chá e eu até faria café a mais para você, se quisesse. Te acordaria todo dia com uma caneca fumegante combinando com a minha, e você assistiria um pouco de televisão enquanto eu lia mais um de meus romances, e você faria alguma piada sobre ele, e eu iria fingir estar brava e você me abraçaria.
 Mas você é uma brisa, você é o meu boneco de neve. Não posso te abraçar. Você não pode me abraçar.
 Mas a brisa toca meu rosto enquanto observo o mar e as ondas quebrando e sinto como se você estivesse aqui, abraçando-me. O que faríamos se estivéssemos em casa? Iriamos assistir ao meu filme preferido pela 15 vez ou iriamos assistir ao seu filme preferido, aliás qual é o seu filme preferido?
Suspiro, sentindo saudade de ti, sentindo saudade do que poderíamos ter tido, do que poderíamos ter sido.
Mas você é a brisa que toca meu rosto enquanto caminho de volta para casa, é o boneco de neve que nunca fiz, é o suspiro reprimido em meu peito.
 É a brisa que leva esse pensamento para o horizonte.
                                             

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Unsaid Things


 "Eu só quero que saiba, que mesmo que mal dizendo um simples olá um para o outro, eu amo você. Seu jeito de sentar e ler o jornal, e quando termina de ler o enrola e joga para seu cachorro pegar mesmo que ele apenas levante uma orelha e olhe para você como quem diz: 'Você jogou, você pega.' 
 Amo sua voz quando você está cantando afinal nossas paredes são tão finas que eu consigo ouvir você no chuveiro cantando músicas que fariam seus amigos rirem de você.
 Só queria que soubesse isso, que desde que me mudei para a casa ao lado, você é o amor escondido em minhas raízes e cobertores."
 Ao final da carta escrita com letras perfeitas onde eu podia ver que ela demorou horas sentada na escrivaninha do quarto dela apenas para deixa-la assim, tinha escrito com um coração ao final "Com amor, da sua vizinha ao lado." Quanto tempo eu havia recebido essa carta? Quanto tempo havia se passado desde que ela mudara para a casa ao lado e depois mudara-se para longe?
 Fazia tanto tempo que eu tinha essa carta guardada em meio ao meu armário dentro de cadernos esquecidos que eu já nem me lembro mais do rosto da garota, lembro-me apenas que ela tinha longas e finas pernas, tão lindas talvez as mais bonitas que eu já tinha visto. 
 Lembro de quando ela tomava sol no jardim com seu gato ao lado, suas pernas brancas refletiam o sol e elas pareciam tão lisas e macias, tão suaves. Mas seu rosto, eu não me lembro de seu rosto, por mais que eu me concentre seu rosto está sempre coberto pelos cabelos voando, ou um enorme óculos de sol e o resto coberto pelos vários livros que ela carregava com ela.
 Em um ato de desespero, pois por algum motivo meu coração apertava no peito liguei para minha mãe e no terceiro toque ela atendeu.
-Mãe, qual era o nome da garota que morava ao lado?
-Como assim meu filho? A filha dos Collins?
-Sim, ela mesma mãe.
-Ah a pequena Joanna, Joanna Collins. Aquele nome fez meu coração parar ao menos um segundo. -Soube que ela vem esse fim de semana visitar os pais. Minha mãe continuou surpreendendo-me. -A mãe dela ainda vem aqui para conversar e ela me contou pedindo a receita do meu bolo, sabe aquele bolo que eu fiz quando eles mudaram? 
-Lembro sim mãe, é um dos meus preferidos.
-E por qual motivo você quer saber isso Tom?
-Não sei mãe. Suspirei.-Não sei.
 Desliguei o telefone e decidindo o que faria com a noticia de que ela estaria na cidade em que eu cresci. 
 Tomei um café, comprei um pedaço de bolo, comi o bolo com mais café sentei no sofá e assisti um filme, depois outro, e um episódio de uma série. Mas o nome Joanna Collins não saia da minha cabeça, nem suas pernas ou seu rosto turvo que morava em minhas lembranças.
