domingo, 30 de julho de 2017

Texto #23 (Das Infinitas vezes em que quis te chamar)

Quantas vezes quis te chamar, te ligar na madrugada, ouvir sua voz ao acordar.
Quantas vezes vi uma imagem que dizia em outras palavras aquilo que eu queria te dizer, quantas vezes engoli a vontade de te dizer com minhas palavras o quanto eu quero você.
Quantas, quantas inúmeras vezes quis colocar as roupas na mala ir para a estrada e pedir carona até chegar a você.
Quantas vezes saí sem rumo, pra descobrir que era em teu prédio que queria me encontrar.
Mas eu não posso.
Não devo.
Porém não nego.
Quantas vezes…
Quantas vezes fui interrompida por essa pequena voz, essa pequena voz me dizendo pra te deixar ir, não te fazer sofrer. Que coisa mais horrível, a voz diz que eu estou brincando com você. Mas não, eu não quero te fazer sofrer. Nunca mais.
Então eu cedo.
Então abaixo a cabeça, e me forço a esquecer dessa vontade, me esforço a esquecer das nossas risadas, dos nossos planos, do meu coração batendo e das lágrimas caindo. Da carta em meu livro, do chaveiro em minha bolsa.
Então eu respiro fundo e finjo que isso não está acontecendo.
Mas quantas vezes eu quis te ligar, ouvir sua voz ao acordar, e quantas vezes mais, vou engolir a vontade, fingir que ela não existe?
Quantas vezes mais irei ler aquela carta, esconder as lágrimas até dormir.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Hoje.

 Hoje eu me perguntei sobre você, como você está e o que estaria fazendo, mas principalmente se um dia eu voltaria a me sentir normal perto de ti, sem aquele ataque de nervoso que me dá, sem a vontade de desligar tudo e ir para debaixo das cobertas com o desespero no peito que me bate.
 Hoje eu me perguntei de você, abri sua conversa tantas vezes que perdi as contas, lembrei de conversas que tivemos, pensei nos nossos sonhos, aqueles que eu mesma trai, lembrei daquela primeira música e como ela diz tanto agora, pode ouvi-la mais uma vez? 
 Hoje me perguntei se eu poderia te chamar e mandar um oi, talvez te ligar, mas apenas deitei na cama e dormi como se não tivesse tantas coisas para fazer, hoje eu quis tanto voltar ao normal, hoje eu senti tanta saudade que esmagou meu peito e eu só pude dormir.
 Pensei nos nossos sonhos, em como queríamos nos ver, em como iríamos nos beijar ali no aeroporto, em todos os lugares que iríamos, nas nossas series... Tento não pensar mais, tento não pensar em você me odiando, tento não pensar em você dizendo as coisas ruins sobre mim para sua gata, mas você aparece em meus sonhos, questiona os motivos e eu não sei dizer ou explicar, apenas sento no chão pedindo desculpas enquanto as lágrimas caem de meus olhos me afogando um pouco mais.
 Hoje eu me perguntei o que vai ser daqui para frente, como ficam as nossas series, como ficam nossos planos, nossas vidas. Me pergunto se você ainda pensa em mim. E enquanto escrevo me pergunto se eu deveria lhe mandar.
 Hoje eu me perguntei de você, como você está e o que estaria fazendo, me perguntei como seria daqui para frente, o que faríamos com a nossa serie e sonhos pela metade, escutei aquela primeira música e deixei-me chorar antes de dormir, me perguntei se ainda pensa em mim...

terça-feira, 4 de julho de 2017

Texto #22 (Do medo infinito de te perder.)

