quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Texto #16 (Do sinal pro infinito.)

 Parece irreal,ainda soa irreal, mas guria, minhas malas estão prontas. Estou esperando o teu sinal, guria, estou apenas esperando o teu sinal.
 Minhas malas estão prontas, já me despedi de meus amigos,já disse que os amo e que volto pra visita-los, meus pais ainda não entendem porque tenho que ir, mas sabem que preciso.
 E guria, estou esperando teu sinal.
 Me despedi do mar, e dá cidade que por anos foi meu lar, mas já coloquei as roupas na mala, e já deixei-a na porta, guria, já dei adeus aos antigos amores, já guardei o cheiro de maresia na memória e estou partindo. Guria você é meu novo lar.
 E estou apenas esperando teu sinal.
 Hey guria, seria mais fácil se eu dissesse que já sonhei com nossa família? Que já contei pra todos que tenho sonhado com você?
 Estou esperando teu sinal.
 Hey, guria, ninguém entende, mas eu estou pronta, saiba que eu estou aqui, pronta para te segurar.  Meus amigos não entendem, mas estou pronta guria, estou pronta pra ti.
 Já me despedi até do padeiro, já disse que estou pronta, que estou aguardando o teu sinal guria, ele riu sem entender.
 Estou apenas esperando teu sinal.
 Meus pais não entendem, “como pode sair de casa pra uma aventura desconhecida?” Mas guria, você é minha aventura.
 Parece irreal, mas já consigo te ver esperando por mim no aeroporto, sentir teus braços em mim, já posso ouvir tua risada, já consigo sentir teu beijo, teu calor.
 E guria, minhas malas estão prontas, já me despedi de casa, as malas estão na porta, estou esperando teu sinal.
 Falta apenas teu sinal, e guria, pego o primeiro voô pra ti.
 Me dê teu sinal.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Minha sereia.


Por dias, quero escrever pra você, te eternizar nas minhas palavras, mas essas permanecem confusas, e se recusam a sair, pulam de um lado para o outro, riem dá minha cara, e escapam pelos meus dedos quando a força, tento pega-las, são como água do mar. Rebeldes. Profundas.
 Não é como se eu não tivesse nada pra lhe dizer, ah querida ao contrário disso, tenho tanto, tanto pra lhe dizer que elas se confundem, se chocam, me chocam. Não quero o clichê, não quero o raso. Quero mergulhar de cabeça, me jogar no fundo do mar agitado e encontrar as palavras certas pra ti.
 Quero mergulhar de cabeça, e quando voltar, deitar-me ao seu lado, te deixar em meus braços, sentir teu shampoo, beijar tua cabeça, fazer carinho em teus longos cabelos vermelhos, te chamar de minha sereia. Quero ser sereia com você. Quero ser maruja, e me apaixonar por você enquanto penteia teus longos cabelos.
 Quero mergulhar de cabeça, esquecer a distância, lutar contra as diferenças, te conhecer e deixar você me conhecer.
 Ah, minha querida, gostaria de poder me livrar dessa dor, me dói tanto não poder estar com você, não poder te pegar no colo, ver um filme ao teu lado, andar de mãos dadas com você.
 Ah, minha querida, como gostaria de explicar o que sinto, mas nem eu mesma sei o que está acontecendo. Quero que entenda, minha querida, que o problema está em mim. Quero que entenda que estou te protegendo de mim, mesmo querendo mergulhar em ti e te deixar mergulhar em mim. Não sou uma boa pessoa, não estou em meu melhor momento. Tenho medo do meu navio naufragar, das ondas me levarem pra escuridão, tenho medo de não poder te ver á luz dá lua, penteando os cabelos e cantando seu canto de sereia.
 Estou com medo de me afogar, estou com medo do frio. E estou com medo de você me encontrar assim.
 Ah minha querida, queria tanto, andar de mãos dadas, te deitar na cama, beijar-lhe teu cabelo, teu rosto, teus lábios. Beijar-lhe cada centímetro de seu ser.
 Ah minha querida, minha sereia, quero tanto, dormir em teus braços, te fazer carinho antes de dormimos, te abraçar sem motivos. Ah minha querida, quero tanto te encontrar.
 Quero tanto te ter.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Texto #15 (Do novo infinito de memórias)


