quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Aos poucos.

 Aos poucos seu perfume, outrora impregnado em minhas roupas, vira meu perfume. Aos poucos, seu nome torna-se apenas um eco em meus lábios, e seu gosto doce vira o amargo da solidão.
 Aos poucos, me acostumo em não te esperar, aos poucos, me acostumo a olhar as notificações não esperando uma mensagem sua. Aos poucos, aos poucos vou me desprendendo.
 Aos poucos, teu toque se torna como uma lembrança distante...
 Mas não posso me enganar, ainda
 escuto sua voz com perfeição, ainda me lembro da forma como anda, de como dorme, de seus gestos ao se vestir pela manhã.
 Teu sorriso ainda é claro em minha mente.
 Mas aos poucos, sei que vão sumir.
 Aos poucos..
 Aos poucos sei que vai ser mais fácil.
 Aos poucos sei que não vai doer tanto, aos poucos sei que vou me acostumar com sua ausência. Aos poucos, vou retomar minha vida.
 Aos poucos...

sábado, 5 de novembro de 2016

Sereiando aqui.

 Eu não nasci sereia, longe disso. Eu me tornei sereia com o tempo.
 E nunca entendi bem como minhas escamas cresceram, nem em que ponto da minha vida as consegui, mas acho que finalmente entendi o porque virei uma sereia.
 Por tanto tempo vivi no turbilhão de movimento que é o mar, boiando sobre as ondas conseguia ver o céu e as estrelas, mas então o mar agitava e eu ouvia as vozes e sentia as mãos de meus demônios me puxando para baixo, me afogando. E por tempos não conseguia ver o céu, não conseguia ver nada além de minhas próprias mãos pálidas, mesmo de baixo d'agua. Mesmo no escuro. Tão pálida, tão morta.
 Achei que estava perdendo a vida enquanto estava no escuro, debaixo d'agua, mas acontece que quanto mais me puxavam, mais me afogavam, mais eu ganhava a vida...
 Percebi, que com o tempo ficou mais fácil de respirar, meus olhos já haviam se acostumado com o escuro, e eu já podia me movimentar, conseguia explorar o mundo bizarro e escuro que eu tinha tanto medo.
 Percebi então, que já não fazia mais diferença onde eu estava, lá em cima, eu conseguia ver as estrelas e ficava emocionada com o ar batendo em mus cabelos, vez por outra até me deixava ser vista sentada na grande pedra absorvendo a luz do sol, mas se as vozes me chamavam...
 Ah, se as vozes me chamavam, eu pulava no mar, minhas escamas surgiam e meus pés viravam cauda.
 Então percebi, me tornei sereia pra sobreviver e enfrentar meus demônios.
 Me tornei sereia pra conseguir viver!

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Texto #14 (Do abismo infinito do qual deveria pular)

Quantas vezes já me despedi sem saber quando seria a última vez? Quantas vezes passei dias sentido um abismo se abrindo em meus pés, com aquelas vozes me incentivando a pular, quantas vezes me impulsionei para frente indo de encontro ao desconhecido, porém amigável abismo, só para poder sentir tuas mãos me agarrarem e puxando de volta.
 Quantas, milhares de vezes confundi o abismo de sua ausência com o abismo de teus olhos?
 Tola, achei que o abismo que me faria mal seria aquele escuro, e desconhecido. Mas o que me fere são os abismos de teus olhos, onde teu sorriso ecoa, onde tuas palavras são cheias de mentiras e teus atos, tão cheios, são um completo vazio.
 Dessa vez me despedi sabendo que seria a última vez, dessa vez, senti o vazio do abismo de seus olhos e percebi o quão perigoso e quão fundo eu já estava para poder ver a luz. Dessa vez me arrependi de ter segurado sua mão, de ter sorrido ao seu encontro, de ter ficado feliz por você vir ao meu encontro, me resgatado do abismo em que eu deveria ter pulado.
 Deixe-me aqui, onde eu possa caminhar até achar a luz, deixe-me aqui eu mesma posso me salvar. Claro que estou com medo, mas é claro que continuarei, o que mais posso fazer? Está tudo bem sentir medo, está tudo bem se algumas lágrimas vão ser derramadas no caminho até ver a luz. Mas deixe-me aqui, onde a sensação de cair é melhor do que eu pensei que seria.
 Quantas vezes mais pularei no abismo só pra cair em teus braços novamente? Quantas vezes mais ensaiaremos a dança que jamais iremos apresentar? Quantas vezes mais você irá aparecer pra então desaparecer novamente?
 Deixe-me aqui, na beira do abismo, onde eu posso pular e me ver livre. Me deixe pular pro abismo desconhecido. E não me deixe cair mais em teus braços.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Não espero nada de ti.