 Abri tantas vezes essa folha em branco, escrevi mil começos e apaguei mil e um, ouvi e reli suas mensagens, aquela em que você confessava seu medo, sorri tanto que não sabia mais ser possível, senti meu coração pulsar em um ritmo que não conseguia lembrar e por tantas vezes fechei os olhos e te imaginei aqui para beijar teus lábios, teu rosto e teu ser.
 Escutei aquela música e chorei em silêncio, chorei com medo de te perder agora que consegui te achar, chorei com vontade de acordar ao seu lado. Chorei com medo.
 Estou em casa e sinto como se meu verão tivesse acabado, estou em casa e tudo voltou ao normal, voltamos a ser duas desconhecidas que compartilharam algumas tardes, você foi o meu raio de sol iluminando meu dias, meu romance de veraneio no meio do inverno e agora tenho medo de congelar sem meu pequeno raio de sol.
 Preciso dizer que tenho medo de aparecer outra para tomar meu lugar, que agora que estou em casa você irá me esquecer enquanto me lembro de ti tantas vezes ao dia, enquanto me lembro de ti em meus sonhos, ao acordar e no banho. Tenho medo de você me esquecer enquanto eu não paro de pensar em ti, enquanto releio suas mensagens, enquanto sorrio dos seus áudios salvos em meu celular, enquanto eu passo o dia querendo voltar para casa e te encontrar em minha cama.
  Preciso confessar que sinto mais saudades do que deveria, que meu coração derrete quando você me diz que pensou em mim e que sente saudades. Preciso confessar que tenho vontade de pegar o primeiro ônibus e descer na sua casa só para lhe dar mais um beijo, só para dizer que estava pensando em ti.
 Escrevi mil e um começos, mas não consigo escrever um fim.
 Não quero escrever um fim.
 Nossa história ainda não acabou...

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Maybe Someday.

 Sua silhueta ainda está marcada no escuro da parede desse meu quarto improvisado, o teu shampoo ainda está em meu travesseiro emprestado e o teu perfume em minha roupa.
 Minhas mãos ainda sentem a energia das tuas, pulsando entre meus dedos, e meu estômago ainda se revira e me impede de dormir a noite.
Minhas olheiras estão profundas das noites em que tento dormir e a tua voz ecoa em minha mente, dizendo tudo aquilo que tinha medo de ouvir, dizendo tudo aquilo que não queria que me dissesse, dizendo tudo aquilo que secretamente tenho desejado.
Teus olhos ainda me vigiam na madrugada, teus cílios ainda me enlaçam tão sedutores.
Se eu pudesse, eu ficava.
Talvez um dia amor.
Consegue.me.ouvir? Estou te chamando, estou me permitindo, não tem mais o que fazer, é o risco que tenho que correr.
 Consegue.me.ouvir? Tua silhueta na minha parede, teus cílios, tua voz, tudo me chama pra ti, e eu não consigo mais resistir.
 E cá estou eu, esperando pra te encontrar, me jogar em teus braços e dizer que não estou pronta, mas amor, sou sua. 
 Quero tua silhueta na minha cama, e a minha na tua. Quero teus olhos nos meus. Quero tuas palavras e tuas músicas dedicadas. 
Amor eu não estou pronta, mas talvez um dia, isso é suficiente para ti?

domingo, 28 de maio de 2017

Texto #21 (Aquela infinitas memórias que ainda vão vir)

 Meu coração está acelerado, meus olhos fechados, sinto a ponta dos teus dedos traçando o caminho na minha cintura, descendo minha coxa e subindo até o ombro.
Escuto tua voz, sussurrado em meu ouvido e escuto a minha fraca, quase um gemido. “Você não sabe o quanto esperei por esse dia” duas vozes, a mesma frase. Uma risada envergonhada.
Meu corpo arqueia, teu corpo arqueia. O coração acelerado, batendo em um ritmo até agora desconhecido. Meu corpo arqueia com o toque de sua pele, de seus lábios, com a sua respiração entrecortada na minha ofegante.
Consigo sentir meu coração batendo em todo meu corpo, me sinto fria todos meus sentidos concentrado em seu toque, todo meu calor vindo de ti, minha vista embaça, teus sussurros cada vez mais distante, minhas pernas fraquejam e sei que tive saudades desse momento mesmo antes de acontecer.
Abro os olhos e encontros os teus, com aquele brilho, aquela chama. Te puxo pra perto e me escondo na curva de teu seio, meu rosto queimando, escuto teu coração, rápido como o meu, desco as mãos na tua pele macia, tua cintura pequena, e suas coxas.
Seu corpo arqueia, meu corpo arqueia.
Minha respiração falha, tua voz um gemido, minha voz um sussurro. Está chovendo lá fora e não precisamos sair da cama, ao menos é o que a convenço. “Você não faz ideia do quanto esperei por isso” duas vozes, uma frases, você deita em meu peito, o peso do lenço em nossos corpos nus.
Fecho os olhos. Não precisamos sair.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Deixa eu te decorar.


