quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Lar.

 Eu fiz de casa o que conseguia, por um tempo minha casa foi um ponto de um ônibus, um banco na praça, uma série salva no pendrive.
Por um tempo maior minha casa se escondia nas páginas amareladas de um livro, não vou negar ainda me sinto em casa toda vez que o leio, me sinto amada e livre pra amar.
Mas tudo mudou, aquelas páginas não me abrigavam por inteiro, estava pequeno demais, e descobri que conseguia me sentir em casa, que havia encontrado meu lar, duas vezes.
A primeira foi naqueles braços que por tanto tempo eu senti saudades, com ela não preciso de nada, se entro naquele abraço eu sei que cheguei em casa. Sei que ficarei bem, mesmo que por um instante, tudo passa.
Meu segundo lar, eu encontrei sem um endereço fixo, encontrei vagando de calcinha por um apartamento emprestado, meu segundo lar eu encontrei as seis da manhã, deitada ao meu lado com pequenas conversas, meu segundo lar, se fez em você.
Se fez na rosa que guardo provisoriamente em uma lata de coca-cola na frente do sofá onde durmo, meu lar é qualquer lugar que eu sinta teu perfume em minhas roupas, ou o meu sorriso no meio da rua ao lembrar de coisas que você disse, de coisas que você fez.
Descobri que meu lar não é um teto, meu lar é um horário, um número. Meu lar é uma frase, é a curva do teu sorriso.
Fiz do meu lar, o que eu pude, mas descobri que meu lar é você!

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Texto #24 (Das Infinitas explicações que não consigo dar)

Eu gostaria de explicar o que está acontecendo, gostaria de explicar como foi que tudo chegou onde chegou, e explicar onde é esse lugar em que vim parar, mas eu não posso.
Eu não sei o que está acontecendo, onde estou e como vim parar aqui, mas sinto que te devo isso, te devo uma explicação, explicar pq todos aqueles sonhos de uma vida juntas não ser algo que eu possa fazer, não mais.
Sinto que eu te devo uma explicação, do motivo pelo qual nossos beijos não saíram, eu gostaria muito de te explicar. Mas eu não entendo.
Não entendo o que está acontecendo, uma hora éramos apenas duas gurias curtindo o tempo juntas, assistindo a séries e passeando por uma cidade, e no outro, era três horas da manhã e saudade apertava, a vontade de ficar juntas crescia e já não era algo unilateral.
Não entendo como assim tão de repente, eu não consigo me ver com outra pessoa que não ela, e não entendo como ela, assim tão de repente passou a me dizer coisas que apertam meu peito.
Eu queria explicar como tudo isso mudou, queria muito. Mas não consigo. 

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

O favorito dela.


Quero pegar em sua mão e gritar para todos.  Não quero esconder que você me faz bem, não quero esconder meu sorriso, escolher as palavras, te mencionar como amiga.
Quero pegar em sua mão atravessar a multidão, levar nas festas e te apresentar pra família, quero ouvir meus amigos sussurrando com você que nunca me viram sorrir assim, quero te dar as sensações que você nem imaginava que queria sentir.
 Três da manhã e conversas na cama; quero discutir por estar com calor enquanto você está com frio, se a luz fica acesa ou apagada, discutir que eu quero dormir e você quer ver mais um episodio, ou discutir que você vai dormir e eu quero ver mais um episodio, correr para o banheiro as onze e meia e trancar a porta enquanto você me xinga do outro lado não querendo que nada saia do seu controle.
 Mas meu amor, tudo saiu do seu controle, não vê? Tudo saiu do meu controle também. Não era para ser assim, não era para eu estar escrevendo mais um texto sobre ti, não era para você estar me querendo com você, e cá estamos nós.
 Longe de nossos controles.
 Então pegue minha mão, veja como perder o controle vai te fazer bem, perca o controle comigo.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

25 de Junho de 2017.

 Fazia tanto tempo que eu não parava pra ver as estrelas, mas naquele dia eu vi.
Tinha estrelas, conversas interrompidas, tinha o cheiro das árvores ainda com o orvalho, ou será que havia garoado? Tinha um brinquedo, daqueles em que você gira, gira, gira e gira e sai de lá tão tonta que nem lembra o porquê quis ir nele. Tinha coincidências e frases ditas, frases que já havíamos escutado sendo ditas. Frases que pensávamos quão perfeita que era para nós, porém  havia muito orgulho para alguém dizer primeiro.
E tinha uma carta, escrita à mão, às pressas em um ônibus balançando, tinha essa carta no bolso de trás da calça preta brilhando como um farol.
Uma carta, onde havia todas as coisas que eu queria dizer em voz alta, mas tinha medo das lágrimas me interromperem.
Mas acima de tudo, tinha você. Tinha suas mãos às vezes entrelaçada às minhas, às vezes me fazendo carinho. Outras vezes gesticulando brava com minhas esquivas.
Tinha você, falando sobre sentimentos que até então eu ignorava que eu tentava não acreditar serem reais.
Mas lá estávamos nós, sob um céu estrelado, um brinquedo que conforme girava mais rápido mais alta eram as risadas, uma carta brilhando como um farol em seu bolso de trás, o perfume das árvores, a brisa fresca batendo. Lá estávamos nós e tinha tantas conversas paralelas, tantas conversas interrompidas, com tantas coisas para ver, mas tudo que eu meus olhos queriam era gravar seus detalhes, guardar tudo para as noites de solidão que viriam.
Lá estávamos nós sob um céu estrelado e eu percebi que não adiantava mais mentir para mim, que não adiantava me segurar. Lá estávamos nós e eu percebi que meus sentimentos eram todos pra você, percebi que somos perfeitas uma para a outra.
E que você iria perceber isso um dia.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

O inicio do fim.