Enquanto caminho na rua penso em teus beijos, um frio na barriga me faz tremer e eu sorrio. Olho para os lados, parece que ninguém percebeu, parece que ninguém vê o que se passa em minha mente.
 Estou perto de casa agora, falta tão pouco. Seguro os pensamentos, não é seguro com tanta gente ao redor, nunca é. O frio ganha proporções tão grandes, que começo a me arrepiar. Falta pouco, já consigo ver o portão de casa.
 Pego as chaves, abro o portão, a porta, dou oi para minha mãe, as gatas e a cachorra, jogo a bolsa no chão do quarto. O sapato vai cada um para um canto, e me jogo na cama.
 Estou livre. Meus pensamentos então podem circular. Estremeço, pois sei onde eles estão indo. Meu corpo esquenta, fecho meus olhos e me deixo levar.
 Estou em uma cama, não é a minha e não estou mais sozinha, você está ao meu lado, suas mãos percorrem meu corpo, sobem ao meu pescoço me puxando pra perto, seus olhos, com cílios tão grandes escuros e emaranhados, me olham com um leve brilho, um leve tremor, antes de se fecharem.
 Sinto teus lábios, queria que você estivesse aqui comigo, sinto tuas mãos, queria que você estivesse aqui comigo, sinto teu corpo pressionado ao meu.
 Estou suando, pingando um suor frio, mas meu corpo queima como se estivesse em chamas. Eu estou em chamas. Consigo sentir teu calor, você também está em chamas. O quarto esquenta. Não consigo recordar o que a televisão está passando, sei apenas que ela está ligada.
 Tanto na lembrança, quanto em meu quarto, minhas roupas se vão, suas mãos passeiam pelo meu corpo enquanto levanta minha blusa, teus lábios percorrem minha pele deixando-a arrepiada e eletrizante, e então suas mãos descem, meu shorts agora se encontra em algum lugar pelo quarto, você sorri, e eu te puxo, beijando teus lábios, teu pescoço, tirando tua blusa.
 Sua pele consegue ser mais clara que a minha quase translúcida, linda, tão linda. Meus lábios percorrem a curvatura de seu pescoço, e vejo-o ficar vermelho ao meu toque, estamos em chamas.
 Meu corpo esquenta ao teu toque, aos teus lábios, me curvo pra ti, nunca me senti assim, sinto como se tivesse uma banda em meu estômago, sinto calafrios, mas estou em chamas.
 Nós estamos em chamas.
 E tua pele branca me convida a explorar caminhos onde nunca estive. Sinto como nunca me senti. A sensação que toma meu corpo, é diferente de tudo, tão intenso, tão real, como se você estivesse aqui novamente. Sinto como se pudesse explodir em milhões de pedaços no ar, sinto teu sorriso em minha pele, me agarro aos lençóis e fecho os olhos.
 Estamos em chamas.
 Estremeço, sinto o suor escorrendo gelado pelo meu corpo quente. Tremo mais uma vez em suas mãos. Sinto meu corpo em chamas. Sinto teu corpo em chamas.
 Tua pele, mais clara que a minha, vermelha ao meu toque, você deita ao meu lado enquanto dou risada das marcas, imaginando quanto tempo demoram a sumir.
 Estremeço mais uma vez ao teu toque, você ri.
 Afasto teu cabelo, branco como sua pele, do rosto, você sorri e coloca de volta no rosto, guardo teu sorriso na memória e olho em teus olhos, negros e com cílios tão grandes escuros e emaranhados uma última vez, antes de fechar os meus e acordar em meu quarto.
 Só.
 Esperando você.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Ah guria.


Como posso não pensar? Se quando fecho os olhos, vejo os teus, me olhando por de baixo do emaranhado de cílios pretos.
 Se quando fecho os olhos, sinto tuas mãos em volta de mim, me puxando pra si. Ou teus dedos traçando círculos em minha coxa no meio do carro lotado, onde ninguém poderia perceber.
 Como posso não pensar, se toda vez que fecho os olhos escuto tua risada, sinto teus lábios nos meus, se te sinto tão perto como se eu pudesse te tocar mais uma vez.
 Ah guria, como eu queria.
 Como eu queria esticar meus braços e te sentir do meu lado, como eu queria me deitar do teu lado e adormecer depois de uma noite de loucura. Acordar ao teu lado e começar tudo de novo.
 Ah guria, como eu queria.
 Como não pensar, se fecho os olhos e posso sentir teu toque, por todo meu corpo, meu corpo esse tremeluzindo a meia luz, não escuto, nem vejo o que passa na TV. Apenas escuto sua voz, me guiando, me levando ao céu, me livrando do peso da terra.
 Ah guria, como eu queria.
 Como eu queria.
 Só uma noite guria, me dê o seu prazer só uma noite.
 Ah guria. Como eu queria.
 Mas eu me deito e penso em você. Em seus olhos me olhando de baixo do emaranhado de cílios pretos. Seus olhos esses que fazem meu coração parar, e minha mente funcionar.
 Como eu queria, ah guria, como eu queria não pensar.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Aos poucos.