Ah eu sei que você está aqui dentro em algum lugar, não é como se você tivesse ido para algum lugar, ainda escuto tua voz e tua risada, ainda vejo teu sorriso todos os dias, mas guria como posso escrever sobre ti se não lembro teus detalhes?
Como posso dizer dos teus beijos se faz tempo que não os sinto? Se não lembro do gosto e textura de teus lábios? Como posso escrever da tua pele se a tanto não a sinto na minha, ou sobre teu perfume quando apenas sinto o meu?
Como escrever de ti se tudo que sinto é a saudade sufocando meu peito, como se você fosse o ar e eu estivesse de baixo do mar?
Claro que eu me lembro da forma que me senti ao te ver ali parada esperando por mim, e da forma como minha pele se arrepiava ao teu toque escondido, levantando a barra do meu vestido, lembro da tua expressão naquele quarto ao ficarmos sozinhas, lembro de não querer que que o dia acabasse, de querer parar o tempo e ter você naquele quarto por mais tempo.
Mas guria, eu preciso de mais, preciso dos teus detalhes, preciso de mais de ti, guria preciso sentir tuas mãos em meu corpo, teus beijos em minha alma, teu perfume em minhas roupas, preciso decorar mais que teus cílios.
Deixa eu correr minhas mãos por ti, deixa eu matar a saudade que está matando, me deixa deitar do teu lado e te decorar de todas as formas, em todos os detalhes, deixa eu ouvir tua voz sussurrada ao pé do ouvido, deixa eu beijar teus lábios. Teu corpo. Mais uma vez só.  Vem cá e passa mais um dia comigo antes de virarmos pó. Deixa eu te decorar para as noites solitárias.

domingo, 23 de abril de 2017

Sábado, três da manhã.

 Tantas vezes sonhei com sua voz dizendo às palavras que eu queria ouvir, mas nunca pensei que esse dia chegaria que dançaríamos no meio da rua às três da manhã com uma música tocando em carro do outro lado da rua.
 Nunca pensei que você me pegaria em seus braços, que me impediria de entrar só para ficar ali mais um pouco, só mais um pouco, ou que você diria que queria se deitar comigo, assim, sem mais.
 De todas as vezes que sonhei, nenhuma me pareceu tão natural quanto aquele sábado às três da manhã.
 Suas mãos em meu rosto, forçando-me a olhar em seus olhos confusos e um sorriso bobo em seus lábios, sua voz que em meus sonhos sempre foi tão fraca e falha, estava forte ao dizer aquelas cinco palavras, “eu gosto muito de você”, a noite ficou mais fria, tantas vezes sonhando com aquele momento para a frase soar confusa e desconexa em meus ouvidos, tão errada que me fez ter vontade de correr.
 Agora mal consigo olhar em teus olhos.
 Agora mal consigo pensar naquela madrugada.
 Tantas vezes sonhei com esse dia, com as borboletas em meu estomago e com o sorriso em meus lábios, mas hoje parece tudo tão destorcido que meu coração apenas dói. Dói com a realidade. Dói. Apenas dói.
  Aquele sábado às três da manhã onde meus sonhos tornaram-se essa realidade confusa e errada, onde dançamos ao som do carro estacionado do outro lado da rua, onde nossas risadas eram nossas e você pedia para eu ficar mais um segundo, só mais um segundo, quando em uma brincadeira falei “Pode dizer que me ama, eu já sei” você me respondeu “É, amo mesmo, fazer o que?”.
 Aquele sábado às três da manhã onde tudo mudou de uma forma completamente errada.