Eu achei que esse fosse ser o início do fim, quando suas mãos tão habilmente exploraram meu corpo.
 Achei que passada a madrugada você iria embora, e eu não te veria mais. Então decorei suas sardas, decorei sua voz, decorei seus gemidos (que repasso nas minhas noites solitárias desejando você aqui), decorei cada pinta de seu braço, subindo para clavícula e contornando as costas.  Decorei cada faísca de energia que corria naquela cama, suas cores. Decorei coisas que nem mesmo conseguia ver. Decorei cada sentimento. Cada frase dita. Cada semelhança. Tuas risadas. Minhas risadas.
 Eu achei que seria o início do fim. Quando o dia clareou e eu te vi ir para casa, pensei estar dando adeus. Pensei  que não fosse nunca mais te ver.
 Mas outra madrugada chegou, em meio a teus amigos você me chamou. Outra madrugada em que você dizia que me queria, dava desculpas pra ouvir minha voz gemendo por ti.
Mas outra madrugada chegou; três da manhã e você parada na porta da minha casa se fazendo em casa. Você brincava dizia que éramos casadas e meu coração tremia com o medo dessa frase. Tremia com a vontade.
Eu achei que fosse o início do fim, quando a madrugada então virou dia, mas você ficou.
Esse é apenas mais um começo.

domingo, 30 de julho de 2017

Texto #23 (Das Infinitas vezes em que quis te chamar)

Quantas vezes quis te chamar, te ligar na madrugada, ouvir sua voz ao acordar.
Quantas vezes vi uma imagem que dizia em outras palavras aquilo que eu queria te dizer, quantas vezes engoli a vontade de te dizer com minhas palavras o quanto eu quero você.
Quantas, quantas inúmeras vezes quis colocar as roupas na mala ir para a estrada e pedir carona até chegar a você.
Quantas vezes saí sem rumo, pra descobrir que era em teu prédio que queria me encontrar.
Mas eu não posso.
Não devo.
Porém não nego.
Quantas vezes…
Quantas vezes fui interrompida por essa pequena voz, essa pequena voz me dizendo pra te deixar ir, não te fazer sofrer. Que coisa mais horrível, a voz diz que eu estou brincando com você. Mas não, eu não quero te fazer sofrer. Nunca mais.
Então eu cedo.
Então abaixo a cabeça, e me forço a esquecer dessa vontade, me esforço a esquecer das nossas risadas, dos nossos planos, do meu coração batendo e das lágrimas caindo. Da carta em meu livro, do chaveiro em minha bolsa.
Então eu respiro fundo e finjo que isso não está acontecendo.
Mas quantas vezes eu quis te ligar, ouvir sua voz ao acordar, e quantas vezes mais, vou engolir a vontade, fingir que ela não existe?
Quantas vezes mais irei ler aquela carta, esconder as lágrimas até dormir.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Hoje.

 Hoje eu me perguntei sobre você, como você está e o que estaria fazendo, mas principalmente se um dia eu voltaria a me sentir normal perto de ti, sem aquele ataque de nervoso que me dá, sem a vontade de desligar tudo e ir para debaixo das cobertas com o desespero no peito que me bate.
 Hoje eu me perguntei de você, abri sua conversa tantas vezes que perdi as contas, lembrei de conversas que tivemos, pensei nos nossos sonhos, aqueles que eu mesma trai, lembrei daquela primeira música e como ela diz tanto agora, pode ouvi-la mais uma vez? 
 Hoje me perguntei se eu poderia te chamar e mandar um oi, talvez te ligar, mas apenas deitei na cama e dormi como se não tivesse tantas coisas para fazer, hoje eu quis tanto voltar ao normal, hoje eu senti tanta saudade que esmagou meu peito e eu só pude dormir.
 Pensei nos nossos sonhos, em como queríamos nos ver, em como iríamos nos beijar ali no aeroporto, em todos os lugares que iríamos, nas nossas series... Tento não pensar mais, tento não pensar em você me odiando, tento não pensar em você dizendo as coisas ruins sobre mim para sua gata, mas você aparece em meus sonhos, questiona os motivos e eu não sei dizer ou explicar, apenas sento no chão pedindo desculpas enquanto as lágrimas caem de meus olhos me afogando um pouco mais.
 Hoje eu me perguntei o que vai ser daqui para frente, como ficam as nossas series, como ficam nossos planos, nossas vidas. Me pergunto se você ainda pensa em mim. E enquanto escrevo me pergunto se eu deveria lhe mandar.
 Hoje eu me perguntei de você, como você está e o que estaria fazendo, me perguntei como seria daqui para frente, o que faríamos com a nossa serie e sonhos pela metade, escutei aquela primeira música e deixei-me chorar antes de dormir, me perguntei se ainda pensa em mim...