 Aos poucos seu perfume, outrora impregnado em minhas roupas, vira meu perfume. Aos poucos, seu nome torna-se apenas um eco em meus lábios, e seu gosto doce vira o amargo da solidão.
 Aos poucos, me acostumo em não te esperar, aos poucos, me acostumo a olhar as notificações não esperando uma mensagem sua. Aos poucos, aos poucos vou me desprendendo.
 Aos poucos, teu toque se torna como uma lembrança distante...
 Mas não posso me enganar, ainda
 escuto sua voz com perfeição, ainda me lembro da forma como anda, de como dorme, de seus gestos ao se vestir pela manhã.
 Teu sorriso ainda é claro em minha mente.
 Mas aos poucos, sei que vão sumir.
 Aos poucos..
 Aos poucos sei que vai ser mais fácil.
 Aos poucos sei que não vai doer tanto, aos poucos sei que vou me acostumar com sua ausência. Aos poucos, vou retomar minha vida.
 Aos poucos...

sábado, 5 de novembro de 2016

Sereiando aqui.

 Eu não nasci sereia, longe disso. Eu me tornei sereia com o tempo.
 E nunca entendi bem como minhas escamas cresceram, nem em que ponto da minha vida as consegui, mas acho que finalmente entendi o porque virei uma sereia.
 Por tanto tempo vivi no turbilhão de movimento que é o mar, boiando sobre as ondas conseguia ver o céu e as estrelas, mas então o mar agitava e eu ouvia as vozes e sentia as mãos de meus demônios me puxando para baixo, me afogando. E por tempos não conseguia ver o céu, não conseguia ver nada além de minhas próprias mãos pálidas, mesmo de baixo d'agua. Mesmo no escuro. Tão pálida, tão morta.
 Achei que estava perdendo a vida enquanto estava no escuro, debaixo d'agua, mas acontece que quanto mais me puxavam, mais me afogavam, mais eu ganhava a vida...
 Percebi, que com o tempo ficou mais fácil de respirar, meus olhos já haviam se acostumado com o escuro, e eu já podia me movimentar, conseguia explorar o mundo bizarro e escuro que eu tinha tanto medo.
 Percebi então, que já não fazia mais diferença onde eu estava, lá em cima, eu conseguia ver as estrelas e ficava emocionada com o ar batendo em mus cabelos, vez por outra até me deixava ser vista sentada na grande pedra absorvendo a luz do sol, mas se as vozes me chamavam...
 Ah, se as vozes me chamavam, eu pulava no mar, minhas escamas surgiam e meus pés viravam cauda.
 Então percebi, me tornei sereia pra sobreviver e enfrentar meus demônios.
 Me tornei sereia pra conseguir viver!

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Texto #14 (Do abismo infinito do qual deveria pular)

Quantas vezes já me despedi sem saber quando seria a última vez? Quantas vezes passei dias sentido um abismo se abrindo em meus pés, com aquelas vozes me incentivando a pular, quantas vezes me impulsionei para frente indo de encontro ao desconhecido, porém amigável abismo, só para poder sentir tuas mãos me agarrarem e puxando de volta.
 Quantas, milhares de vezes confundi o abismo de sua ausência com o abismo de teus olhos?
 Tola, achei que o abismo que me faria mal seria aquele escuro, e desconhecido. Mas o que me fere são os abismos de teus olhos, onde teu sorriso ecoa, onde tuas palavras são cheias de mentiras e teus atos, tão cheios, são um completo vazio.
 Dessa vez me despedi sabendo que seria a última vez, dessa vez, senti o vazio do abismo de seus olhos e percebi o quão perigoso e quão fundo eu já estava para poder ver a luz. Dessa vez me arrependi de ter segurado sua mão, de ter sorrido ao seu encontro, de ter ficado feliz por você vir ao meu encontro, me resgatado do abismo em que eu deveria ter pulado.
 Deixe-me aqui, onde eu possa caminhar até achar a luz, deixe-me aqui eu mesma posso me salvar. Claro que estou com medo, mas é claro que continuarei, o que mais posso fazer? Está tudo bem sentir medo, está tudo bem se algumas lágrimas vão ser derramadas no caminho até ver a luz. Mas deixe-me aqui, onde a sensação de cair é melhor do que eu pensei que seria.
 Quantas vezes mais pularei no abismo só pra cair em teus braços novamente? Quantas vezes mais ensaiaremos a dança que jamais iremos apresentar? Quantas vezes mais você irá aparecer pra então desaparecer novamente?
 Deixe-me aqui, na beira do abismo, onde eu posso pular e me ver livre. Me deixe pular pro abismo desconhecido. E não me deixe cair mais em teus braços.