Eu precisava dar um rosto ao nome, precisava saber como ela estava, quem ela era agora.
Peguei meu computador no quarto e a procurei no Facebook, apareceram três opções, mas só uma fez meu coração palpitar e só uma com a mesma cidade natal que a minha, apesar dela não ter de fato nascido ali.
Cliquei em sua página e lá estava a foto dela, sorrindo para mim com belos lábios finos e olhos sedutores, o cabelo estava comprido e preto, e ela era ainda mais bonita que suas pernas.
 Passei foto por foto até me deparar com um forte homem, ajoelhado com um anel em mãos e os olhos de Joanna estavam marejados.
 Merda, minha Joanna estava noiva.
 Lembro do dia em que Joanna mudou-se, ela era miúda tínhamos quinze anos na época e minha mãe obrigou-me a levar bolo para a nova família de vizinhos, a senhora Collins gritou da cozinha que eu entrasse, e na sala ela estava sentada com seu gato no colo, o rosto vermelho e inchado de chorar na despedida de suas amigas, e lembro que ela já era linda, mesmo com o rosto inchado.
                                                             *
Quando me dei por mim estava dirigindo pela tão familiar estrada, voltando para minha antiga casa.
 E eu sabia que Joanna estaria lá. 
 Assim como seu marido/noivo.
Onde eu estou com a cabeça? Aposto que ela nem ao menos irá lembrar quem sou. 'Só há um jeito de saber' dizia uma vozinha em meu interior.
Mas e o marido? Ele malha, e é bem maior que eu. E se ele implicar comigo o que eu faço, corro?
Agora não tinha mais volta, em menos de cinco minutos estarei parando em frente de casa. Dois minutos. Apenas uma esquina.
Parei o carro no semáforo e fechei os olhos, como se queimasse dentro de mim uma cena. A ultima cena. Ela estava sentada em seu jardim com alguns papeis ao lado e várias canetas, novamente seu rosto estava vermelho e inchado, mas ela estava linda a luz da lua. Sentei-me ao seu lado e perguntei o que ela estava fazendo, ela arrumou os papéis como quem escondia algo e deu de ombros enquanto falava.
-Apenas me despedindo. Esperei para que ela continuasse. -Estou indo para a faculdade logo pela manhã.
-Faculdade já? Uau.
-Sim, começa mês que vem mas eu vou para outro estado então eu preciso arrumar minha nova casa, me familiarizar com tudo sabe como é não? 
-E, você vai se despedir de mim? Apontei para as cartas que agora estavam viradas para baixo em seu colo e ela sorriu abaixando levemente a cabeça.
 Lembro que um fio de cabelo caiu sobre os olhos e eu o coloquei atrás da orelha, deixando minha mão ali por um tempo maior que o normal. Nossos olhos se cruzaram e eu sabia que eu iria beija-la, sabia que eu queria e que ela queria.
Mas seu pai chamou da sala e ela entrou. 
Ao abrir os olhos o sinal ficou verde e eu virei a esquina para a minha antiga rua, passando pela casa dos Matthews, dos Judds e chegando a dos Collins e a de minha mãe. Um carro parou ao mesmo tempo que eu. Joanna Collins havia acabado de chegar.
Desliguei o carro e esperei que ela saísse, e quando sua porta abriu eu sai do meu carro também, ela estava linda, com um vestido preto e as pernas de fora, seus óculos ocupavam metade de seu rosto, acompanhei-a até a porta.
-Olá. Sorri para ela.
-Oi. Sua voz era suave e tímida.
-Não acho que você lembre de mim.
-Tom. Joanna sorriu abraçando-me, só então percebi o volume de sua barriga.-Quanto tempo, meu deus.
-Acho que entre sete anos talvez.
-Quando eu fui para a faculdade. Ela disse com pesar.
-Sim, você nem ao menos se despediu. Brinquei lembrando das cartas.
-Ah. Seus olhos pareceram distantes antes de ela voltar a sorri. -Tem um tempo? Gostaria de conversar.
-Tenho sim. Sorri. -Só tenho que ir avisar minha mãe que cheguei. 
-E eu a minha, pode vir aqui em uma hora?