 Eu não espero que você me chame para comer, não espero que saiba minha cor preferida, ou meu livro, ou minha comida.
 Não espero que você saiba do que gosto e o que não gosto, nem de todas as minhas alergias. Não espero que acompanhe o drama com meus meus amigos, que saiba com quem to falando, quem não ta falando comigo. Nem os motivos infantis de cada briga.
 Realmente não espero.
 Sabe, eu não espero que você se lembre de coisas que te falei dez anos atrás, ou dois dias atrás.
 E não espero que você pegue minha mão para andarmos na rua, nem que me ajude a descer do carro, ou que ao menos abra a porta. Não, eu não espero demonstrações de carinho no meio do mercado, nem que me beije na escada rolante do shopping, ou que demonstre algo.
 Não espero, e talvez nunca esperei, que me diga que estou linda.
 Definitivamente, não espero que você me olhe nos olhos e sorria como se eu, por algum motivo te fizesse feliz.
 Cara, não espero nada de ti.
 E é por isso que cada dia, cada segundo você me surpreende.
 Me surpreende, ao sorrir quando me vê de longe, e quando acorda ao meu lado. Me surpreende me tomando em seus braços no meio do mercado e beijando meus lábios, meu pescoço.
 Você me surpreende, quando abre a porta do carro e pega minha mão para andarmos pela rua, suas mãos quentes nas minhas frias, ou quando passa o braço pela minha cintura como se mostrasse que sou sua.
 Ah, meu querido, você me surpreende todos os dias, lembrando coisa que nem eu lembrava, perguntando sobre minhas amigas, e dando broncas nelas.
 Você me surpreende todos os dias, demonstrando sem de fato demonstrar.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Um varal de memórias.

 Separei a roupa para lavar, como sempre senti o cheiro de uma blusa e fechei meus olhos, teu perfume estava por toda a blusa, grudando em meu corpo, corroendo minha pele, agarrando meu cabelo.
 A saudade apertou, e me transportei pra manhã do dia anterior, onde acordei e vi pela primeira vez teus olhos me encarando.
 Teus belos olhos, pousados em mim, sua face pensativa, como se tentasse entender algo. Suas mãos passeando em meu cabelo, me fazendo adormecer em teu abraço novamente.
 Senti, talvez pela primeira vez em nosso um ano, uma vontade incontrolável de te ver, uma vontade de estar novamente em teus braços, beijar teus lábios, sentir teu ser.
 Senti, talvez, pela primeira vez nesse nosso pequeno ano, vontade de me entregar pra ti, te esperar para dormir, sorrir ao te ver acordar, senti a vontade incontrolável de ser sua.
 Mas me controlei.
 Cá estou eu, controlada.
 Ainda sinto, por algum motivo teu perfume em meu quarto em meu travesseiro, em meu cabelo. Ainda de certa forma desejo dormir ao teu lado, te fazer cafuné como tanto gosta.
 Mas estou controlada.
 Evitando as mensagens que gostaria de mandar. Evitando as vontades que me dominam.
 Mas estou controlada.
 Amarrei em meu peito, meu coração nervoso. Guardei em minha memória as coisas que desejo te falar, para quem sabe, um futuro distante?
 Mas estou controlada...
 Enxaguo minha blusa, torço, e estendo no varal.
 O perfume ainda está ali, mesclado com o sabão em pó.
 Mas eu? Eu estou controlada

domingo, 4 de setembro de 2016

Chocolates e Margaridas.

Eu sei que você gosta de mim, tudo bem não precisa dizer nada, não quero uma confirmação, não precisa negar também.
 Eu sei que quando você entender, e sentir confortável você vai me dizer, mas eu já sei tá? Vou dar de ombros, rir (de nervoso) e falar "Eu sei, é difícil não gostar de mim" então iremos rir e voltar ao que estávamos fazendo.
  Sei que não é o que você pretendia, sei disso, acha que eu pretendia também? Mas eu sei. Sei que nesse momento enquanto você se arruma, escolhe o perfume pra vir me encontrar, você sorri, e escolhe aquele que eu gosto. Eu sei que quando você me vê de longe um sorriso se instala em seus labios, e não sai nem quando está dormindo.
 Eu sei que você gosta de mim, sei disso porque seus olhos te traem, eles vacilam, suas mãos ficam geladas, e aquele sorriso não sai de seus lábios, e da minha mente.
 Eu sei que você não entende como ou o que está acontecendo, não era para gostarmos um do outro, mas e agora?
 Tudo bem, Grandão, você não precisa me dizer nada, eu precisava, eu sou assim. Eu poderia explodir, poderia falar em horas piores, poderia te afastar.
 Tudo bem, Grandão, eu sei. Quando você entender, não precisa nem falar, só me dá aquele sorriso que gosto, me dê chocolates e um vaso de Margaridas, então vou saber que você também sabe.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Texto #13 (Do infinito de coisas que eu deveria dizer)

 Podemos conversar amanhã, sabe, podemos terminar tudo amanhã de manhã quando acordarmos.
 Podemos sim, mas por hoje, eu preciso que você me abrace, me abrace e sorria, por hoje preciso que você beije minha mão, meu ombro, meu rosto, meus lábios.
 Por hoje, e só por hoje, preciso que você me aninhe em seu colo, faça carinho e não diga nada. Por hoje, eu peço que seja meu, só mais essa noite.
 Por hoje colaremos nossos corpos, bagunçaremos nossas camas, por hoje iremos dançar nossa música preferida até nossos corpos suarem.
 Amanhã, a gente vê o que acontece, onde ficamos. Amanhã a gente se entende. Mas por hoje, por hoje a gente se descomplica.
 Por hoje, a gente ri, sorri, se cansa e descansa, a noite é uma criança.
 Vem cá, se aninha em meus braços, deita no meu peito, pode dormir aqui essa noite.
 Amanhã a gente esquece, amanhã esquecemos dos beijos, das danças, do carinho. Amanhã a gente esquece tudo e segue pra casa.
 Ou a gente esquece de esquecer...