Foi a hora mais longa do meu dia, mas lá estava eu novamente parado na porta da vizinha. 
-Entra, ela esta no quarto dela. Senhora Collins falou e de repente me sinto com quinze anos novamente.
 Subo as escadas a porta semi aberta e lá está sentada em sua cama, uma caixa em seu colo e um sorriso no rosto.
-Como vai a sua vida? Ela perguntou assim que eu entrei no quarto.
-Boa. Sorri sentando na cadeira ao lado da cama. -Escrevo musicas para algumas bandas, moro em um apartamento bom e estou pensando em pegar um cachorro.
-Mamãe me contou do Sebastião. Sinto muito. 
-Obrigado, ele era um ótimo cachorro. E a sua vida, soube que você está casada.
-Ah, sim. Ela riu sem graça. -Na verdade esse e o motivo de eu vir para cá. 
-O que houve?
-Eu e ele estamos nos separando, nem chegamos a casar e desde que ele descobriu do bebê ele mudou e eu resolvi cortar o mal pela raiz.
-Sinto muito. Quantos meses?
-Quatro e meio.
-Parabéns. Sorri sincero. -Vai parecer loucura mas eu estava pensando em você essa semana. Seu rosto ficou surpreso e eu continuei. -Achei uma carta que você escreveu.
-Ah! Mas acho que não cheguei a te mandar carta. 
-Para ser sincero, eu só a li agora, e me fez pensar na ultima vez que nos vimos.
-Ah, disso eu lembro. Ela sorriu olhando para baixo como no ultimo dia.
-Não sabia se você ainda lembrava de mim.
-Eu passei alguns anos muito importantes da minha vida escrevendo cartas para você. Ela sorriu. -Essa foi a ultima.
 Ela entregou-me um envelope fechado e eu o abri, datava de sete anos atras.
 "Querido Tom" ela escreveu.
"Como começar essa carta sem que você ache que eu esteja louca? Eu lhe escrevi tantas outras sem me importar com isso, talvez seja porque essa eu pretendo que você leia. 
 Havia escrito uma antes dessa mas ai você apareceu e sentou ao meu lado, e em tão pouco tempo tanta coisa aconteceu que eu precisava escrever outra. Hoje eu olhei no fundo dos teus olhos e vi nosso beijo que não aconteceu, vi o tempo passar e vi você ao meu lado. Nós dois voltando no mesmo carro para visitar nossas antigas casas vizinhas e relembrando coisas de nossa adolescência.
Mas eu me afastei e amanhã eu irei embora. O beijo que eu tanto quis não aconteceu. E durante todo esses anos eu não sabia se você sentia o mesmo que eu sentia, mas hoje eu pude ver uma pontada em seu olhar.
Não sei quando iremos nos encontrar, ou se iremos nos encontrar novamente. Mas aqui fica uma promessa, tanto para mim, quanto para você: da próxima vez, eu irie lhe beijar. Nem que mesmo depois disso nunca mais iremos nos falar novamente.
 Com amor, Joanna Collins, sua vizinha que agora, mora longe."
Sorri ao final da carta, e Joanna estava parada com o rosto vermelho.
-Eu era tao inocente, fazendo tais promessas, não pensava em como a vida mudaria e...
-De certa forma a carta que eu li essa semana me fez perceber que eu tenho muita coisa para falar. Comecei organizando meus pensamentos. -Fiquei de certa forma feliz com o seu não mais casamento, e eu sabia que você viria hoje e não podia ficar mais um dia imaginando se você iria lembrar de mim e eu queria que você soubesse que eu esperava que você lembrasse e...
Joanna diminuiu o espaço entre nos puxando a cadeira onde eu estava e cumprindo sua promessa de tantos anos atras, deixando-me ainda com tantas coisas não ditas e varias a serem escritas.


Ps: Essa foi uma pequena historia baseada na musica Unsaid Things do McFly (que todos deveriam ouvir.) mas foi inteiramente escrita por mim, Fernanda Garcia.


segunda-feira, 1 de junho de 2015

Lazzy Days.


 Existem os dias preguiçosos, onde apenas jogo o roupão por cima do pijama levanto o cabelo em um coque e preparo um chá, café, leite.
 Na janela a chuva cai fina atrapalhando meus planos, ‘Eu tinha que ir no banco, na papelaria, comprar comida’ mas tudo o que você faz é ficar sentada na cama olhando gota por gota cair, escurecendo o dia, lavando a rua.
 ‘Como é que dizia aquela música? Now the rain is just washing you out of my hair and out of my mind’ 
 Um filme qualquer passa na televisão e uma música toca em minha mente, tanta coisa pra fazer, tanta coisa...
 O vento sopra e traz aquele cheiro de chuva para dentro de casa, algumas gotas da gélida chuva cai em minha caneca e a fumaça sufoca minha garganta, fecho os olhos e lembro de dias como esses, dias em que eu sai com aquele cara pelo qual meu coração nunca parou de bater e meus suspiros nunca acabaram, volto para o dia onde tudo aconteceu, seus lábios tocaram os meus com a chuva banhando-nos.
 Abro os olhos sorrindo, sei que isso nunca aconteceu, ele foi para seu caminho e eu para o meu, fugi antes de tudo começar, fugi antes mesmo de um olá.
 Foi o certo. 
 Mas meu peito parece não entender. 
 Minha mente parece não querer esquecer as coisas que nunca fizemos.
 Concentro-me em meu chá, café, leite seja lá o que for, na fumaça saindo da xícara e se perdendo na imensidão do mundo deixo a chuva levar esses pensamentos, afinal tenho muita coisa pra fazer, ir no banco, na papelaria, comprar comida, esquecer o passado. 
 ‘Meu deus a roupa no varal.’
  Agora já está molhada, termino meu chá, café, leite. A chuva parou.
  O dia começou, vou no banco, na papelaria, comprar comida, antes que pudesse ver, estou tão ocupada que não tenho tempo de pensar no que nunca se passou.

sábado, 30 de maio de 2015

Um pequeno amor perdido em Alice.

Então a lagarta sorriu ao dizer "Se não sabes as perguntas, como saberá se essas são as respostas? Se não sabes quem é, como saberás quem sou?"
'Ora!' Alice indagou, 'você mesmo disse ser a lagarta'
'Como podes confiar em mim se a tão pouco me conheces? Aliás, tu te conheces para ao menos me conhecer'
'Mas por qual motivo me diria que é outra pessoa se não você mesma?' Alice inclinou a cabeça tentando entender.
'Ai que esta seu problema pequena Alice.' Sorriu a lagarta 'você confia nas pessoas, quando não poderia nem confiar em ti, não foi você quem disse que já mudou tantas vezes? Pode confiar na Alice que era de manhã? E na Alice que será daqui dois minutos ou quando essa conversa acabar? Se não sabes o destino, como me pergunta o caminho?'

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Lembranças.

 Eu me lembro perfeitamente, você estava sentado com as mãos na coxa seus olhos estavam em outras alunas mas seu sorriso era fixo para mim, assim como o brilho em seu olhar.
 Sua voz rouca e suave tremiam quando disse meu nome pela primeira vez, e eu senti meu corpo todo tremer igualmente, eu sabia que podia ser algo desde o momento em que meus olhos se perderam nos seus e eu estava certa.
 Lembro da primeira vez em que nos esbarramos, eu estava fugindo da aula e você fugindo de uma outra professora: "Elas não me deixam em paz" você disse sorrindo e eu achei essa frase tão babaca que revirei os olhos então você se apressou: "Elas acham que só porque eu sou o substituto significa que eu tenho que preencher as aulas que elas não querem dar". Lembro que eu ri e que você afastou o cabelo dos meus olhos, sua mão quente e macia parou em meu rosto e você perguntou se eu queria fugir, "Eu posso nos tirar daqui". 
 Então nós fugimos, passamos a tarde toda sentados na praia conversamos sobre o tudo e o nada, ouvimos o som das ondas quebrando-se, e ao por do sol você me beijou, seus lábios quentes tocando nos meus, o mundo girava e eu não conseguia pensar em nada para impedir, eu não queria afastar por mais errado que fosse, naquela hora era o certo.
 Lembro que você me levou até em casa e me beijou novamente na frente do meu portão.
 Lembro que no dia seguinte eu não segurava o sorriso nas suas aulas, e você segurava o máximo que dava, e sempre que podíamos, nós fugíamos.  Lembro de sempre estar sorrindo, e de como suas mãos escondiam as minhas.  E de como seu toque conseguia me fazer sentir que eu estava no céu.
 Lembro quando ao cairmos no sono ao telefone, você disse "Durma bem meu amor" e em como meu coração por um segundo ou dois parou de bater.
 Lembro no dia seguinte que você tocou a campainha da minha casa apenas "Eu não podia mais aguentar, eu te amo e não dizer parecia errado." lembro das suas mãos gesticulando, seus cachos ruivos balançando com o vento, e do seu sorriso cada segundo maior.
 Lembro como se fosse hoje, como eu me senti ao ouvir essas palavras, mas já se passaram cinco anos.      Ah eu me lembro muito bem.
Ah, como eu queria ter ficado e deixado tudo isso acontecer, deixar-me levar. Mas eu fugi, com medo de tudo o que poderia acontecer eu fugi, e agora eu continuo a lembrar das coisas que poderiam ter acontecido, dos beijos que poderíamos ter roubado, das vezes em que eu adormeci em seu peito, de todas as vezes em que nos declaramos. Lembro tão perfeitamente que é como se tivesse de fato acontecido.
 Pois nos lembramos com mais carinho das coisas que nunca aconteceram.

domingo, 19 de abril de 2015

A trivialidade de Fernanda.

Pensei muito em como começar esse post, e confesso que pensei muito se era realmente algo que eu deveria fazer, começar outro blog.
 Bom, aqui vão algumas informações triviais: Meu nome é Fernanda,  mas eu nunca gostei muito do meu nome, nesse exato momento eu tenho 21 anos 03 meses e 19 dias, amanhã serão 20 dias e eu prefiro muito mais números arredondados ou pares, (tirando os números que acabam em 3).
 Eu aprendi a escrever e ler muito antes do que todas as pessoas da minha idade, talvez tenha sido por conta da minha criação onde meus pais são traças de livros (não tanto quanto eu) ou pelo motivo de eu nunca ter tido o fôlego para acompanhar as outras crianças nas brincadeiras de rua. Meus livros são meus melhores amigos e eu os trato melhor do que qualquer pessoa, melhor até mesmo do que eu trato a mim mesma.
 Eu escrevi (com a ajuda da minha mãe claro) a minha primeira historinha aos três anos de idade, e aos cinco já tinha um caderno cheio delas, e hoje eu tenho um armário, um e-mail e um computador explodindo com as minhas histórias e poemas. Eu não sei falar com as pessoas e sou muito tímida, mas se eu pudesse, eu escreveria para as pessoas todo dia, cartas de verdade e não e-mails!
 Esse não é meu primeiro Blog, tão pouco o terceiro, e todos eu deletei por motivos de não reconhecer mais a garota que ali escrevia, e outros motivos de coração partido e muitas memórias doloridas para rever toda vez que abrisse meu cantinho. Mas como minha amiga disse: "Tudo passa, até uva passa."
Bom, se tem uma coisa que você e até mesmo a futura eu, precisa saber é: Eu sou extremamente viciada e apaixonada por Vampiros e Sereias, sempre fui desde pequenina e se um dia me perguntassem: "Fê, você quer virar agora: Vampira ou sereia?" acho que eu entraria em colapso nervoso e morreria, (Então viraria vampira claro.) e outra coisa que eu também sou apaixonada é Batman, então futura eu: Se você não gostar mais de Batman, por favor volte para essa sua época e veja o quão feliz você era assistindo aos filmes, lendo as HQ's e sonhando com o dia que encontraria o seu Bruce.
Acho que por enquanto, está bom.
Ao longo dos posts você irá me conhecer mais, então só um aviso:

 "Tente não se apaixonar por mim, eu sou uma confusão, sou uma bomba prestes a explodir. Mas isso é parte do meu charme."
  Obrigada por ler até agora, espero que possamos nos conhecer mais, espero que você goste e fiquei por aqui.
                                      Um grande beijo da sereia mais vampiresca da internet!